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[traduzido por Renata Cordeiro]
Ó Volúpia, sem quem, e já na tenra idade,
O viver e o morrer nos seriam iguais;
Imã universal de todos animais,
Sabes mesmo atrair com impetuosidade!
Por ti fazemos as ações
Por tua causa e seduções
Corremos atrás do mau fado
Não há capitão ou soldado,
Ou ministro de Estado, ou príncipe, ou servente
Que não te tenham sempre em mente.
A nós cabe nutrir, se, da insônia nascido,
Um som gostoso não nos encantasse o ouvido,
Se não nos desse o som suave sensação.
Faríamos uma canção?
O que se chama glória em linguajar pomposo,
O que nos Jogos lá do Olimpo era precioso,
És propriamente tu, Volúpia divinal.
E não tem valimento o prazer sensual?
Por quê, então, os dons da Flora,
O sol-pôr, a risonha Aurora,
Pomona e os delicados pratos,
Baco, a alma dos ricos repastos,
Florestas, águas, pradarias,
Ó mãe das doces fantasias?
* Nota do aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: na busca deste poema pela internet, no idioma francês, em diversas páginas nas quais o poema foi localizado, há o registro de “Éloge de la Volupté” como sendo o seu título; registre-se também que além disso o poema contém outros dezoito versos além dos que aqui estão transcritos.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, edição bilíngue, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Jean de La Fontaine (1621 — 1695), nascido em Château-Thierry — França, foi poeta e fabulista; iniciou-se em teologia e direito mas não concluiu seus estudos, a literatura foi sempre a sua prioridade; considerado o pai da fábula moderna, entre 1664 e 1674 escreveu quase toda a sua obra, histórias e fábulas, nas quais os animais adquiriam feições humanas; são conhecidas, entre outras, as fábulas "A Lebre e a Tartaruga", "O Leão e o Rato" e a recontação de "A Cigarra e a Formiga", fábula atribuída a Esopo; ambientou-se nos meios literários em Paris, conhecendo e convivendo com escritores, poetas e dramaturgos, como Corneille, Madame de Sévigné, Boileau, Racine, Molière e Voltaire; escreveu Contos (1665), Os Amores de Psique e Cupido, Fábulas Escolhidas (coletânea dividida em seis partes, 1668, e a cada nova edição novas fábulas eram acrescentadas); pertenceu à Academia Francesa de Letras.
[traduzido por Renata Cordeiro]
Ó Volúpia, sem quem, e já na tenra idade,
O viver e o morrer nos seriam iguais;
Imã universal de todos animais,
Sabes mesmo atrair com impetuosidade!
Por ti fazemos as ações
Por tua causa e seduções
Corremos atrás do mau fado
Não há capitão ou soldado,
Ou ministro de Estado, ou príncipe, ou servente
Que não te tenham sempre em mente.
A nós cabe nutrir, se, da insônia nascido,
Um som gostoso não nos encantasse o ouvido,
Se não nos desse o som suave sensação.
Faríamos uma canção?
O que se chama glória em linguajar pomposo,
O que nos Jogos lá do Olimpo era precioso,
És propriamente tu, Volúpia divinal.
E não tem valimento o prazer sensual?
Por quê, então, os dons da Flora,
O sol-pôr, a risonha Aurora,
Pomona e os delicados pratos,
Baco, a alma dos ricos repastos,
Florestas, águas, pradarias,
Ó mãe das doces fantasias?
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| Jean De La Fontaine |
Invocation à la volupté *
Ô douce
Volupté, sans qui, dès notre enfance,
Le vivre et le mourir nous deviendraient égaux;
Aimant universel de tous les animaux,
Que tu sais attirer avecque violence!
Par toi tout se meut ici-bas.
C'est pour toi, c'est pour tes appâts,
Que nous courons après la peine:
Il n'est soldat, ni capitaine,
Ni ministre d'État, ni prince, ni sujet,
Qui ne t'ait pour unique objet.
Nous autres nourrissons, si pour fruit de nos veilles
Un bruit délicieux ne charmait nos oreilles,
Si nous ne nous sentions chatouillés de ce son,
Ferions-nous un mot de chanson?
Ce qu'on appelle gloire en termes magnifiques,
Ce qui servait de prix dans les jeux olympiques,
N'est que toi proprement, divine Volupté.
Et le plaisir des sens n'est-il de rien compté?
Pour quoi sont faits les dons de Flore,
Le Soleil couchant et l'Aurore,
Pomone et ses mets délicats,
Bacchus, l'âme des bons repas,
Les forêts, les eaux, les prairies,
Mères des douces rêveries?
* Nota do aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: na busca deste poema pela internet, no idioma francês, em diversas páginas nas quais o poema foi localizado, há o registro de “Éloge de la Volupté” como sendo o seu título; registre-se também que além disso o poema contém outros dezoito versos além dos que aqui estão transcritos.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, edição bilíngue, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Jean de La Fontaine (1621 — 1695), nascido em Château-Thierry — França, foi poeta e fabulista; iniciou-se em teologia e direito mas não concluiu seus estudos, a literatura foi sempre a sua prioridade; considerado o pai da fábula moderna, entre 1664 e 1674 escreveu quase toda a sua obra, histórias e fábulas, nas quais os animais adquiriam feições humanas; são conhecidas, entre outras, as fábulas "A Lebre e a Tartaruga", "O Leão e o Rato" e a recontação de "A Cigarra e a Formiga", fábula atribuída a Esopo; ambientou-se nos meios literários em Paris, conhecendo e convivendo com escritores, poetas e dramaturgos, como Corneille, Madame de Sévigné, Boileau, Racine, Molière e Voltaire; escreveu Contos (1665), Os Amores de Psique e Cupido, Fábulas Escolhidas (coletânea dividida em seis partes, 1668, e a cada nova edição novas fábulas eram acrescentadas); pertenceu à Academia Francesa de Letras.











