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terça-feira, 9 de março de 2021

Josefina Plá: Os rostos

 
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[traduzido por Jorge Aguadé]

Um por um teus rostos de mulher foste jogando
no poço sem milagre do escondido espelho
Tuas mãos faziam crônica de lençóis e de berços
enquanto tuas andorinhas morriam na neve

Em frente desse espelho eu fiz a tremenda promessa
Não ser a serva humilde da terrível lâmpada
o ventre em que esgota sua náusea a Forma
os rostos desfolhados na névoa um a um

Eu não teria teu rosto do último vestido
de festa desfazendo-se na noite do baú
Teu rosto de domingo sem música nem flores
O das noites sem sono do sol sempre nas costas

. . . Teu último rosto mãe desfez-se há muito tempo
o rosto que nenhum espelho conheceu
Eu regressei ao umbral que deixar atrás quis.

E ante a tua lembrança e frente ao mesmo espelho
eu ponho esses rostos que tu foste deixando

Josefina Plá

Los rostros

uno a uno tus rostros de mujer fuiste echando
en el pozo sin milagro del escondido espejo
Tus manos hacían crónica de sábanas y cunas
mientras tus golondrinas morían en la nieve

Frente a ese espejo yo hice la tremenda promesa
No ser la sierva humilde de la terrible lámpara
el vientre donde agota su náusea la Forma
los rostros deshojados en la niebla, uno a uno

Yo no tendría tu rostro del último vestido
de fiesta apolillándose en la noche del arca
Tu rostro de domingo sin música ni flores
De las noches sin sueño del sol siempre a la espalda

. . . Tu último rostro madre se deshizo hace tiempo
el rostro que ningún espejo ha conocido
Yo regresé al umbral que dejar atrás quise

Y frente a tu recuerdo y frente al mismo espejo
yo me pongo los rostros que tú fuiste dejando

1978

(Tiempo y tiniebla — 1982)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; María Josefina Plá Guerra Galvany (1909 1999), nascida nas Ilhas Canárias, colônia espanhola, viveu a maior parte de sua infância e adolescência em diversas cidades da Espanha, tendo recebido sua educação formal, primária e secundária, em Valência, foi pintora, crítica de arte, jornalista, dramaturga e poetisa; em 1927, casada com o artista plástico paraguaio Julián de la Herrería, muda-se para o Paraguai e, além de auxiliar Julián nas artes, passa também a realizar seus próprios trabalhos, voltando-se para a poesia, que exercitava desde os seis anos de idade, atuando também na pintura, artes dramáticas e crítica; bibliografia: El precio de los sueños (1934), La raíz y la aurora (1960), Rostros en el agua (1963), Invención de la muerte (1964), Satélites oscuros (1965), El polvo enamorado (1968), Desnudo día (1969), Follaje del tiempo (1981), Tiempo y tiniebla (1982), Cambiar sueños por sombras (1984) e La llama y la arena (1987); recebeu premiações por sua obra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Josefina Plá: Eu toda sou tua obra

 
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[traduzido por Jorge Aguadé]

Eu toda sou tua obra dolorosa.
De teus olhos e voz sou criação.
Se teu olhar me fez tão misteriosa,
teu acento ritmou meu coração.

Lânguida sou, pois para mim te inclinas
e estou sedenta só da tua sede.
A ânsia que nos meus olhos adivinhas
do teu total ardor é bem o invés!

Dolorosa obra tua enfeitiçada,
por teus olhos e tua voz fui criada
nessa eterna medida do amor.

Do anelo calcinada estátua sou.
Pálida contra o céu, eu hoje estou
muito além da esperança e do temor!

Josefina Plá

Toda yo soy tu obra

Toda yo soy tu obra dolorosa.
Me hiciste con tus ojos y tu voz.
Si tu mirada me hizo misteriosa,
tu acento ritmo fue en mi corazón.

Lánguida soy, porque hacia mí te inclinas,
y estoy sedienta sólo com tu sed.
¡Ansiedad que en mis ojos adivinas,
de tu total ardor es el envés!

Soy tu obra dolorosa y hechizada.
Me hiciste con tu voz y tu mirada
a la eterna medida del amor.

Estatua calcinada de tu anhelo
¡hoy me recorto, pálida, en el cielo,
fuera de la esperanza y el temor!

1930

(El precio de los sueños — 1934)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; María Josefina Plá Guerra Galvany (1909 1999), nascida nas Ilhas Canárias, colônia espanhola, viveu a maior parte de sua infância e adolescência em diversas cidades da Espanha, tendo recebido sua educação formal, primária e secundária, em Valência, foi pintora, crítica de arte, jornalista, dramaturga e poetisa; em 1927, casada com o artista plástico paraguaio Julián de la Herrería, muda-se para o Paraguai e, além de auxiliar Julián nas artes, passa também a realizar seus próprios trabalhos, voltando-se para a poesia, que exercitava desde os seis anos de idade, atuando também na pintura, artes dramáticas e crítica; obras: El precio de los sueños (1934), La raíz y la aurora (1960), Rostros en el agua (1963), Invención de la muerte (1964), Satélites oscuros (1965), El polvo enamorado (1968), Desnudo día (1969), Follaje del tiempo (1981), Tiempo y tiniebla (1982), Cambiar sueños por sombras (1984) e La llama y la arena (1987); recebeu premiações por sua obra.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Josefina Plá: Litania dos outros

 
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[traduzido por Jorge Aguadé]

“Já é passado aquele amor urgente”...
E o amor doravante é só o dos outros
O rio que lavou meu rosto jovem
lava ainda rostos jovens que são outros.

Minha rua de infância não passou
mas ela transformou-se em rua dos outros
e floresce o jasmim do velho pátio
mas são estrelas no cabelo dos outros

Foi-se o tempo de fazer um tempo novo
e agora o tempo novo é o dos outros
a esperança partiu para bem longe

seu júbilo levando até os outros
Passada é a canção Passado o sonho
Deste lado pertence tudo aos outros.

Josefina Plá

Letanía de los otros

"Pasado es aquel amor urgente"...
Y el amor sólo es hoy el de los otros
El río que lavó mi rostro joven
jóvenes rostros lava que son otros.

No ha pasado la calle de mi infância
pero ella es la calle de los otros
Aún florece el jazmín del viejo patio
pero es estrella en el cabello de otros

Pasó el tiempo de hacer un tiempo nuevo
y ahora el tiempo nuevo es de los otros
Ya la esperanza se quedó allá lejos

para llevar su júbilo a los otros
Pasada es la canción Pasado el sueño
Todo a este lado pertenece a otros

1980

(Tiempo y tiniebla — 1982)
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Transverso — coletânea de poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp, Campinas — SP; María Josefina Plá Guerra Galvany (1909 1999), nascida nas Ilhas Canárias, colônia espanhola, viveu a maior parte de sua infância e adolescência em diversas cidades da Espanha, tendo recebido sua educação formal, primária e secundária, em Valência, foi pintora, crítica de arte, jornalista, dramaturga e poetisa; em 1927, casada com o artista plástico paraguaio Julián de la Herrería, muda-se para o Paraguai e, além de auxiliar Julián nas artes, passa também a realizar seus próprios trabalhos, voltando-se para a poesia, que exercitava desde os seis anos de idade, atuando também na pintura, artes dramáticas e crítica; bibliografia: El precio de los sueños (1934), La raíz y la aurora (1960), Rostros en el agua (1963), Invención de la muerte (1964), Satélites oscuros (1965), El polvo enamorado (1968), Desnudo día (1969), Follaje del tiempo (1981), Tiempo y tiniebla (1982), Cambiar sueños por sombras (1984) e La llama y la arena (1987); recebeu premiações por sua obra.