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A José Carlos Lisboa
Fazer 70 anos não é simples.
A vida exige, para conseguirmos,
perdas e perdas do íntimo do ser,
como, em volta do ser, mil outras
perdas.
Fazer 70 anos é fazer
catálogo de esquecimentos e ruínas.
Viajar entre o já-foi e o não-será
É, sobretudo, fazer 70 anos,
alegria pojada de tristeza.
Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!
Nós o conseguimos...
E sorrimos
de uma vitória comprada por que preço?
Quem jamais o saberá?
À sombra dos 70 anos, dois mineiros
em silêncio se abraçam, conferindo
a estranha felicidade da velhice.
Amar se aprende amando — 1985
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Amar Se Aprende Amando,
poesia de convívio e de humor — Carlos Drummond de Andrade, 6ª edição, 1986,
Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Carlos
Drummond de Andrade (1902 — 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista,
viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso
e prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo;
suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940);
José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945);
Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952);
Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira,
crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo;
Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967);
Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970);
O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo
— Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso
de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar,
crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988);
Farewell (1996) e outros textos...