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Morre, e morrendo vai ouvindo a
espaços,
— Raros momentos de mistérios magos —
Vagas dolências de luares vagos,
Sons magnéticos, insondáveis, baços...
Mãos de veludos de invisíveis braços,
Roçam-lhe a face em cândidos afagos...
Doces, suaves quietações de lagos
Os seus gemidos vão tornando escassos.
Agora escuta um remexer macio
De asas o voo rápido sustendo...
Cobre-lhe as faces um palor sombrio...
E a alma entrando no vácuo ouve, absorta,
Os sons intraduzíveis, refervendo
Na harmonia feral da carne morta!...
(Poesia. Editores: Cunha, Rentzsch & C., Livraria
Americana, pág. 76, Porto Alegre, 1920.)
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por
Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Emilio
Kemp Larbeck Filho (1874 — 1955), nascido no Rio de Janeiro, formou-se médico pela
Faculdade de Medicina do Paraná, tendo exercido a profissão, mas também foi pedagogo,
poeta, romancista, comediógrafo, crítico literário e jornalista; no jornalismo,
trabalhou como redator no Cidade do Rio [jornal de José do Patrocínio], foi co-fundador
de O Comércio e redator da Gazeta de Petrópolis, ambos em Petrópolis — RJ; fundou
a revista Avenida (Rio de Janeiro), redigiu O Fluminense (Niterói — RJ), colaborou
n’A Gazeta da Tarde, n’O Malho, n’A Imprensa, todos do Rio de Janeiro, e em outros
periódicos; a partir de 1910, já em Porto Alegre — RS, dirigiu e foi redator do
Correio do Povo, dirigiu O Diário e Norte-Sul, fundou o jornal A Manhã, foi diretor
da Imprensa Oficial, todos na capital gaúcha; ocupou cargos técnicos e administrativos
em instituições ligadas à saúde pública e ao magistério, lecionou na Escola Superior
de Comércio, na Escola Normal e na Escola Médico-Cirúrgica, dirigiu o Museu Julio
de Castilhos, sempre em Porto Alegre; como poeta e literato, participou do simbolismo,
colaborou na Revista Vera-Cruz [órgão simbolista], e ali subscreveu suas obras com
o próprio nome e também com os pseudônimos Acúrcio Benigno e Baianave; escreveu
e publicou: Matinal (teatro, em versos, 1898, 2ª edição em 1918), Poesia (1900,
2ª edição 1920), O Senhor Ministro (teatro, 1906), Pobre amor, o amor de Dona Amanda
(romance ou novela, 1908), A Defesa da Saúde Pública no Rio Grande do Sul
(tese acadêmica, 1916), Gente Alegre
(comédia, teatro, 1918), Enciclopédia Brasileira de Educação — 6 volumes (compilação
de trabalhos pedagógicos, 1922-1934), Luz Suprema (versos, 1938), Cantos de Amor
ao Céu e à Terra (versos, 1943), A Boneca de Sofia e o Batizado (literatura infantil,
1950) e outros títulos, além de operetas e outros textos dispersos em folhetins
e colunas de jornais e revistas da época.