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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Nogueira Tapeti: Como Arvers também tenho um segredo na vida . . . [soneto]

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Como Arvers também tenho um segredo na vida,
Um segredo e uma angústia igual à que ele tinha,
E, apesar de trazê-la em minh’alma escondida,
Alguém há quem este mal misterioso adivinha.

A beleza imortal nos teus versos contida,
Teu “Alguém” lia, Arvers, sem saber donde vinha,
E o meu sabe demais, vive a ler, linha a linha,
Toda a história fatal de minh’alma incontida.

E certa, como está, que os meus versos são dela,
Que vem do seu olhar a rima que os constela,
Finge crer que os inspirou o amor de outra mulher.

Isto só para ungir-me em tristeza e amargura,
Conservando-me, assim, nesta horrível tortura,
Que é mil vezes maior que a tortura de Arvers.

Resultado de imagem para Benedito Francisco Nogueira Tapety
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O Soneto de Arvers — Mello Nóbrega, 1957, 2ª edição, Livraria São José, Rio de Janeiro — RJ;  Benedito Francisco Nogueira Tapety ou Nogueira Tapeti (1890 — 1918), piauiense de Oeiras, formado pela Faculdade de Direito de Recife, foi jornalista, promotor público, professor e poeta; colaborou nos periódicos Diário de Pernambuco, O Piauí, e O Diário e Diário da Madeira, ambos de  Belém  PA; lecionou Filosofia, Psicologia e Lógica no Liceu Piauiense, em Teresina  PI; obra: Pesadelo Atroz, Primaveril, A Teia de Penélope (todos, poemas).