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Nós ficaremos, como os menestréis
da rua,
Uns infames reais, mendigos por
incúria,
Agoureiros da Treva, adivinhos da
Lua,
Desferindo ao luar cantigas de
penúria?
Nossa cantiga irá conduzir-nos à
tua
Maldição, ó Roland?… E, mortos pela
injúria,
Mortos, bem mortos, e mudos, a
fronte nua,
Dormiremos ouvindo uma estranha
lamúria?
Seja. Os grandes um dia hão de cair
de bruço…
Hão de os grandes rolar dos
palácios infectos!
E gloria à fome dos vermes
concupiscentes!
Embora, nós também, nós, num rouco
soluço,
Corda a corda, o violão dos nervos
inquietos
Partamos! inquietando as estrelas
dormentes!
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Os Sonetos — Antologia: diversas autorias,
Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982,
Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S. A., L. R. Editores Ltda., São Paulo
— SP; Emiliano David Perneta (1866 — 1921), paranaense nascido “em um sítio” na
região de Pinhais, à época zona rural de Curitiba [hoje município de Pinhais — PR],
formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (USP, Largo São Francisco), foi poeta,
professor de português, jornalista e advogado; teve seus poemas divulgados em revistas
e jornais da época, estreando em 1883 com publicação no periódico curitibano O Dilúculo;
em 1887, já em São Paulo, fundou A Vida Semanária, da qual foi redator, depois foi
coproprietário de A Quinzena Paulista: letras e artes (hoje, periódicos considerados
raros, encontrados na Biblioteca Nacional) e, na companhia de outros intelectuais
fundou a Folha Literária; em 1888 publicou seu primeiro livro, Músicas; após formar-se
trabalhou como jornalista nos periódicos Cidade do Rio e Novidades, ambos no Rio
de Janeiro, por um breve período exerceu o ofício de promotor de justiça em Minas
Gerais, depois, de retorno a Curitiba, passou a lecionar, trabalhou como auditor
do Exército, fundou a revista literária Victrix; integrando-se nos círculos boêmios
da capital do estado, difundiu a leitura de autores franceses, Baudelaire entre
os quais, e com isso impulsionou o movimento simbolista, ele próprio sendo considerado
e reconhecido como “o maior expoente do simbolismo no Paraná”; suas obras: Músicas
(1888), Carta à Condessa d’Eu (1889), O Inimigo (prosa dramática, 1889), Alegoria
(prosa dramática, 1903), Ilusão (poemas, 1911), Pena de Talião (poema dramático,
1914), Setembro (póstumo, poemas, 1934); produziu libretos operísticos: Papilio
Innocentia (ópera, baseada no romance Inocência, de Visconde de Taunay (1911) e
A Vovozinha (ópera infantil, 1914); como jornalista, o poeta também colaborou no
Diário Popular, na Gazeta de São Paulo e em mais periódicos; Emiliano Perneta foi
um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná (“núcleo da atual Academia Paranaense
de Letras”), do qual tornou-se presidente de 1913 a 1918.