Mostrando postagens com marcador Ricardo Vieira Lima. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ricardo Vieira Lima. Mostrar todas as postagens

sábado, 8 de outubro de 2022

Ricardo Vieira Lima: Indagações de hoje

 
____________________
Quem matou Hipátia de Alexandria?
Quem matou Joana d’Arc?
Quem matou Ana Bolena?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Mima Renard?
Quem matou Dandara dos Palmares?
Quem matou Tereza de Banguela?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Ursulina de Jesus?
Quem matou Joana Angélica?
Quem matou Rosa Luxemburgo?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Olga Benário?
Quem matou Maria Bonita?
Quem matou Dália Negra?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Aída Curi?
Quem matou as Irmãs Mirabal?
Quem matou Danna de Teffé?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Iara Iavelberg?
Quem matou Maria Lúcia Petit?
Quem matou Sônia Angel Jones?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Zuzu Angel?
Quem matou Araceli Crespo?
Quem matou Ana Lídia Braga?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Ângela Diniz?
Quem matou Cláudia Lessin Rodrigues?
Quem matou Ana Rosa Kucinski?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Dinalva Oliveira Teixeira?
Quem matou Lyda Monteiro da Silva?
Quem matou Solange Lourenço Gomes?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Margarida Maria Alves?
Quem matou Mônica Granuzzo?
Quem matou Daniela Perez?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Irmã Dorothy?
Quem matou Benazir Bhutto?
Quem matou Isabella Nardoni?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Eliza Samudio?
Quem matou Patrícia Acioli?
Quem matou Jandyra dos Santos Cruz?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem matou Luana Barbosa dos Reis?
Quem matou Dandara Kettley?
Quem matou Sabrina Bittencourt?
Quem mandou matar Marielle Franco?

Quem mandou matar Marielle Franco?
Quem mandou matar Marielle Franco?
Quem mandou matar Marielle Franco?
Quem mandou matar Marielle Franco?

(14 de março de 2019)

____________________
Revolta e protesto na poesia brasileira — 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Ricardo Vieira Lima, nascido em 1969, de Niterói RJ, fez mestrado pela UERJ Universidade Estadual do Rio de Janeiro e doutorado pela UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro, ambas em Literatura Brasileira, é poeta, crítico literário, ensaísta, jornalista, advogado, antologista, editor-assistente da revista Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea — UFRJ e um dos coordenadores do Sarau do Museu, evento literário mensal e virtual pelo Museu da Justiça do TJRJ; tem publicado resenhas, ensaios, entrevistas e poemas em vários jornais e revistas brasileiros e estrangeiros; tem poemas traduzidos e divulgados nos Estados Unidos e na Itália; obras: Aríete (poemas escolhidos, 2021) e participação em diversas antologias.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

José Almino: Porque os corpos se entendem mas as almas não


____________________
Mas como
se eu claramente pressentia
o simples anúncio
de um sorriso
no seu rosto?
E, juntos,
não fomos generosos
com o passado
com os amigos
com os mortos
enquanto o brilho do amor
se insinuava
na alegria de cada gesto
novo?

Agora,
no meio dessa tarde,
onde nem a morte ronda a minha vida,
me diga, não foi verdade?
Maneira de dizer (1991)


____________________
Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo — SP; José Almino de Alencar e Silva Neto, pernambucano de Recife, nascido em 1946, é sociólogo, pesquisador, escritor, tradutor e poeta; traduziu uma dezena de peças para o teatro, entre as quais textos de Molière, Patrick Marbe, Edward Albee e Athol Fujard, tendo recebido premiações; compôs, com Caetano Veloso,a música-tema da peça Lisbela e o prisioneiro; para o cinema, colaborou na adaptação de Bella Dona, dirigido por Fábio Barreto; obra poética: De viva voz (1982), Maneira de dizer (1991), A estrela fria (2010) ...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Victor Loureiro: Surpresa


Tenta não escrever
versos

Inverte ideias
põe-se avesso
ao assédio das palavras
quebra compassos
e rimas

Faz da forma: ritmo
Do abismo: imagem

Ao esquecer-se da beleza
o poeta dá de cara
com a poesia concreta
Literal (1997)
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo — SP; Victor Loureiro, nascido em 1958, fluminense de Paracambi, formado em Biologia, é poeta; publicou O Outro & o Outro (em parceria com Eucanaã Ferraz, 1984), Armazém do Absurdo (1987), Literal (1997) e Perímetro Humano (2010).

domingo, 8 de abril de 2012

Vera Lúcia de Oliveira: Pedido

o pai raivou me botou pra fora
só vim para pedir um quilo de arroz
um pouco de feijão não incomodo
não quero ver o menino
ele agora tem outra família outra casa
eu fico feliz que ele possa crescer
sem saber que eu sou a mãe dele
No coração da boca (2006)
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo  SP; Vera Lúcia de Oliveira, paulista de Cândido Mota, nascida em 1958, poeta, tradutora, ensaísta e professora, reside na Itália, onde ensina Literaturas Portuguesa e Brasileira na Universidade Salento, em Lecce; formada em Letras pela UNESP e em Línguas e Literaturas Estrangeiras pele Universitá degli Studi di Perugia, na Itália, onde também doutorou-se em Línguas e Literaturas Ibéricas e Ibero-americanas pela Universitá degli Studi di Palermo; é autora de numerosos trabalhos sobre poetas contemporâneos, publicados em revistas brasileiras, portuguesas e italianas; escreveu A Porta Range no Fim do Corredor (Scortecci, São Paulo  SP, 1983), Geografie d'Ombra (Fonèma, Veneza, 1989), Tempo de Doer / Tempo di Soffrire (Pellicani Editore, Roma, 1998), Poesia, Mito e Storia nel Modernismo Brasiliano (Guerra Edizione, Perugia, 2000), No Coração da Boca (2006), Entre as Junturas dos Ossos (2006) etc.; a autora recebeu diversas premiações literárias por seus escritos, e seus poemas têm sido traduzidos e divulgados em países como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Argentina, além da divulgação na Itália, onde vive, e no Brasil, sua terra de origem.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Janice Caiafa: Antologia dos Poetas Ocidentais


Lembras quando tu me lias
os pequenos livros de cores
poesia brasileira
poesia portuguesa e estrangeira
portuguesa não era estrangeira
eu nem sabia ler
pequena muito pequena
no balcão da portaria
altíssimo na minha lembrança
as pernas pendiam de cima
sapatinho de criança
te escutava atenta admirativa
de tanta coisa já escrita
eram histórias para mim só que em ritmo,
eu sentia que o poema
respirava e mais
me embalava a palavra
assim escandida e levemente
cantada. Sentia
enquanto tu lias
que havia sonâncias
pousos, rodopios
e a leitura me embalava
mas para ficar acordada
olhos abertos
ereta sentada
em grande curiosidade
que seria afinal a vida
onde se abrigava tanta
palavra? que belo
assunto, que leitora
sabida e boa
para a criança que escutava.
Que bonita mãe que bom ouvi-la
para a menina que não lia
e que viria então
um dia a fazer poemas.
Cinco Ventos (2001)
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo  SP; Janice Caiafa, nascida em 1958, no Rio de Janeiro, além de poeta, é doutora em Antropologia pela Universidade de Cornell (Estados Unidos), tradutora, pesquisadora e professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com diversos trabalhos publicados na área (Movimento Punk na cidade: a invasão dos bandos sub, Rio de Janeiro, 1985; Nosso Século XXI: notas sobre Arte, Técnica e Poderes, 2000; Jornadas Urbanas: exclusão, trabalho e subjetividade nas viagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro, 2002; Aventuras das cidades: ensaios e etnografias, 2007); participou nas traduções de Mille plateaux — de Gilles Deleuze e Félix Guattari , 1997, e Crônica dos índios Guayaki  de Pierre Clastres , 1995, e traduziu As Rosas  de Rainer Maria Rilke , 1996; Obra poética: Noite de Ela no céu, 1982; Neve Rubra, 1996; Fôlego, 1998; Cinco Ventos, 2001); Ouro, 2005; Exposições de antropologia, 2008 e Estúdio, 2009; tem também trabalhos em publicações digitais.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Alice Ruiz: Drumundana

 
____________________
E agora Maria?
o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem
foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora Maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria
não vá fazer besteira
cachorro que cheira
cada pé que acha
procurando quem o queira
Navalhanaliga (1980)

____________________
Roteiro da Poesia Brasileira  Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo SP; Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; Obra poética: Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984), Vice-versos (1988  Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008) e Dois em um (2008, Prêmio Jabuti), entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.

domingo, 25 de março de 2012

Hilma Ranauro: Entrega


Toma-me,
não requisites nada,
conquista apenas,
dobra-me,
induze-me
e me possui.

Descobre-me os caminhos
e exigências.

E terás tudo,
total entrega.

Eu,
úmida e aberta a ti,
em oferenda.

Crava-te no meu corpo,
encrusta-me no teu.

E jorra em mim.
Descompasso (1985)
____________________
Roteiro da Poesia Brasileir— Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo  SP; Hilma Ranauro, nascida em Mendes  Rio de Janeiro, em 1945, doutora em Letras Vernáculas pela Universidade  Federal do Rio de Janeiro, é professora da Universidade Federal Fluminense, membro da Academia Brasileira de Filologia, com inúmeros artigos, ensaios, resenhas críticas, textos — cultural e literário  em jornais e revistas especializadas;  na década de 80, teve intensa participação na chamada imprensa alternativa, a "imprensa nanica"; a partir daí passa a publicar seus textos literários, principalmente poemas; Obra poética: Descompasso, 1985 e Um Murro no Espelho Baço, 1992; participou de Antologia da Nova Poesia Brasileira — Organização de Olga Savary, 1992 e A Poesia Fluminense no Século XX  Organização, Introdução e Notas de Assis Brasil, 1998.