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A casa
onde mora aquela
Menina cor
de açucena
É uma
casinha pequena,
Casa de
porta e janela.
Tão
pequenina e singela!
Ao vê-la,
a idéia me acena
De quebrar
o bico à pena
E fazer
uma aquarela! *
Pintar a
casa, a colina...
Mas,
sobretudo a menina,
O ar
descuidado e feliz,
Dando relevo
à pintura
Numa ridente
moldura
De cravos
e bogaris.
* Nota
da edição — Vocabulário: Aquarela — Pintura com tintas aguadas, e sem sobreposição de umas e
outras.
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Poesia Brasileira
para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de
Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista,
1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ricardo Mendes Gonçalves (1893 — 1916), paulista
e paulistano, formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP
— Largo São Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador
em São Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e
outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho, foi repórter
do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo do Povo, etc.; com suas idéias
socialistas e libertárias, participou ativamente dos movimentos operários de seu
tempo — teve envolvimento em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois,
em uma greve ferroviária, na qual foi ferido à bala no braço; é considerado o apresentante
dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth, que é hoje célebre nome desta
filosofia; o poeta e anarquista também assinou seus textos com os pseudônimos D.
Ricardito e Bruno de Cadiz; deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias, 1921), publicada
postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.