
Convulsões telúricas
Estesia
Fendas
Mário de Andrade escreve a Paulicéia
Nem o sismógrafo de Pachwitz mede
os tremores do teu coração
Ebulição
Sarcasmo
Ódio vulcânico
Tua piedade
Escreveste com um raio de sol
No Brasil
Aurora de arte século XX
Como na pintura Anna Malfatti que
pintou o teu retrato
Catodografia
Um momento de tua vida estampado no
teu livro
Roentgen
Raios X
Mas há todos os brilhos
Ar rarefeito de poesia
Quilômetros quadrados 9 milhões
Tubo de Crookes
Os raios catódicos de teu lirismo
colorem as materialidades incolores
Aquecimento
No tubo
Havia também uma cruz
Tua religião
Fluorescência
Não és futurista
Há nos teus poemas raios
ultravioletas
Torrentes de cores
Teu retrato
Teu livro
Porque o arco íris é seu pincel
E é tua pena também
(Klaxon nº 4, São Paulo, 15 ago. 1922,
p. 11)

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Klaxon —
Revistas do Modernismo 1922 — 1929 (edição
fac-similar), Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr. e Ensaio de
Gênese Andrade, 2014, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo, SP; Luís Aranha Pereira (1901 — 1987), paulista e paulistano,
estudou no Colégio dos Irmãos Maristas, formou-se pela Faculdade de Direito do
Largo São Francisco (atual USP), foi poeta e diplomata; pelas relações
familiares com Mário de Andrade, tomou contato com os modernistas, participou
da Semana de Arte Moderna de 1922 e colaborou regularmente com a revista
Klaxon, periódico dos modernistas; abandonou a poesia, ingressou por concurso
no Ministério das Relações Exteriores e passou a exercer a diplomacia em
diversas funções em embaixadas brasileiras de vários países; sua poesia foi
reunida em Cocktails (1984), por iniciativa do poeta Nelson Ascher e do
arquiteto e crítico de arte Rui Moreira Leite: poemas publicados nas edições da
Klaxon e ‘datilocristo’ do autor, entregue a Mario de Andrade na década de 20.