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Meu avô foi buscar prata
mas a prata virou índio.
Meu avô foi buscar índio
mas o índio virou ouro.
Meu avô foi buscar ouro
mas o ouro virou terra.
Meu avô foi buscar terra
e a terra virou fronteira.
Meu avô, ainda intrigado,
foi modelar a fronteira:
E o Brasil tomou a forma de harpa.

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Poesia Brasileira para a Infância (diversos
autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da
Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São
Paulo — SP; Cassiano Ricardo Leite (1895 — 1974), paulista de São José dos Campos,
formado em Direito, foi poeta, ensaísta e jornalista; trabalhou como redator no
Correio Paulistano, dirigiu o A Manhã, do Rio, fundou a Novíssima, revista literária
focada no modernismo, e criou as revistas Planalto e Invenção; o poeta inicia-se
na arte literária com Dentro da Noite (versos parnasianos e neo-simbolistas, 1915)
e A Frauta de Pã (1917), e a partir daí define-se como modernista; bibliografia:
Borrões de Verde e Amarelo (1926), Vamos Caçar Papagaios (1926), Martim Cererê (1927),
Deixa Estar, Jacaré (1931), A Academia e a poesia moderna (ensaio, 1939), O Sangue
das Horas (1943), Um Dia Depois do Outro (1947), A Face Perdida (1950), Poemas Murais
(1951), O Arranha-céu de Vidro (1956), João Torto e a Fábula (1956), 22 e a poesia
de hoje (ensaio, 1962), O Indianismo de Gonçalves Dias (ensaio, 1964), Jeremias
sem-chorar (1964), Os sobreviventes (1971), entre tantos outros títulos.






