____________________
Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar.
Não para automóvel matar gente,
mas para criança brincar.
Se esta mata fosse minha,
eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores,
onde é que os pássaros vão morar?
Se este rio fosse meu,
eu não deixava poluir.
Joguem esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.
Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.
Poemas para brincar — José Paulo Paes, Ilustrações
de Luiz Maia, 2011, 17ª edição, 1ª impressão, Editora Ática, São Paulo — SP; José
Paulo Paes (1926 — 1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta,
crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial, durante anos
trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba — PR), sem jamais ter deixado de
lado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade
paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 — 1948), dirigida por Dalton Trevisan;
transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais Folha de São Paulo,
O Estado de São Paulo, O Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu
e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério
em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo (1983), É
isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia reunida,
1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Poemas para brincar (infantil,
1989), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), Lé com Cré (1993), A Meu Esmo (1995),
De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores poemas (1998),
Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro
(1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos
em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil;
como editor, verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos, norte-americanos
e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos
Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans,
Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis
Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários
nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.



