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[traduzido por Augusto de Campos]
O sol que um sobressalto
Apruma para o alto
Em breve redescente
Incandescente
Por um momento a treva
Das vértebras se eleva
Em uníssono passo
Por todo o espaço
Para que esta cabeça
Solitária apareça
No voo singular
Da foice no ar
Em completa ruptura
Mais repele ou fratura
A desavença antiga
Que ao corpo a liga
Bêbada de jejum
Que persegue nalgum
Salto louco a vogar
Seu puro olhar
Lá no alto onde os cumes
Eternos têm ciúmes
De que possais vencê-los
Todos ó gelos
Mas levada ao abismo
Pelo mesmo batismo
Que elegeu minha sina
Grata se inclina.
III. Cantique de Saint Jean
Le soleil
que sa halte
Surnaturelle
exalte
Aussitôt
redescend
Incandescent
Je sens
comme aux vertèbres
S'éployer
des ténèbres
Toutes
dans un frisson
A
l'unisson
Et ma
tête surgie
Solitaire
vigie
Dans les
vols triomphaux
De cette
faux
Comme
rupture franche
Plutôt
refoule ou tranche
Les
anciens désaccords
Avec le
corps
Qu'elle
de jeûnes ivre
S'opiniâtre
à suivre
En
quelque bond hagard
Son pur
regard
Là-haut
où la froidure
Éternelle
n'endure
Que vous
le surpassiez
Tous ô
glaciers
Mais
selon un baptême
Illuminée
au même
Principe
qui m'élut
Penche un
salut.
(Hérodíade)
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Linguaviagem — Augusto de Campos: Ensaios,
Estudos [acerca] de seis poetas selecionados & poemas traduzidos, Breve introdução
e Tradução dos poemas [bilíngue], por Augusto de Campos, 1987, Companhia das Letras,
São Paulo — SP; Stéphane Mallarmé (1842 — 1898) ou Étienne
Mallarmé, francês nascido em Paris, fez seus primeiros estudos em um internato,
foi expulso, decidiu aprender Inglês, viajou para Londres, fez um ano de curso e,
de volta à França, foi aprovado e designado a lecionar inglês, iniciando sua carreira
vitalícia como professor, primeiro em escolas provinciais e depois em Paris; foi
poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário e de arte e, claro, professor de inglês;
de sua biografia, consta ter sido um dos primeiros simbolistas franceses e um dos
precursores da poesia concreta; seus poemas iniciais surgiram na década de 1860
e, assim como boa parte dos poetas de sua geração, ele também foi influenciado pela
poesia de Charles Baudelaire; à época, Mallarmé tornou-se figura central de um grupo
de escritores com os quais discutia poesia e arte, entre eles Paul Valéry, André
Gide e Marcel Proust; colaborou no jornal Le Parnasse Contemporain e publicou seus
textos poéticos e/ou ensaios nas revistas Artiste (revue l’Artiste, 1862), Renaissance
Artistique (1874), Independent Review (Revue indépendante,
1885 e 1888), Cosmopolis (1897); suas obras: escreveu Hérodiade (Herodíade, 1869),
L'Aprés midi d'um faune (A tarde de um fauno, 1876), Vers et Prose (antologia, 1892),
Divagations (coleção de ensaios, 1897), Un
coup de dés jamais n'abolira le hasard (Um Lance de Dados Jamais Abolirá o Acaso,
1897) e muitos outros textos; traduziu Edgard Allan Poe, W. C. Elphinstone Hope
e James Whistler; Stéphane Mallarmé também recriou, dirigiu e editou a revista Última
Moda (revue La Dernière Mode, 1874), a qual fora
criada “no verão de 1873”, por seu amigo e editor Charles Wendelen, só publicando-a
com gravuras e litografias; Mallarmé inovou-a e revitalizou-a com ensaios sobre
estética literária e, de início, fazendo uso dos pseudônimos Marguerite de Ponty,
Miss Satin, Zizy, Olympe la nègresse, Ix, Le Chef de bouche chez Brébant ..., resistiu
por 8 edições escrevendo sozinho sobre moda, culinária e educação de crianças.



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