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Há milênios que existo e há milênios que estudo
Todas as vibrações, arcano por arcano;
O trovão, o gorjeio, o vento, o rio, o oceano,
A fera, a flor, o céu, tudo conheço, tudo!
Não me atingem a dor, o crime e o desengano,
Pois com o meu próprio ser eu me defendo e escudo;
E, bloco inexpressivo, ermo, gélido e rudo,
Fito o sol sem temor. De ser pedra me ufano.
Só me perturba ver, homem, o vivo anseio
Com que tu, que tens fé, que raciocina e amas,
Produzes sem cessar o sofrimento alheio!
Antes ser como sou: hirta, na eterna calma;
Isenta das paixões cruéis com que te inflamas,
Sem sangue e coração, sem nervos e sem alma!
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Antologia de Poetas Fluminenses — Rubens
Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; José
Quaresma de Moura Júnior (1868 — 1932), fluminense de Angra dos Reis, pertencente
aos quadros do funcionalismo público estadual, foi Secretário de Cultura do
Estado do Rio de Janeiro; jornalista e poeta, escreveu peças teatrais e também
atuou como ator; obra poética: Poente (editado em 1922).