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[traduzido por Ivo Barroso]
Ó vida, não te peço
lineamentos
fixos, vultos plausíveis ou
possessos.
Sinto que no teu giro inquieto
o mesmo
sabor que tem o mel tem o
absinto.
O coração propenso todo ao vil
raro se afeta com
pressentimentos.
Tal como soa às vezes no
silêncio
do descampado um tiro de
fuzil.
Mia vita, a te non chiedo
lineamenti
fissi, volti plausibili o possessi.
Nel tuo giro inquieto ormai lo stesso
sapore han miele e assenzio.
Il cuore che ogni moto tiene a
vile
raro è squassato da trasalimenti.
Così suona talvolta nel silenzio
della campagna un colpo di fucile.
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O Torso e o Gato — O Melhor da
Poesia Universal, Tradução e Organização de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss,
1991, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Eugenio Montale (1896 — 1981), italiano
genovês, interrompeu seus estudos em 1915 para servir na Primeira Guerra Mundial,
foi poeta, escritor, jornalista e tradutor; colaborou na seção literária do Corriere
dela Sera; verteu para o italiano obras de Shakespeare, T. S. Eliot, Eugene O’Neil,
Herman Melville e outros; obras: Ossi di seppia (Ossos de Sépia, coletânea
de poemas, 1925), Poesie (1938), Le occasioni (As Ocasiões, 1939), Finisterre —
versi del 1940—42 (1943), Farfalla di Dinard (1956), Satura 1962—1970 (1971) e outros
títulos; o escritor afastou-se das atividades públicas após ter-se recusado a aderir
ao Partido Fascista; recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1975.









