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[traduzido por Guilherme
Gontijo Flores]
Dos punhos, branco
pela verdade liberta
do verbimuro a marteladas,
floresce-te um novo cérebro.
Belas, e nada pode velá-las,
ele as lança, as
sombras do pensar.
Ali, inalienáveis,
dobram-se, ainda hoje,
doze montes, doze festas.
Quem também tem teu olho-
estrela a errática melancolia
bem sabe.
Aus
Fäusten . . .
Aus Fäusten, weiß
von der aus der Wortwand
freigehämmerten Wahrheit,
erblüht dir ein neues Gehirn.
Schön, durch nichts zu
verschleiern,
wirft es sie, die
Gedankenschatten.
Darin, unverrückbar,
falten sich, heur noch,
zwölf Berge, zwölf Stirnen.
Die auch von dir her stern-
äugige Streunerin Schwermut
erfährts.
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Ar-Reverso: Paul Celan, edição bilíngue, Tradução e Apresentação de
Guilherme Gontijo Flores, 2021, 1ª edição, Editora 34, São Paulo — SP; Paul
Pessakh Antschel ou Paul Celan (1920 — 1970), nascido em Czernowitz (Bukowina —
Romênia, hoje Ucrânia), fez seus estudos pré-universitários em sua cidade
natal, foi poeta, tradutor, ensaísta e professor-leitor de alemão na Ècole
Normale Supérieure, em Paris; em 1938 iniciou a faculdade de Medicina em Tours —
França, um ano depois deu início à faculdade de Romanística, em Czernowitz, em
1941, 2ª Guerra em andamento, a região é ocupada por tropas alemãs nazistas e
romenas; Celan é encaminhado a um campo de trabalhos forçados, seus pais
morreram num campo de concentração; com o fim da guerra, Celan trabalhou em
Bucareste como assistente editorial e tradutor — traduziu obras de Tchecov e
Lemontov, de Arthur Rimbaud e Paul Valéry, de Óssip Mandelstam e Aleksandr
Blok, de William Shakespeare e Emily Dickinson, de Fernando Pessoa e muitos
outros; em Paris desde 1947, estudou Germanística e Linguística; o poeta
conhecia o iídiche e foi fluente em francês, russo e ucraniano, entre outros
idiomas; obra poética: Der sand aus den Urnen (A areia das urnas, 1948), Mohn
und Gedächtnis (Ópio e Memória, 1952), Von Schwelle zu Schwelle (De limiar a
limiar, 1955), Sprachgitter (Prisão da palavra, 1959), Die Niemandsrose (A
Rosa-de-Ninguém, 1963), Atemwende (Ar-reverso, 1967), Fadensonnen (Fiossóis,
1968), Lichtzwang (Lucipressão, póstumo, 1970), Schneepart (Parte da neve,
póstumo, 1971), Zeitgehöft (Fazenda do tempo, póstumo, 1976); recebeu o Prêmio
Literário da Cidade de Bremen, 1958, e o Prêmio Georg Büchner de Darmstadt,
1960; Paul Celan, embora fosse de origem judaica, ter nascido na Romênia e
vivido décadas em Paris, sempre ‘se fez entender como “escritor alemão”’;
Celan, seu pseudônimo literário, se origina da transformação anagramática do seu
nome romeno: Ancel; o poeta, que nos anos que antecederam sua morte viu-se com "tendências
autodestrutivas, mania de perseguição e surtos de amnésia", cometeu
suicídio se atirando no rio Sena, em abril de 1970.





