No pranto da criança não diviso
Mágoa nenhuma, é tudo luz e encanto;Tem, nuns restos de céu e paraíso,
Toda a alegria matinal de um canto.
Mas, de um velho, num rápido sorriso,
Mágoas profundas eu percebo entanto!
No pranto da criança há quase riso,
No sorriso do velho há quase pranto!...
Ri-se o velho, é um pôr de sol que chora;
Chora a criança, é como se uma aurora
Num chuveiro de pérolas se abrisse;
E tem muito mais luz, mais esperança,
A lágrima nos olhos da criança
Que o sorriso nos lábios da velhice!...
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Alfredo Eugênio de Paula Assiz, paulista nascido em 1889, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP — Largo São Francisco), foi delegado de polícia e poeta; escreveu e publicou Chama Extinta.