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Eu sorvo o haxixe do estio...
E evolve um cheiro, bestial,
Ao solo quente, como o cio
De um chacal.
Distensas, rebrilham sobre
Um verdor, flamâncias de asa...
Circula um vapor de cobre
Os montes — de cinza e brasa.
Sombras de voz hei no ouvido
— De amores ruivos, protervos —
E anda no céu, sacudido,
Um pó vibrante de nervos.
O mar faz medo... que espanca
A redondez sensual
Da praia, como uma anca
De animal.
. . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . .
Nem ondas de sangue... e sangue
Nem de uma nau — Morre a cisma.
Doiram-me as faces do prisma
Mulheres — flores — num mangue...
* Nota de Massaud Moisés: Apud Augusto de Campos, Re-visão
de Kilkerry. S. Paulo, Fundo Estadual de Cultura, 1970, pp. 94-5. Além de um longo
e elucidativo estudo da obra do poeta, o volume reúne toda a sua obra dispersa.
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História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Pedro Militão Kilkerry (1885 — 1917), baiano de Santo Antonio de Jesus, formado em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Bahia, foi advogado, jornalista e poeta simbolista; fez parte do grupo literário baiano 'Nova Cruzada', vindo a publicar seus poemas em revista homônima, órgão simbolista, e também em Os Anais, colaborando ainda com poemas e artigos em outros periódicos da capital baiana; não publicou nenhum livro em vida; sua obra — poemas e outros manuscritos, inclusive os mantidos oralmente por amigos e familiares —, foi recuperada, recolhida e publicada pelo poeta Augusto de Campos, no volume ReVisão de Kilkerry (1970), que o considera um dos precursores do modernismo no Brasil; graças a este trabalho de garimpagem poética de Campos, a poesia de Kilkerry vem sendo percebida como uma das grandes forças do simbolismo brasileiro.






