Mostrando postagens com marcador Ridelina Ferreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ridelina Ferreira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 9 de abril de 2024

Ridelina Ferreira: Barcarola


____________________
Vemos bem longe, alma adorada,
Em nossa barca toda doirada,
Singrar as ondas em pleno mar.
Quero perder-me na espessa bruma,
E sobre as vagas de branca espuma
              Vogar... vogar...

Todos meus sonhos encantadores,
Meus risos ternos ou minhas dores,
Só conto às águas em pleno mar;
Leva-me, leva-me e bem distante,
Quero, ao balouço da barca errante,
              Sonhar... sonhar...

Quem expandir-te meu pensamento,
Tendo meus olhos no firmamento,
Ouvindo as vagas em pleno mar...
Passar as horas num devaneio.
E nesse mago divino enleio
              Amar... amar...

[0]4 — 12 — [18]99
[revista A Mensageira, de 15 de Janeiro de 1900,
Ano II, nº 36, São Paulo — SP
____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Ridelina Ferreira, pseudônimo de Camila Riedel (1867 ? ), natural do Rio Grande do Sul, foi professora, escritora e poeta; escreveu os contos 'Um episódio da roça' e 'O Tio Job' (ambos em 1899), e os poemas 'Escuta!' (1898), 'Nênia' e 'Barcarola' (ambos em 1899); consta que, em vida, suas obras aparentam ter sido publicadas apenas na revista A Mensageira; foi esposa do também poeta, jornalista repórter e editor do Diário de Campinas, Júlio Riedel (1867 1895), que cometeu suicídio; eis o obtido dos dados biográficos da poetisa e registrados em 2009 na obra Escritoras Brasileiras do Século XIX, organização de Zahidé Lupinacci Muzart, volume 3, páginas 1057, 1058 e 1082, Editora Mulheres, Florianópolis SC; faleceu no Rio de Janeiro.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Ridelina Ferreira: Nênia


____________________
Ho detto al cuore al mio povero cuore,
Perchè questo languor questo sconforto?
Ed egli mi ha risposto: è morto amore
Amore è morto.                    
STECCHETTI.

Na tumba do esquecimento
Onde jaz o nosso amor,
Costumo orar um memento
Para abrandar minha dor.

Uma noite triste e calma
Sepultaste-o com desdém;
E nem viste que a minh'alma
Tu sepultavas também.

É desde então meu fadário
É meu constante desvelo,
Visitar o santuário
De um sonho que foi tão belo.

Levo uma flor a saudade
Que emblema mais verdadeiro
Do pungir que então me invade.
Acharia o mundo inteiro?

E rezo, e imploro que um dia
Possas ouvir minha prece;
Que te comava a agonia
De um coração que languesce.

Que eu sinta ainda a sublime
Paixão, que tive um momento,
E sejas tu quem me anime
Neste extremo desalento.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Mas ah! meu corpo sem alma
Volta com os mesmos pesares!
Que a minha dor não se acalma
Nem mesmo nesses lugares.

Infeliz, não sei mais onde
Procurar algum conforto;
Pois que uma voz me responde:
— Não revive o amor que é morto.

Fazenda S. João da Barra,
4 de Agosto de 1899.
[revista A Mensageira, de 15 de Setembro de 1899,
Ano II, nº 32, São Paulo — SP]
____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Ridelina Ferreira, pseudônimo de Camila Riedel (1867 ? ), natural do Rio Grande do Sul, foi professora, escritora e poeta; escreveu os contos 'Um episódio da roça' e 'O Tio Job' (ambos em 1899), e os poemas 'Escuta!' (1898), 'Nênia' e 'Barcarola' (ambos em 1899); consta que, em vida, suas obras aparentam ter sido publicadas apenas na revista A Mensageira; foi esposa do também poeta, jornalista repórter e editor do Diário de Campinas, Júlio Riedel (1867 1895), que cometeu suicídio; eis o obtido dos dados biográficos da poetisa e registrados em 2009 na obra Escritoras Brasileiras do Século XIX, organização de Zahidé Lupinacci Muzart, volume 3, páginas 1057, 1058 e 1082, Editora Mulheres, Florianópolis SC; faleceu no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ridelina Ferreira: Escuta!

Resultado de imagem para A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira Volume I IMESP
____________________
(No álbum de Emma W. N. Paranaguá)

Vou de novo partir. Cortar os mares
E campinas extensas, verdejantes;
Vai meu ser em soluços lacrimantes,
Habitar novamente estranhos lares.

De minha sina atroz cruéis pesares
Obrigam-me a buscar terras distantes;
Não terei nem sequer por uns instantes
Verdadeira afeição nesses lugares.

Mas se a sorte de mim tiver piedade,
Um dia voltarei do meu degredo
A gozar teus carinhos de amizade...

Então, contigo à sombra do arvoredo,
Eu triste, que definho de saudade
Talvez que te confie o meu segredo!

Capital, 30 — 12  1898

(publicado em A Mensageira,
 Ano II,  número 29, de 15 de
 junho de 1899, São Paulo)
____________________
A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Ridelina Ferreira, pseudônimo de Camila Riedel (1867  ?  ), natural do Rio Grande do Sul, foi escritora e professora; escreveu os contos 'Um episódio da roça' e 'O Tio Job' (ambos em 1899), e os poemas 'Escuta!' (1898), 'Nênia' e 'Barcarola'(ambos em 1899); consta que suas obras aparentam ter, durante a vida, sido publicadas apenas na revista A Mensageira; foi esposa do também poeta, jornalista e editor Júlio Riedel (1867 1895), que cometeu suicídio; eis o que se tem de sua biografia registrada em 2009 na obra Escritoras Brasileiras do Século XIX, organização de Zahidé Lupinacci Muzart, volume 3, páginas 1057, 1058 e 1082, Editora Mulheres, Florianópolis  SC.