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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Humberto de Campos: O irapuru

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Dizem que o irapuru *, quando desata
a voz  Orfeu do seringal tranquilo ,
o passaredo rápido a segui-lo,
em derredor agrupa-se na mata.

Quando o canto, veloz, muda em cascata,
tudo se queda, comovido, a ouvi-lo:
o canoro sabiá susta a sonata,
o canário sutil cessa o pipilo.

Eu próprio sei quanto esse canto é suave;
o que, porém, me faz cismar bem fundo
não é, por si, o alto poder dessa ave:

o que mais no fenômeno me espanta,
é ainda existir um pássaro no mundo
que se fique a escutar quando outro canta!... 



* Nota de Sergio Faraco: Ou uirapuru, tangará.
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Livro dos Poemas — uma antologia de poetas brasileiros e portugueses, Organização e Notas de Sergio Faraco, 2009, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Humberto de Campos Veras (1886 — 1934), maranhense de Miritiba, hoje Humberto de Campos, autodidata, foi jornalista, político, crítico, cronista, poeta, biógrafo e memorialista; foi colaborador e redator dos periódicos Folha do Norte e Província do Pará; transferindo-se para o Rio de Janeiro, trabalhou n’O Imparcial e no Correio da Manhã; bibliografia: Poeira (poesia, 2 séries, 1910 e 1917), Da seara de Booz (contos, 1918), Tonel de Diógenes (contos, 1921), Carvalhos e roseiras (crítica, 1923), Grãos de mostarda (contos, 1926), Poesias completas (1933), Sombras que sofrem (crônicas, 1935), Reminiscências, memórias (1935), Últimas crônicas (1936), Gansos do Capitólio (contos, 1943) e outros títulos.