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[traduzido por Almeida Faria]
não leias odes, meu filho, lê os horários;
são mais exatos. desenrola os mapas náuticos,
antes que seja tarde. sê vigilante, não cantes.
o dia virá, em que eles de novo pregarão listas
no portão e marcarão aos que dizem não a sigla
no peito. aprende a passar despercebido, aprende mais que eu:
mudar de bairro, de passaporte, de cara.
torna-te hábil na pequena traição,
na diária suja salvação. úteis
são as encíclicas para acender o lume,
os manifestos: embrulhar manteiga e sal
para os indefesos. raiva e paciência são necessárias,
o fino pó mortal, moído
por aqueles que aprenderam muito,
que são exatos, por ti.
(defesa dos lobos)
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| Hans Magnus Enzensberger |
ins
lesebuch für die oberstufe
lies keine oden, mein sohn,
lies die fahrpläne:
sie sind genauer. roll die seekarten auf,
eh es zu spät ist. sei wachsam, sing nicht.
der tag kommt, wo sie wieder listen ans tor
schlagen und malen den neinsagern auf die brust
zinken. lern unerkannt gehn, lern mehr als ich:
das viertel wechseln, den pass, das gesicht.
versteh dich auf den kleinen verrat,
die tägliche schmutzige rettung. nützlich
sind die enzykliken zum feueranzünden,
die manifeste: butter einzuwickeln und salz
für die wehrlosen. wut und geduld sind nötig,
in die lungen der macht zu blasen
den feinen tödlichen staub, gemahlen
von denen, die viel gelernt haben,
die genau sind, von dir.
(verteidigung der wölfe)
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Hans Magnus Enzensberger — Poemas Políticos, edição bilíngue, Tradução e
Nota Bibliográfica de Almeida Faria, 1975, Publicações Dom Quixote, Lisboa — Portugal; Hans
Magnus Enzensberger, nascido em 1929, alemão de Kaufbeuren,
Baviera, estudou literatura (com doutorado) e filosofia nas universidades
de Erlangen, Freiburg, Hamburgo, além da Sorbonne, em Paris, é poeta, ensaísta,
tradutor, escritor e editor; foi redator na rádio Süddeutscher Rundfunk,
em Stuttgart e docente para Arte Poética na Universidade de Frankfurt; criou a
revista Kursbuch e editou a série literária Die andere
Bibliothek; bibliografia: Verteidingung der Wölfe (Defendendo os Lobos,
poemas, 1957), Landessprache (Fala Nacional, poesia, 1960), Allerleirauh (poemas, 1961), Gedichte, wie entsteht ein Gedicht (1962), Blindenschrift (Braille — escrita para cegos,
poesia, 1964), Deutschland, Deutschland unter anderm (Alemanha,
Alemanha, entre outros, ensaio, 1967), Der kurze Sommer der Anarchie:
Buenaventura Durrutis Leben und Tod (O curto verão da anarquia: Buenaventura Durrutis vida e morte, prosa, 1972), Palaver (Bajulação,
ensaio, 1974), Mausoleum (Mausoléu, poemas, 1975), Der Untergang der
Titanic (O naufrágio do Titanic, poema épico, 1978), Die Furie des
Verschwindens (A fúria do sumiço, poesias, 1980), Zukunftsmusik (Futuro
Música, poesia, 1991) Die Tochter der Luft (A filha do ar, ficção, 1992) e outros títulos; em seus escritos também faz uso dos pseudônimos
Linda Quitt, Andreas Yhalmayr, Elisabeth Ambras e Serenus M. Brezengang;
recebeu premiações por sua obra.




