____________________
o quadrado áureo
de sacilotto —
concreção seis mil
trezentos e cinqüenta e um
mil novecentos e cinqüenta
e três —
latão tridimensional polido
sabiamente
pelo escultor-operário
de esquadrias metálicas —
deixa que se abram
à superfície
pequenas ventanas triangulares
em relevo
que vazam em fendas
escuras:
o deslumbre da luz aurificada
rebate-se nessas seteiras como
em
buracos negros:
ao trânsito do expectador
tudo vibra
tudo entrevibra numa
(pré-op)
cinese dourada
Entremilênios — Haroldo de Campos, Organização e Nota de
Carmen de P. Arruda Campos, 2009. 1ª edição e 1ª reimpressão, Editora
Perspectiva, São Paulo — SP; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 — 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio
São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
(Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário,
poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas
estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952
foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo
de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores
do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional
da Poesia Concreta; em 1972, no
doutorado pela FFLCH —
USP e sob a orientação de Antonio Candido,
apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do
Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário,
lecionou na PUC — SP e na Universidade do Texas, em Austin — USA; obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956),
Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto
com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária,
1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 1949—1974
(antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum — Signância:
quase céu (1979), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica
literária, 1992), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira:
O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de
Campos também
escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé,
Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz,
Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura,
inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e
ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.