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domingo, 19 de abril de 2020

Ole Sarvig: Noite de vigília

Resultado de imagem para quinze poetas dinamarqueses josé paulo paes letras contemporâneas
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[traduzido por José Paulo Paes]

Estou só dentro da noite
debaixo das estrelas.
E me vem a ideia
de que os muitos sóis e planetas de sóis
que giram lá no alto
ao redor uns dos outros
em sistemas rebrilhantes,
são outros tantos átomos
de um imenso corpo.

Nós mesmos talvez estejamos em sua testa.
Talvez estejamos no seu olho
ou então num dos seus cabelos,
mas ele, como eu,
contempla o seu céu estrelado
que, por sua vez, é feito dos átomos
de uma forma que também
olha pensativamente para as estrelas.

E eu mesmo sou uma infinitude
de mundos.
Levo em mim sistemas solares
com planetas de mares e planícies
e de seres vivos
que, por sua vez, levam em si
miríades de seres
na mesma proporção
daqueles.

Talvez neste exato momento esteja nascendo
um Cristo do espírito em algum
dos muitos e obscuros planetas do meu corpo.
Talvez campeiem guerras e montanhas tremam
em algum dos seus incontáveis planetas
 talvez estejam nascendo muitos sóis
neste exato momento,
talvez se esteja extinguindo um planeta vivo
no frio da noite cósmica
 mas eu pensativo contemplo
o enxamear das estrelas.

E esse imenso corpo
de que falamos
quem sabe não é um homem comum
também ansioso e preocupado
com idéias sobre a infinitude

Sarvig, Ole | 6.000 historiske pressefotos - John Stæhr copyright ...
Ole Sarvig

Vaagen nat

Jeg staar alene i natten
under stjernerne.
Og den tanke kommer til mig,
at de mange sole og soles planeter,
som kredser deroppe
og drejer sig om hverandre
i blinkende systemer,
er andre atomer
i den væeldiges legeme.

Vi sidder maaske i hans pande.
Maaske er vi i hans øje
eller et haar paa hans hode,
mens han som jeg
staar og ser op mod sin stjerne-himmel
der atter er nogle faa atomer
af en skikkelse, der ogsaa
staar og ser tankefuld op i stjernerne.

Og selv er je gen uendelighed
af verdener.
Jeg bærer solsystemer
og kloder med sletter og have
og levende væsener i mig.
Og de bærer atter
myriader af verdener i sig
i det samme størrelsesforhold
som her.

Maaske fødes netop nu
en Kristus af aand I mit legeme
paa en af de mange mørke kloder.
Maaske raser krige og skælver bjerge
på en af mine uttalige planeter,
 maaske fødes mange sole
netop nu,
maaske slukkes en levende klode
i rumnattens kulde,
 mens jeg tankefuld staar
og ser op mod stjernervrimlen.

Og denne vældige,
som vi jo kender ham,
er maaske en jævn mand
og selv urolig og bekymret
ved tanken om uendeligheden.
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Quinze Poetas Dinamarqueses, Seleção, Tradução, Introdução, Prefácio e Notas de José Paulo Paes e Apresentação de Jorge H. Wolff, edição bilíngue, Coleção Poesia Traduzida Volume II, 1997, Letras Contemporâneas, Florianópolis — SC; Ole Sarvig (1921 1981), dinamarquês de Copenhague, foi poeta, ficcionista, ensaísta, crítico de arte e dramaturgo; com outros escritores e poetas, participou da revista literária Heretica; é/foi autor de 15 coleções de poesia, 10 coleções de ensaio, 4 romances e algumas peças de teatro; bibliografia: Green Poems (Poemas Verdes, 1943), Jeghuset (poesia, 1944), Legende (poesia, 1946), Menneske (poesia, 1948), Krisens Billedbog (ensaios de arte, 1950), Stenrosen (novela, 1955), De Sovende (novela, 1958), Havet under mit Vindue (romance, 1960) e outros textos em verso e prosa, ensaios e também para teatro; em 1967 recebeu o Grande Prêmio da Academia Dinamarquesa; Ole Sarvig cometeu suicídio em dezembro de 1981.