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[traduzido
por Álvaro Reis]
Se
acreditais... que eu diga, um dia,
Quem
ousou amar
(Nada o
revela)
Nem por
um trono saberia
Pronunciar
O nome
dela.
Cantemos
alto, ao sol que doura
Os dias
belos.
Se
desejais...
Quanto eu
a adoro e quanto é loura
Com os
seus cabelos
Cor dos
trigais.
Eu cumpro
tudo o que a fantasia
Desta
querida
Quer me
ordenar;
Se for
preciso, com alegria,
A minha
vida
Lhe posso
dar.
Do mal
que o amor desconhecido,
Sempre
ocultado,
Nos faz
sofrer,
O coração
levo ferido,
Despedaçado,
Até
morrer.
Amo
demais; por isso, nada,
Nada
revela,
Quem ouso
amar...
Morrer
prefiro por minha amada,
Que o
nome dela
Pronunciar.
[“Fortunio canta — Segundo Ato,
Cena 3,
em O Castiçal, ou O Lustre, comédia em 3 atos,
publicada em 1835 e
representada em 1848]
Chanson de Fortunio
Si vous
croyez que je vais dire
Qui j'ose
aimer,
Je ne
saurais, pour un empire,
Vous la
nommer.
Nous
allons chanter à la ronde,
Si vous
voulez,
Que je
l'adore et qu'elle est blonde
Comme les
blés.
Je fais
ce que sa fantaisie
Veut
m'ordonner,
Et je
puis, s'il lui faut ma vie,
La lui
donner.
Du mal
qu'une amour ignorée
Nous fait
souffrir,
J'en
porte l'âme déchirée
Jusqu'à
mourir.
Mais
j'aime trop pour que je die
Qui j'ose
aimer,
Et je
veux mourir pour ma mie
Sans la
nommer.
[“Fortunio chante — Acte deuxième,
Scène III”,
en Le Chandelier — Comédie en
trois actes,
públiée en 1835, représentée en 1848.]
(Poésies nouvelles)
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Antologia
de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França
[111 autorias e vários tradutores], Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães
Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro
nº 12126, sem data, [1985?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Alfred
Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar
9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio,
depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os
abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi
poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible"
do período romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A
ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais
mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit
vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos
da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos
de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema
narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema
narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro
comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834),
Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle
(A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La
Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre
[1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et
Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841),
Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta
ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia,
1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por
Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise,
1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca,
1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole,
1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos
frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário
da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros;
passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a
escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado
com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa;
com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo
alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de
maio de 1857”, aos 46 anos.