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domingo, 25 de outubro de 2020

Álvaro Armando: Ser genro

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Ser genro* é arrebentar fibra por fibra
o Tesouro. Ser genro é ter o alheio
bolso do sogro como um farto seio
onde ouro, aos borbotões palpita e vibra.

Ser genro é ser morcego que se libra
sobre o Estado dormindo. É ser anseio.
Construir quitandinhas sem receio,
pensando que a roleta se equilibra!

É bem do genro o bem que o sogro goza,
é a própria vida noutra retratada,
luz que lhe faz os dias cor-de-rosa.

Ser genro é andar gozando num sorriso.
Fazer por Niterói menos que nada,
ser genro é enriquecer num paraíso!...

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Helena Ferraz, em evento na
ABI 
(na foto, a única mulher)

Notas de Idel Becker (organizador de Humor e Humorismo – Poesias e Versos e Paródias...) e deste Verso e Conversa: O organizador Idel Becker anota na edição que o tal genro parodiado foi Ernani do Amaral Peixoto, genro de Getúlio Vargas; já, para efeito de comparação, este atrevido aprendiz de blogueiro transcreve o soneto que deu origem à paródia: Ser mãe: Ser mãe é desdobrar fibra por fibra / o coração! Ser mãe é ter no alheio / lábio que suga, o pedestal do seio, / onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. // Ser mãe é ser um anjo que se libra / sobre um berço dormindo!  É ser anseio, / é ser temeridade, é ser receio, / é ser força que os males equilibra! // Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, / espelho em que se mira afortunada, / Luz que lhe põe nos olhos novo brilho! // Ser mãe é andar chorando num sorriso! / Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! / Ser mãe é padecer num paraíso!  (Coelho Neto).
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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906  1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Álvaro Armando: Adelmar Tavares

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A. T.

(ad imortalitatem)

Modesto, a vida no Jornal Pequeno
Começou em Recife. E passo a passo,
Foi na Imprensa ocupando mais espaço,
Na arte do verso a conquistar terreno.

A Fortuna tomou-o em meigo aceno,
Ao alto conduzindo-o pelo braço.
Juiz, em suas sentenças vê-se o traço
Do defensor da lei, justo e sereno.

Adelmar Tavares

Em “rimas” e “autos” vive o Juiz imerso.
Poeta, lê dos processos frente e “verso”,
Com a justeza do metro “pronuncia”

E magistrado na curul augusta,
Dá a poesia expressão humana e justa
E faz justiça como faz poesia.

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Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).

domingo, 15 de setembro de 2019

Álvaro Armando: Carmen Miranda

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C. M.

Pôs o Samba dos pés subindo à boca.
Gingou. Quebrou. Mexeu. Sambou. Cantou.
E a gente séria foi ficando louca
Quando a Baiana o Rio conquistou.

Abafar o Brasil é coisa pouca.
E os Estados Unidos “abafou”.
A “atômica”, a seu lado, nem espouca!
Tem mesmo candomblé, de pai Xangô.

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Carmen Miranda

Hoje é bamba mundial. Pra lá de rica.
Vira as mãos, mexe os olhos e os quadris,
Só sabendo contar dólar, aos mil.

E, se inda há gente má que a classifica
Do Samba do brasil em baixa... atriz,
É Embaixatriz do samba do Brasil.

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Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Álvaro Armando: Bastos Tigre

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B. T.

Com relógio no prego e cerveja no lombo,
Vivendo na boemia, explosivo por vezes,
Ao redor de Bilac e Emilio de Menezes,
Inflamava a Pascoal, punha fogo à Colombo.

Hoje, que o arranha-céu na poesia dá o tombo,
Sem lusos bigodões nem vinhos portugueses,
É um tipo bonachão, tem hábitos burgueses,
Com relógio no pulso e trabalho no lombo.

Bastos Tigre

Mas aos versos fiel, desse mal não se cura.
A inspiração mordaz, cheia de humor, vadia,
Guarda sob a expressão burocrática e sonsa.

E indago: os seus irmãos pela literatura
Que lhe negam entrada à “sábia” Academia.
São amigos do Tigre ou amigos da... onça?

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Helena Ferraz, em evento na ABI
(na foto, a única mulher)
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Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando, Caricaturas de Théo e Apresentação-prefácio de Gondin da Fonseca, 1947, Editora Civilização Brasileira S. A., Rio de Janeiro — RJ; Álvaro Armando, pseudônimo de Helena Ferraz de Abreu (1906 1979), natural do Rio de Janeiro, foi escritora e jornalista; nascida Helena Marília Bastos Tigre (filha do poeta Bastos Tigre, a quem só veio a conhecer quando mocinha, proibida que fora por seus ‘dela’ familiares), já aos oito anos escrevia crônicas e poesias para o jornal manuscrito O Potoka; depois, criou o Correio Universal (suplemento semanal que circulava em dezenas de jornais espalhados pelo país), colaborou nos jornais Correio da Manhã (foi responsável pela coluna 'Pingos e Respingos'), O Jornal, dos Diários Associados, (escreveu a coluna ‘Janela Indiscreta’), O Globo (colunas diárias em ‘Humorglobinas’ e ‘Na Boca do Globo’), dirigiu A Cigarra Feminina (suplemento de A Cigarra), além de ter trabalhado em revistas de grande circulação nacional, como Careta e Manchete; Helena Ferraz também exerceu atividades em publicidade e em programas radiofônicos e televisivos (Rádio MEC, Rádio Globo e TV Tupi); satirizou figuras públicas da época; foi eleita a primeira mulher diretora na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e, até o fim da vida, dirigiu a Biblioteca Bastos Tigre; teria sido o uso do pseudônimo masculino, Álvaro Armando, que a pusera tão à vontade no exercício da poesia satírica, o que tornara possível uma extensa carreira em jornais de grande circulação e destaque no Brasil da época; bibliografia: Na Berlinda — Versos de Álvaro Armando (ilustrações de Théo, 1947).