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[traduzido por Dom F. de Aquino Correia]
[ . . . ]
Ave, Maria! Quando na aura aflante,
Corre esta humilde voz os horizontes,
Dos vis mortais, como de Haroldo e Dante,
Curvam-se as frontes.
Uma de flautas harmonia linda
Passa entre a terra e os céus, que além se coram:
Espíritos, talvez, dos que são inda,
Dos quem já foram?
Um doce esquecimento da oprimente
Vida, um suspirar fundo pela calma,
Um gosto de chorar suavemente
Invade a alma.
Cala-se a fera, o homem, tudo, e quando
Róseo, no azul se esfuma além o dia,
Cantam nas torres os sinos, ondulando:
Ave, Maria!
(Rimas e Ritmos)
La chiesa di Polenta [trecho]
[ . . . ]
Ave Maria! Quando su l’aure corre
l’umil saluto, i piccioli mortali
scovrono il capo, curvano la fronte
Dante
ed Aroldo.
Una di flauti lenta melodi
passa invisibil fra la terra e il cielo:
spiriti forse che furon, che sono
e
che saranno?
Un oblio lene de la faticosa
vita, un pensoso sospirar quïete,
una soave volontà di pianto
l’anime
invade.
Taccion le fiere e gli uomini e le cose,
roseo ’l tramonto ne l’azzurro sfuma,
mormoran gli alti vertici ondeggianti
Ave
Maria.
[luglio
1897]
(Rime e ritmi —
1898)
* Nota
do blogue Verso e Conversa: em pesquisas googleanas, o atrevidíssimo aprendiz
de blogueiro desta página descobriu que o poema carducciano A Igreja de Polenta
[La chiesa di Polenta] é composto por 128 versos distribuídos em 32 estrofes
[de 4 versos cada]; neste Poesias Escolhidas: Giosuè Carducci..., constam,
traduzidos por Dom Francisco de Aquino Correia, apenas as quatro últimas
estrofes [versos 113 a 128].
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Poesias Escolhidas:
Giosuè Carducci, Tradução e Notas de Jamil Almansur Haddad, Estudo Introdutivo e
Vida e Obra de Giosuè Carducci, por Paul Renucci, Ilustrações de Michel Cauvet e
Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Giosuè Carducci, por Gunnar Ahlström
— Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1971, Editora Opera Mundi, Rio de
Janeiro — RJ; Giosuè Alessandro Giuseppe Carducci ou Joshua Carducci (1835 — 1907),
italiano de Val di Castello, comuna de Pietrasanta, hoje Pietrasanta-Carducci, estudou
na Scuola Normale de Pisa, formou-se em Filosofia e Filologia, além de ter sido
professor por quase meio século, foi poeta e crítico; até os quatorze anos, Carducci
não teve outro mestre além de seus pais — o pai, médico “sem fortuna”, era “sustentado
por uma clientela camponesa miserável” e também não era favorecido na busca de uma
“clínica mais afortunada” por manter suas opiniões políticas não ao gosto das comunidades
por onde passava, assim vivia mudando de localidade e de sede de clínica; foi em
Florença que o poeta, já aos quatorze anos, passou a frequentar o colégio Scuole
Pio, fez dois anos de retórica, escreveu seus primeiros sonetos, depois frequentou
um curso de ciências e continuou com seus estudos“, o gosto já adquirido pela leitura
cresceu, leu Os Noivos, de Manzoni, os épicos Ilíada, Eneida, Jerusalém Libertada,
os “poemas cavaleirescos” Orlando Amoroso, de Boiardo, e Orlando Furioso, de Ariosto;
deu aulas em estabelecimentos secundários de San Miniato al Tedesco e Pistóia e,
desde os vinte e cinco anos, lecionou Literatura Italiana na Faculdade de Letras
da Universidade de Bolonha; também escreveu poemas por quase meio século — o primeiro
que se tem conservado, A Dio, um soneto a Deus, foi escrito em maio de 1848, e o
último, uma quadra, O Castelo de São Martinho, traz a data de 10 de novembro de
1902; suas obras: em poesia: Rime (1857), Inno a Satana (1863), Levia Gravia [1857—1870?], (1868), Poesie (edição, num só volume, de Deccenalli [1860—1870], Levia Gravia [1857—1870]
e Juvenilia [1850—1857], 1871), Primavere elleniche (1872), Nuove poesie (1873,
e 2ª edição melhorada e aumentada,
1875), Odi Barbare (primeira série, 1877), Juvenilia [1850—1857] (edição definitiva, 1880), Nuove Odi
Barbare (1882, 2ª edição melhorada e aumentada, 1886), Ça Ira (1883), Rime Nuove
(1887), Terze Odi Barbare (1889), Rime e Ritme (1899), em prosa: Ricordi Autobiografici,
Saggi e Frammenti [1850—1907], Prose Giovanili [1851—1859], Primi Sagi [1857—1865],
Poeti e Figure del Risorgimento [1858—1901], Petrarca e Boccacio [1861—1882], Scritti
di Storia e di Erudizione [1862—1895], Dante [1864—1904], Discorsi Letterari e Storicci
[1868—1897], Leopardi e Manzoni [1873—1898], todas publicadas entre 1940 e 1942,
além de outras publicações e reedições em verso e prosa; Giosuè Carducci foi laureado
com o Prêmio Nobel de Literatura em 1906.