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Na sombra duma perêra,
Nascida na ribancêra,
No meio dum parmitá
Era a casinha da Dita,
A morena mais bunita
E facêra do arraiá.
Eu vou contá pra vancêis:
Foi numa festa de Reis
Que nóis dois se cunhecemo.
Eu sirrí, ela me viu,
Sirrí mais, ela sirriu,
E ansim foi que nóis se amêmo.
Casemo, fiz um ranchinho,
Na berada dum corguinho,
Donde cantava a perdiz.
Lá dentro puis meu amô,
No terrêro prantei frô,
Préla podê sê feliz.
Tudo dia, na paióça,
Quano eu vortava da roça,
E tava oiano as panela,
Ela jurava, jurava,
Que era só eu que lhe amava,
Pru resto da vida dela!
Numa tarde triste e feia,
Quando eu cheguei lá da ardêia,
Achei vazio o meu rancho.
Na porta tava caído,
Um lenço, meu conhecido,
Que era do Juca do Sancho.
Botei na cinta a garrucha,
Muntei na besta gaúcha,
E fui seguino o fadário,
Numa vórta de caminho,
Discobrí os dois juntinho,
Cumo um casá de canário.
Só dois tiro... e dois defunto
Ficaro na estrada junto,
E, eu, já fais desasseis ano,
No fundo duma cadeia,
Na afrição que turtuvêia,
Passei chorano, chorano.
Onte fui vê meu ranchinho,
Num achei. O coitadinho,
Se acabô cas tempestade,
Mais, no jardim do terrêro,
Inda encontrei num cantêro
A frô chamada sodade!
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Poemas Caipiras — Marques de Azevedo,
Apresentação/Prefácio de Sebastião Noronha, 1957, Editora Acaiaca, Belo Horizonte
— MG; Alfredo Marques de Azevedo (1892 — ? ), mineiro
de Santa Rita do Sapucaí, foi advogado e juiz, jornalista e poeta; fundou e dirigiu
a revista A Flama; no exercício de sua profissão jurídica, andejou por várias localidades
do interior mineiro; obras: Em memória de Rui Barbosa, Versos de outrora,
Poemas Caipiras (1957) e outros; em 1957, o autor anunciava estar no prelo as obras
Reverso da vida — contos, A festa de Zazá — comédia e Anedotário Forense; Marques
de Azevedo, autor da letra do hino de Resplendor — MG, morou em Abaeté, também em
MG.







