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segunda-feira, 21 de março de 2016

Solano Trindade: Toque de reunir

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Vinde irmãos macumbeiros
Espíritas, Católicos, Ateus.
Vinde todos os brasileiros.
Para a grande reunião.
Para combater a fome
Que mata a nossa nação.

Vinde Maria Pulcheria.
João de Deus. José Maria
Anicacio, Zé Pretinho
Para a grande reunião
Para combater a malária
Que mata a nossa nação

Vinde trapeiro, pedreiro,
Lavrador, arrumadeira.
Caixeiro, funcionário.
Combater a tuberculose
Que mata a nossa nação.

Vinde irmãos sambistas.
Da favela, da Mangueira.
Do Salgueiro, Estácio de Sá.
Para a grande reunião.
Combater o analfabetismo
Que mata a nossa nação.

Vinde poetas, pintores,
Engenheiros, escritores,
Negociantes e médicos.
Para a grande reunião.
Combater o fascismo
Que mata a nossa nação.

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Poemas Antológicos de Solano Trindade, Seleção e Introdução de Zenir Campos Reis, 2ª. edição, 2011, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Francisco Solano Trindade (1908 1974), pernambucano de Recife, foi ativista, poeta, pintor, folclorista e teatrólogo; viveu no Recife, no Rio de Janeiro, no Embu das Artes (SP); militante das causas do povo negro, ajudou na realização e participou do I Congresso Afro-Brasileiro (Recife, 1934), atuou também no II Congresso (Salvador, 1936); escreveu e publicou Poemas Negros (1936), Poemas de uma Vida Simples (1944), Seis Tempos de Poesia (1960) e Cantares ao meu Povo (1962).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Solano Trindade: Quem tá gemendo?

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Quem tá gemendo, 
Negro ou carro de boi? 
Carro de boi geme quando quer, 
Negro, não.
Negro geme porque apanha.
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga
Gemido de negro é poema... 

Geme na minh′alma,
A alma do Congo,
Do Níger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América... 
A alma Universal... 

Quem tá gemendo?
Negro ou carro de boi?

(Poemas de uma vida simples  1944)

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Poemas Antológicos de Solano Trindade, Seleção e Introdução de Zenir Campos Reis, 2ª. edição, 2011, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Francisco Solano Trindade (1908 1974), pernambucano de Recife, foi ativista, poeta, pintor, folclorista e teatrólogo; viveu no Recife, no Rio de Janeiro, no Embu das Artes (SP); militante das causas do povo negro, ajudou na realização e participou do I Congresso Afro-Brasileiro (Recife, 1934), atuou também no II Congresso (Salvador, 1936); escreveu e publicou Poemas Negros (1936), Poemas de uma Vida Simples (1944), Seis Tempos de Poesia (1960) e Cantares ao meu Povo (1962).

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Solano Trindade: A musa e a poesia

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É necessário criar muitas musas
para que a poesia não pare...

As musas não são estáveis
e a poesia é permanente...

A função do poeta é construir
a musa é material de construção
que o poeta transforma em monumento...

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Poemas Antológicos de Solano Trindade, Seleção e Introdução de Zenir Campos Reis, 2ª. edição, 2011, Editora Nova Alexandria, São Paulo — SP; Francisco Solano Trindade (1908 1974), pernambucano de Recife, foi ativista, poeta, pintor, folclorista e teatrólogo; viveu no Recife, no Rio de Janeiro, no Embu das Artes (SP); militante das causas do povo negro, ajudou na realização e participou do I Congresso Afro-Brasileiro (Recife, 1934), atuou também no II Congresso (Salvador, 1936); escreveu e publicou Poemas Negros (1936), Poemas de uma Vida Simples (1944), Seis Tempos de Poesia (1960) e Cantares ao meu Povo (1962).