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[traduzido
por José Eduardo Degrazia]
Tira-me o pão, se queres.
Tira-me o ar, porém,
não me tires teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que debulhas,
nem a água que de súbito
estala em tua alegria,
a repentina onda
de prata que te nasce.
A luta é dura e volto
com os olhos cansados
às vezes por ter visto
a terra que não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu me buscando,
e abre para mim todas
as comportas da vida.
Amor meu, mesmo na hora
mais escura debulha
teu riso, e se tão logo
vês que meu sangue mancha
as pedras da avenida,
ri, porque teu riso
será nas minhas mãos
como uma espada úmida.
Junto do mar, no outono,
teu riso vai levantar
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que eu esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria que soa.
Quero que rias da noite,
rias do dia e da lua,
e rias das avenidas
retorcidas desta ilha,
podes rir deste rude
rapaz que muito te quer,
mas quando eu abro os olhos
para ir logo fechando,
quando meus passos vão,
quando meus passos voltam,
nega-me o pão, e o ar,
a luz, a primavera,
mas o teu riso nunca
porque assim morreria.
(As uvas e o vento — 1954)
Tu risa
Quítame el pan, si quieres.
Quítame el aire, pero
no me quites tu risa.
No me quites la rosa,
la lanza que desgranas,
el agua que de pronto
estalla en tu alegría,
la repentina ola
de plata que te nace
Mi lucha es dura y vuelvo
con los ojos cansados
a veces de haber visto
la tierra que no cambia,
pero al entrar tu risa
sube al cielo buscándome
y abre para mí todas
las puertas de la vida.
Amor mío, en la hora
más oscura desgrana
tu risa, y si de pronto
ves que mi sangre mancha
las piedras de la calle,
ríe, porque tu risa
será para mis manos
como una espada fresca.
Junto al mar en otoño,
tu risa debe alzar
su cascada de espuma,
y en primavera, amor,
quiero tu risa como
la flor que yo esperaba,
la flor azul, la rosa
de mi patria sonora.
Ríete de la noche,
del día, de la luna,
ríete de las calles
torcidas de la isla,
ríete de este torpe
muchacho que te quiere,
pero cuando yo abro
los ojos y los cierro,
cuando mis pasos van,
cuando vuelven mis pasos,
niégame el pan, el aire,
la luz, la primavera,
pero tu risa nunca
porque me moriría.
(Las uvas y el viento — 1954)
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Neruda para jovens — Antologia
poética, Edição bilíngüe, Organização de Isabel Córdova Rosas e Tradução de
José Eduardo Degrazia, 2010, José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ; Pablo Neruda
(1904 — 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral,
estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta;
aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña;
em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva
Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século
XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y uma canción
desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza
(novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor
(1953), Las uvas y el viento (1954), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959),
Cantos ceremoniales (1961), Las piedras de Chile (1961), La Barcarola (1967), Las
manos del dia (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida
(1970) Confieso que he vivido (1974) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio
Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel
de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma,
Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.





