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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Julio Cezar de Moraes Carneiro: Agradecendo um livro

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Dante e Leopardi ambos receberam
Na alma imortal a chama da poesia,
Ambos em ‘strofes mágicas verteram
O estro da Arte, o gênio da Harmonia.

De um, entretanto, cedo feneceram
Versos amados, mas comente um dia,
O terceto que as musas aqueceram
Do outro perdura em brônzea melodia.

Porque, caro poeta? Ouve a sentença
De quem te ama e não te quer precito:
A razão é que o Dante em lira imensa

Acende a Fé  o fogo do Infinito,
E Leopardi, qual tu, canta a descrença
Mármore frio, sepulcral granito.

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Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Padre Julio Maria ou Julio Cezar de Moraes Carneiro (1850 —  1916), fluminense de Angra dos Reis, formado pela Faculdade Direito de São Paulo (hoje USP  Largo São Francisco), foi promotor, advogado e, depois, retirando-se para o Seminário de Mariana  MG, ordenou-se sacerdote; bibliografia: Pensamentos e reflexões (1882), Apóstrofes (1882), Questões políticas (1883), A igreja e o povo (1900), e outros textos de natureza religiosa.