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terça-feira, 12 de maio de 2026

Elizabeth Barrett Browning: Como eu te amo

 
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(traduzido por Fernando Torquato Oliveira)

De que maneira eu te amo? Impossível dizer.
Eu te amo em dimensões de abismo e de altitude,
onde a alma ainda alcança o azul da plenitude,
no limite do ideal, além do próprio ser.

Eu te amo dia a dia, em nímia beatitude,
desde a luz da manhã à luz do anoitecer;
eu te amo livremente, ou sem leis nem poder;
eu te amo com orgulho, e com terna atitude.

Eu te amo com o raro amor dos desencantos,
com a fé infantil, que permanece forte,
com o estranho calor dos crentes e dos santos.

Eu te amo com paixão, com lágrimas, transporte.
E se Deus o quiser, implorando em meus prantos,
amar-te-ei, também, depois da própria morte!

Elizabeth Barrett Browning

Sonnet 43
How do I love thee?

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.

I love thee to the level of every day’s
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right;
I love thee purely, as they turn from praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood’s faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death.

(Sonnets from the Portuguese — 1847)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; autodidata, exceto por ter recebido “algumas instruções de grego e latim de um tutor que vivia com a família e ajudava seu irmão Edward”, ainda aos dez anos de idade, já havia lido várias peças de Shakespeare, traduções homéricas, de Pope, histórias da Inglaterra, Grécia e Roma e, logo após, peças de Racine e Molière, o Inferno, de Dante; todo o Antigo Testamento, em hebraico, Tom Paine, Voltaire, Rousseau e Mary Wollstonecraft; aos 15 anos de idade, tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com o também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; Elizabeth escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Elizabeth Barrett Browning: O amor

 

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(traduzido por Manuel Corrêa de Barros * português)

Pus-me a pensar nos anos venturosos
em que o poeta Teócrito cantava,
e em cada um, à vez, acrescentava,
à vida humana, dons mais generosos.

Na sua língua antiga, aos dolorosos
anos da minha vida os comparava;
doces, mas tristes anos, que eu lembrava,
com lágrimas nos olhos saudosos.

Chorando assim, senti que se movia,
por trás de mim, alguém que me prendia
os cabelos, e, em tom dominador,

perguntava: "Adivinha quem eu sou?
"A Morte", respondi. E a voz tornou,
num riso claro: "A Morte, não. O Amor!"

Elizabeth Barrett Browning

I thought once how Theocritus had sung

Sonnet 1

I thought once how Theocritus had sung
Of the sweet years, the dear and wished for years,
Who each one in a gracious hand appears
To bear a gift for mortals, old or young:

And, as I mused it in his antique tongue,
I saw, in gradual vision through my tears,
The sweet, sad years, the melancholy years,
Those of my own life, who by turns had flung

A shadow across me. Straightway I was 'ware,
So weeping, how a mystic Shape did move
Behind me, and drew me backward by the hair,

And a voice said in mastery, while I strove,
“Guess now who holds thee?” “Death,” I said. But, there,
The silver answer rang, “Not Death, but Love.”

(Sonnets from the Portuguese — 1847)

* Nota do autor Vasco de Castro Lima, organizador deste O mundo maravilhoso do soneto: Manuel Corrêa de Barros, aliás, traduziu todos os sonetos dessa poetisa, publicando, em 1945, um livro com o título "Sonetos Portugueses".
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; autodidata, exceto por ter recebido “algumas instruções de grego e latim de um tutor que vivia com a família e ajudava seu irmão Edward”, ainda aos dez anos de idade, já havia lido várias peças de Shakespeare, traduções homéricas, de Pope, histórias da Inglaterra, Grécia e Roma e, logo após, peças de Racine e Molière, o Inferno, de Dante; todo o Antigo Testamento, em hebraico, Tom Paine, Voltaire, Rousseau e Mary Wollstonecraft; aos 15 anos de idade, tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com o também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; Elizabeth escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Elizabeth Barrett Browning: As minhas cartas! Todas elas frio, . . . [soneto]

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(traduzido por Manuel Bandeira)

As minhas cartas! Todas elas frio,
mudo e morto papel! No entanto agora
lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio
da vida eis que retomo hora por hora.

Nesta queria ver-me  era no estio
como amiga a seu lado... Nesta implora
vir e as mãos me tomar... Tão simples! Li-o
e chorei. Nesta diz quanto me adora.

Nesta confiou: "sou teu", e empalidece
a tinta no papel, tanto o apertara
ao meu peito, que todo inda estremece!

Mas uma... Ó meu amor, o que me disse
não digo. Que bem mal me aproveitara,
se o que então me disseste eu repetisse...

Elizabeth Barrett Browning

Sonnet 28
My letters! all dead paper, ... mute and white!

My letters! all dead paper,... mute and white!
And yet they seem alive and quivering
Against my tremulous hands which loose the string
And let them drop down on my knee to-night.

This said,... he wished to have me in his sight
Once, as a friend: this fixed a day in spring
To come and touch my hand... a simple thing,
Yet I wept for it! this,... the paper's light...

Said, Dear, I love thee; and I sank and quailed
As if God's future thundered on my past.
This said, I am thine  and so its ink has paled

With lying at my heart that beat too fast.
And this... O Love, thy words have ill availed,
If, what this said, I dared repeat at last!

(Sonnets from the Portuguese — 1847)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; autodidata, exceto por ter recebido “algumas instruções de grego e latim de um tutor que vivia com a família e ajudava seu irmão Edward”, ainda aos dez anos de idade, já havia lido várias peças de Shakespeare, traduções homéricas, de Pope, histórias da Inglaterra, Grécia e Roma e, logo após, peças de Racine e Molière, o Inferno, de Dante; todo o Antigo Testamento, em hebraico, Tom Paine, Voltaire, Rousseau e Mary Wollstonecraft; aos 15 anos de idade, tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com o também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; Elizabeth escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Elizabeth Browning: Amo-te quanto em largo, alto e profundo . . . [soneto]

 
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[traduzido por Manuel Bandeira]

Amo-te quando em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.

Elizabeth Browning

How do I love thee?

How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.

I love thee to the level of everyday’s
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.

I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood’s faith.

I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints,  I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life!  and, if God choose,
I shall but love thee better after death.
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com Robert Browning, também poeta, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Elizabeth Browning: Ama-me por amor do amor somente . . . [soneto]


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[traduzido por Manuel Bandeira]

Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente

Minh’alma em comunhão constantemente
Com a sua.” Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.

Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto esta vontade

De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.

Elizabeth Browning

If thou must love me

If thou must love me, let it be for nought
Except for love’s sake only. Do not say
“I love her for her smile  her look  her way
Of speaking gently,  for a trick of thought

That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day” 
For these things in themselves, Belovèd, may
Be changed, or change for thee  and love, so wrought,

May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity’s wiping my cheeks dry, 
A creature might forget to weep, who bore

Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love’s sake, that evermore
Thou mayst love on, through love’s eternity.
____________________
Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com Robert Browning, também poeta, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

sábado, 18 de maio de 2019

Elizabeth Barrett Browning: Quando penso que há um ano, meu querido, . . . [soneto]

Sonetos da Portuguesa
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[traduzido por Leonardo Fróes]

20

Quando penso que há um ano, meu querido,
Já pisavas em torno e eu só, na neve,
Não notava qualquer pegada leve
Nem ouvia o silêncio recolhido
Dar vez à tua voz, porque elo a elo
Ia contando o peso das correntes,
Sem perceber que um dia finalmente
Virias rebentá-las. Bebo, ao vê-lo,
Desta taça de espantos que é a vida!
Em noite ou dia nunca ouvi tremor
De fala ou gesto ao meu redor. Sentida
Presciência de ti não trouxe a flor
Que, alva, viste crescer! Deus à escondida
Tolos ateus não sabem como ver.

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Elizabeth Barrett Browning

XX

Beloved, my Beloved, when I think
That thou wast in the world a year ago,
What time I sat alone here in the snow
And saw no footprint, heard the silence sink
No moment at thy voice, but, link by link,
Went counting all my chains as if that so
They never could fall off at any blow
Struck by thy possible hand,  why, thus I drink
Of life’s great cup of wonder! Wonderful,
Never to feel thee thrill the day or night
With personal act or speech  nor ever cull
Some prescience of thee with the blossoms white
Thou sawest growing! Atheists are as dull,
Who cannot guess God’s presence out of sight.
____________________
Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 —  1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Se tens de amar-me de algum modo, . . . [soneto]

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[traduzido por Leonardo Fróes]

14

Se tens de amar-me de algum modo,
Amo o amor, não mais, a meu respeito.
Não diga amar-me o olhar, o riso, o jeito
Suave de falar, ou o já pensado
Tal como eu penso e trouxe a certo dia
Um sentido de paz apetecido.
Porque em si estas coisas, meu querido,
Por elas ou por ti se mudariam.
Também não me ame se por compaixão
Ao secar minhas lágrimas. Quem tanto
Se apoia em ti talvez perca a ilusão
De amado ser, interrompendo o pranto.
Ama-me pelo amor tão só que, então,
Hás de amar-me no eterno deste enquanto.

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Elizabeth Barrett Briwning

XIV

If thou must love me, let it be for nought
Except for love’s sake only. Do not say
“I love her for her smile  her look  her way
Of speaking gently,  for a trick of thought
That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day” 
For these things in themselves, Beloved, may
Be changed, or change for thee  and love, so wrought,
May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity’s wiping my cheeks dry, 
A creature might forget to weep, who bore
Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love’s sake, that evermore
Thou mayst love on, through love’s eternity.
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Estas flores colhidas no jardim . . . [soneto]

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[traduzido por Leonardo Fróes]

44

Estas flores colhidas no jardim
Que me trazias no verão, no inverno,
Poderiam, no escuro quarto interno,
Sem sol ou chuva ter crescido em mim.
Em nome deste amor toma as ideias
Que de igual modo aqui desabrocharam,
Do coração provindo, e acompanharam
Dias frios ou quentes. Estão cheias
De ervas amargas, cardos e lamentos
De que te incumbo. Juntas também vão
Rosas silvestres. Dá-lhes tratamento
Bom como eu dou às flores que me dão.
Que a cor persista ao teu olhar atento.
Das raízes, te lembra, eu sou o chão.

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Elizabeth Barrett Browning

XLIV

Beloved, thou hast brought me many flowers 
Plucked in the garden, all the summer through 
And winter, and it seemed as if they grew 
In this close room, nor missed the sun and showers, 
So, in the like name of that love of ours, 
Take back these thoughts which here unfolded too, 
And which on warm and cold days I withdrew 
From my heart’s ground. Indeed, those beds and bowers 
Be overgrown with bitter weeds and rue, 
And wait thy weeding; yet here’s eglantine, 
Here’s ivy!  take them, as I used to do 
Thy flowers, and keep them where they shall not pine. 
Instruct thine eyes to keep their colours true, 
And tell thy soul, their roots are left in mine. 
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Tendo apenas visões por companhia, . . . [soneto]

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[traduzido por Leonardo Fróes]

26

Tendo apenas visões por companhia,
Não mulheres e homens, no passado,
Nelas tive parceiros delicados,
Do mais doce cantar que eu conhecia.
Logo porém seu rastro se perdeu
Na poeira do mundo e, ante o silêncio
Dos alaúdes, eu, cega em desmaio,
Nada mais vi. Até que visse o teu
Poder de ser o que eles pareciam.
O mesmo canto, o mesmo resplendor
(Santidade das águas que corriam)
Fundem-se em ti que chega vencedor
Da alma plena do quanto carecia.
Deus dá mais do que pede o sonhador.

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Elizabeth Barrett Browning

XXVI

I lived with visions for my company
Instead of men and women, years ago,
And found them gentle mates, nor thought to know
A sweeter music than they played to me.
But soon their trailing purple was not free
Of this world's dust, their lutes did silent grow,
And I myself grew faint and blind below
Their vanishing eyes. Then thou didst come  to be,
Beloved, what they seemed. Their shining fronts,
Their songs, their splendours, (better, yet the same,
As river water hallowed into fonts),
Met in thee, and from out thee overcame
My soul with satisfaction of all wants:
Because God's gifts put man's best dreams to shame.
____________________
Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.