Mostrando postagens com marcador Cassiano Machado Tavares Bastos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cassiano Machado Tavares Bastos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cassiano Machado Tavares Bastos: Sombras da lua

 
____________________
Há no mar incógnitas paisagens,
Sombras formando um bronzeado trono,
Montanhas plúmbeas, pálidas ramagens
Que eu cuido contemplar num negro sono...

Não sei o que haverá nessas paragens
Que nos meus versos diluídos canto,
Não sei que entranhas, lânguidas imagens
Podem viver nesse estrelado manto!

Ah! por que foi satélite da Terra
A Lua, esse Astro incompreensível, místico,
E vemos nós as sombras que ela encerra?...

Certo no trono que estas sombras fazem,
Jaz o perfil do meu Sonhar artístico,
E as minhas Ilusões desfeitas jovem!...

(Ermida, pág. 17, 1900, Tipografia do
Instituto Profissional, Rio de Janeiro.)

____________________
Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cassiano Machado Tavares Bastos (1885 — 1973), nascido em Santa Maria Madalena — RJ, ou C. Tavares Bastos, fez seus primeiros estudos em colégio particular no Rio de Janeiro, aos 11 anos matriculou-se no Internato do Ginásio Nacional (atual Colégio  Pedro II), depois transferiu-se para o Externato do mesmo instituto, cursou a Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, bacharelou-se em Ciências e Letras, foi funcionário público, poeta do Simbolismo e tradutor; iniciando sua carreira como auxiliar de escrita da Estrada de Ferro Central do Brasil, exerceu inúmeras funções no alto escalão do serviço público e na área diplomática, aposentou-se em 1941 e passou a dedicar-se exclusivamente às letras; colaborou no semanário Rua do Ouvidor, na Folha do Dia (redigia a coluna “Crônica Semanal”, sob o pseudônimo “Cornely”), na revista Rosa Cruz e na revista Sousa Cruz, estas últimas de inspiração simbolista; traduziu Victor Hugo, Baudelaire e Dante; escreveu e publicou Ermida (poesia, versos dos 15 aos 17 anos, 1900), Versões Poéticas Brasileiras de Victor Hugo (1952), Dante e Outros Poetas Italianos na Interpretação Brasileira (1953), Baudelaire no Idioma Vernáculo (1963), Trovas do Crepúsculo (poesias, 1965), além de ter produzido vários livros na área de Estatística; Cassiano Machado foi participante ativo no movimento simbolista ao lado dos amigos e companheiros literários Saturnino de Meireles, Pereira da Silva, Carlos D. Fernandes, Castro Meneses e outros; seu estudo “Como surgiram os Místicos da Rosa Cruz (O Simbolismo no Brasil — A Influência de Saturnino de Meireles — Os discípulos de Cruz e Sousa — Vicissitudes de uma Revista de Arte)”, publicado no Jornal do Comércio de 14 de março de 1937, é de importância fundamental para a história do simbolismo brasileiro, na sua segunda fase, no relato de Andrade Muricy, organizador da obra Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, volumes I e II.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Cassiano Machado Tavares Bastos: Do "Meu poema"

____________________
XVI

Nas grotas sepulcrais do teu Verso Maldito
A existência de uma Ânsia Intangível revela
O Tédio que te prostra o coração aflito
Com a frieza glacial de uma profunda cela!

O Ódio nervosamente o teu Verbo constela
De blasfêmias cruéis como um Satã proscrito,
E do Invisível Céu que sobre ele se estrela
Corre de boca em boca o misterioso mito...

O arcanjo da Saudade abre as asas piedosas
Sobre fulgurações da solitária Prece
Que ergues transfigurado às Esferas Saudosas...

Depois... (Esquece o fim deste terrível drama,
As tristezas... o luto... a dor, esquece, esquece...)
Noite. Não, vês o Luar? É o Sonho que te chama!...

([revista] Rosa Cruz, ano I, junho de 1901, nº 1, pág. 24.)

____________________
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Cassiano Machado Tavares Bastos (1885 — 1973), nascido em Santa Maria Madalena — RJ, ou C. Tavares Bastos, fez seus primeiros estudos em colégio particular no Rio de Janeiro, aos 11 anos matriculou-se no Internato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II), depois transferiu-se para o Externato do mesmo instituto, cursou a Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, bacharelou-se em Ciências e Letras, foi funcionário público e poeta do Simbolismo; iniciando sua carreira como auxiliar de escrita da Estrada de Ferro Central do Brasil, exerceu inúmeras funções no alto escalão do serviço público e na área diplomática, aposentou-se em 1941 e passou a dedicar-se exclusivamente às letras; colaborou no semanário Rua do Ouvidor, na Folha do Dia (redigia a coluna “Crônica Semanal”, sob o pseudônimo “Cornely”), na revista Rosa Cruz e na revista Sousa Cruz, estas últimas de inspiração simbolista; traduziu Victor Hugo, Baudelaire e Dante; escreveu e publicou Ermida (poesia, versos dos 15 aos 17 anos, 1900), Versões Poéticas Brasileiras de Victor Hugo (1952), Dante e Outros Poetas Italianos na Interpretação Brasileira (1953), Baudelaire no Idioma Vernáculo (1963), Trovas do Crepúsculo (poesias, 1965), além de ter produzido vários livros na área de Estatística; Cassiano Machado foi participante ativo no movimento simbolista ao lado dos amigos e companheiros literários Saturnino de Meireles, Pereira da Silva, Carlos D. Fernandes, Castro Meneses e outros; seu estudo “Como surgiram os Místicos da Rosa Cruz (O Simbolismo no Brasil — A Influência de Saturnino de Meireles — Os discípulos de Cruz e Sousa — Vicissitudes de uma Revista de Arte)”, publicado no Jornal do Comércio de 14 de março de 1937, é de importância fundamental para a história do simbolismo brasileiro, na sua segunda fase, no relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro...

sábado, 23 de dezembro de 2023

Cassiano Machado Tavares Bastos: Elevação


____________________
“Envolve-toi bien lain de ces mesmes morbidez,
Va te purifier dans l’air supérieur”.
CH. BAUDELAIRE.

Para os azuis sidérios, poeta, eleva
O teu eterno cíato de prata,
Onde o absinto que te queima e mata
Faz com que vejas o luar na treva!

E que o teu verso aureolado deva
Subir à luz que nele se retrata,
Vai, nas Esferas teu amor dilata,
Tu’alma lá pelas Alturas neva!...

Nos puros longes eterais penetra
Altivamente, e sem temor soletra
O alfabeto estelar desse outro mundo...

Que te não percas nesse abismo enorme,
Mas entre os anjos e as estrelas dorme,
Dorme sonhando num sonhar profundo!...

(Ermida, pág. 31.)

____________________
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Cassiano Machado Tavares Bastos (1885 — 1973), nascido em Santa Maria Madalena — RJ, ou C. Tavares Bastos, fez seus primeiros estudos em colégio particular no Rio de Janeiro, aos 11 anos matriculou-se no Internato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II), depois transferiu-se para o Externato do mesmo instituto, cursou a Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, bacharelou-se em Ciências e Letras, foi funcionário público e poeta do Simbolismo; iniciando sua carreira como auxiliar de escrita da Estrada de Ferro Central do Brasil, exerceu inúmeras funções no alto escalão do serviço público e na área diplomática, aposentou-se em 1941 e passou a dedicar-se exclusivamente às letras; colaborou no semanário Rua do Ouvidor, na Folha do Dia (redigia a coluna “Crônica Semanal”, sob o pseudônimo “Cornely”), na revista Rosa Cruz e na revista Sousa Cruz, estas últimas de inspiração simbolista; traduziu Victor Hugo, Baudelaire e Dante; escreveu e publicou Ermida (poesia, versos dos 15 aos 17 anos, 1900), Versões Poéticas Brasileiras de Victor Hugo (1952), Dante e Outros Poetas Italianos na Interpretação Brasileira (1953), Baudelaire no Idioma Vernáculo (1963), Trovas do Crepúsculo (poesias, 1965), além de ter produzido vários livros na área de Estatística; Cassiano Machado foi participante ativo no movimento simbolista ao lado dos amigos e companheiros literários Saturnino de Meireles, Pereira da Silva, Carlos D. Fernandes, Castro Meneses e outros; seu estudo “Como surgiram os Místicos da Rosa Cruz (O Simbolismo no Brasil — A Influência de Saturnino de Meireles — Os discípulos de Cruz e Sousa — Vicissitudes de uma Revista de Arte)”, publicado no Jornal do Comércio de 14 de março de 1937, é de importância fundamental para a história do simbolismo brasileiro, na sua segunda fase, no relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro...

domingo, 10 de dezembro de 2023

Cassiano Machado Tavares Bastos: Alívio


____________________
Haja na estrada, esparsos, brancos lírios
Quando passar a santa dos meus Sonhos,
E se desfaçam meus cruéis martírios
Em pensamentos límpidos, risonhos!

Assim também, os funerários círios
Dos meus nevoentos Ideais tristonhos
Apaguem-se, ao passar, entre delírios,
A régia Eleita sacra dos meus Sonhos!

Quero que ela ande em maciez d’arminhos,
Quase voando como os passarinhos,
Sob o das rimas fúlgido estelário...

É para isso que, carpindo, escrevo.
A minha grande Dor pondo em relevo
No meu funéreo e negro Lacrimário!...

(Ermida, pág. 25.)

____________________
Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Cassiano Machado Tavares Bastos (1885 — 1973), nascido em Santa Maria Madalena — RJ, ou C. Tavares Bastos, fez seus primeiros estudos em colégio particular no Rio de Janeiro, aos 11 anos matriculou-se no Internato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II), depois transferiu-se para o Externato do mesmo instituto, cursou a Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, bacharelou-se em Ciências e Letras, foi funcionário público e poeta do Simbolismo; iniciando sua carreira como auxiliar de escrita da Estrada de Ferro Central do Brasil, exerceu inúmeras funções no alto escalão do serviço público e na área diplomática, aposentou-se em 1941 e passou a dedicar-se exclusivamente às letras; colaborou no semanário Rua do Ouvidor, na Folha do Dia (redigia a coluna “Crônica Semanal”, sob o pseudônimo “Cornely”), na revista Rosa Cruz e na revista Sousa Cruz, estas últimas de inspiração simbolista; traduziu Victor Hugo, Baudelaire e Dante; escreveu e publicou Ermida (poesia, versos dos 15 aos 17 anos, 1900), Versões Poéticas Brasileiras de Victor Hugo (1952), Dante e Outros Poetas Italianos na Interpretação Brasileira (1953), Baudelaire no Idioma Vernáculo (1963), Trovas do Crepúsculo (poesias, 1965), além de ter produzido vários livros na área de Estatística; Cassiano Machado foi participante ativo no movimento simbolista ao lado dos amigos e companheiros literários Saturnino de Meireles, Pereira da Silva, Carlos D. Fernandes, Castro Meneses e outros; seu estudo “Como surgiram os Místicos da Rosa Cruz (O Simbolismo no Brasil — A Influência de Saturnino de Meireles — Os discípulos de Cruz e Sousa — Vicissitudes de uma Revista de Arte)”, publicado no Jornal do Comércio de 14 de março de 1937, é de importância fundamental para a história do simbolismo brasileiro, na sua segunda fase, no relato de Andrade Muricy, organizador deste Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro...