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[traduzido por Jorge Aguadé]
Um por um teus rostos de mulher foste jogando
no poço sem milagre do escondido espelho
Tuas mãos faziam crônica de lençóis e de berços
enquanto tuas andorinhas morriam na neve
Em frente desse espelho eu fiz a tremenda promessa
Não ser a serva humilde da terrível lâmpada
o ventre em que esgota sua náusea a Forma
os rostos desfolhados na névoa um a um
Eu não teria teu rosto do último vestido
de festa desfazendo-se na noite do baú
Teu rosto de domingo sem música nem flores
O das noites sem sono do sol sempre nas costas
. . . Teu último rosto mãe desfez-se há muito tempo
o rosto que nenhum espelho conheceu
Eu regressei ao umbral que deixar atrás quis.
E ante a tua lembrança e frente ao mesmo espelho
eu ponho esses rostos que tu foste deixando
Los rostros
uno a uno tus rostros de mujer fuiste echando
en el pozo sin milagro del escondido espejo
Tus manos hacían crónica de sábanas y cunas
mientras tus golondrinas morían en la nieve
Frente a ese espejo yo hice la tremenda promesa
No ser la sierva humilde de la terrible lámpara
el vientre donde agota su náusea la Forma
los rostros deshojados en la niebla, uno a uno
Yo no tendría tu rostro del último vestido
de fiesta apolillándose en la noche del arca
Tu rostro de domingo sin música ni flores
De las noches sin sueño del sol siempre a la espalda
. . . Tu último rostro madre se deshizo hace tiempo
el rostro que ningún espejo ha conocido
Yo regresé al umbral que dejar atrás quise
Y frente a tu recuerdo y frente al mismo espejo
yo me pongo los rostros que tú fuiste dejando
1978
(Tiempo y tiniebla — 1982)
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Transverso — coletânea de
poemas traduzidos (onze poetas e dez tradutores), Organização, Nota liminar e
Posfácio de José Paulo Paes e notas dos diversos tradutores, Editora Unicamp,
Campinas — SP; María Josefina Plá Guerra Galvany (1909 — 1999), nascida nas
Ilhas Canárias, colônia espanhola, viveu a maior parte de sua infância e
adolescência em diversas cidades da Espanha, tendo recebido sua educação
formal, primária e secundária, em Valência, foi pintora, crítica de arte,
jornalista, dramaturga e poetisa; em 1927, casada com o artista plástico
paraguaio Julián de la Herrería, muda-se para o Paraguai e, além de auxiliar
Julián nas artes, passa também a realizar seus próprios trabalhos, voltando-se
para a poesia, que exercitava desde os seis anos de idade, atuando também na
pintura, artes dramáticas e crítica; bibliografia: El precio de los sueños
(1934), La raíz y la aurora (1960), Rostros en el agua (1963), Invención de la
muerte (1964), Satélites oscuros (1965), El polvo enamorado (1968), Desnudo día
(1969), Follaje del tiempo (1981), Tiempo y tiniebla (1982), Cambiar sueños por
sombras (1984) e La llama y la arena (1987); recebeu premiações por sua obra.





