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domingo, 25 de maio de 2014

Genésio dos Santos: Ego (1978)

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Não hesito.
Se existo,
insisto,
resisto,
persisto
e não desisto.

Minha foto
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Número Um, Edição do Autor, 1978, São Paulo SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal O Espelho SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

domingo, 7 de agosto de 2011

Genésio dos Santos: Existência

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Aos que me perguntam
se passo bem,
respondo:
vou pior que ontem
e melhor que amanhã.

Querer voltar ao passado é utopia
e do futuro
eu só espero a morte.
Vivo apenas o presente.


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Número Um, Edição do Autor, 1978, São Paulo  SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, é poeta e cronista.

sábado, 28 de maio de 2011

Genésio dos Santos: Choque de confrontacion (1977)

Acesse este poema no original em português clicando no título acima.
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[Traduccion de Mario García-Guillén]

En estos días
lo que ya se delineaba claramente
a mis ojos
se confirmó:
los que profesan
y los profesados
son hechos de un mismo barro
y moldeados por un mismo ollero
son quemados en un mismo horno
y en una misma ollería,
se parten con un único choque
y se transforman en arena, en barro molido.
Cuando se parten en pedazos
el mismo ollero que antes los moldeara
los moldeará de nuevo.

Hay que buscar un otro barro
si se pretende un jarro fuerte.
Hay que buscar un otro ollero
si se pretende un jarro de otro molde.
Hay que buscar un otro horno
si se pretende un jarro resistente.
Hay que buscar una otra ollería
si se pretende un jarro diferente.

Hay que romper
con el antiguo barro
con el antiguo ollero
con el antiguo horno
con la antigua ollería.

Hay que empezar
de nuevo.

Minha foto
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, é poeta e cronista; a versão deste poema para o idioma espanhol foi realizada em 1977 por Mario García-Guillén (1942  2007).

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Genésio dos Santos: Lei da selva

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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O cão ladra
o gato mia
o rato chia
e dana-se.

Na vida,
ajo como o gato,
corro atrás do rato
e mais atrás
me persegue o cão.

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Número Um, Edição do Autor, 1978, São Paulo  SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, é poeta e cronista.

sábado, 19 de março de 2011

Genésio dos Santos: Falência cultural

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Eu fito
na foto
o fato
do feto.

O futuro?!
De fato
é fatídico.

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Número Um, Edição do Autor, 1978, São Paulo  SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, é poeta e cronista.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Genésio dos Santos: Cara-metade

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Ontem,
em minha cidade,
eu caminhava pelas calçadas
que margeiam a praça da matriz
e contemplava a gente adulta
que tomava cerveja ou coca-cola
nos botequins do lugar.

Hoje,
na cidade alheia,
um homem
toma cerveja no bar principal
e ruboriza-se
ao perceber a gente simples
que caminha pelas calçadas
que margeiam a praça da matriz
contemplando-o.

Minha foto
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Número Um, 1978, Edição do Autor, São Paulo  SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, é poeta e cronista.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Genésio dos Santos: Contrapeso

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Eu preciso
escrever um livro
conciso

eu preciso
escrever conciso
um livro

eu preciso
conciso
escrever um livro

eu conciso
preciso
escrever um livro

eu conciso
escrever preciso
um livro

eu conciso
escrever um livro
preciso.

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Número Um, 1978, Edição do Autor, São Paulo  SP; Genésio dos Santos é poeta e cronista.

domingo, 7 de novembro de 2010

Genésio dos Santos: Estágio

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Ontem, segundos após eu ter nascido,
uma nódoa turvou meu coração.
O batismo apagou-a.
Errei novamente.
Tantas vezes eu pequei
quantas vezes me dirigi ao confessionário.

Hoje
já não vou mais à missa,
vivo em constante vigília.
Algum dia decifrarei o certo e o errado
então já não mais precisarei me redimir.

Amanhã,
não sei.

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Número Um — poesias, 1978, Edição do Autor, São Paulo — SPGenésio dos Santos, nascido em 1952, um caipira paulista e itapetiningano, poeta e cronista, veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; escreveu Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), além de ter colaborado com crônicas para jornais sindicais sob responsabilidade do Seeb SP (Na MoitaO Espelho — SPFolha Bancária, Brinque ...).

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Genésio dos Santos: O poeta-menor e o poeta-maior

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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O poeta-menor
s o n h a v a
ser poeta-maior.
No desfile-do-dia-da-independência
se apresentou com um estandarte
defensor do homem
como homem.

O poeta-maior
considerou
              por
                    algum
                              tempo
o poeta-menor
e o aplaudiu pelo seu altruísmo.

O poeta-menor,
que era um poeta-suicida,
antes que viesse 
o dia-de-outra-independência
tragicomicamente
morreu.

(Explico: cômico,
porque, no asfalto,
depois de despencar-se
por vinte e três andares
seu rosto,
d e s - f i g u r a d o,
parecia desafiar
algum outro rosto
vivo,
       morto,
                 morto-vivo
que o contemplava
e o outro rosto
vivo,
       morto,
                morto-vivo
não entendeu o seu desafio;
trágico,
porque era poeta.)

O poeta-maior
chorou
e se angustiou
                    por
                         algum
                                 tempo
quando
          o jornal
                     o rádio
                               a revista
                                           a televisão
                                                          o vizinho
noticiaram
a morte do poeta-menor.

O poeta-menor
c o n t i n u o u
no anonimato e,
com o passar dos anos,
virou estória.

O poeta-maior,
que tinha um olho-clínico,
depois-do-dia-de-outra-independência,
escreveu um livro
cujo personagem central
era o poeta menor
e que virou best-seller.
Ganhou o prêmio Nobel de Literatura,
vendeu os direitos de filmagens
à Warner Bros. Communications,
virou capa do New York Times,
montou peça no Municipal
com os atores mais badalados,
aos setenta anos publicou sua autobiografia
e virou história.

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Número Um, 1978, Edição do Autor, São Paulo  SP; Genésio dos Santos é poeta e cronista.

Genésio dos Santos: Dai-me um só momento

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Eu quero um só momento
dai-mo
mas não desses momentos cheios de vida
que eu quero um momento livre
sem "ismos" nem "cracias"

desses momentos sempre se encontram por aí
no trabalho na escola
ou mesmo nas horas livres

eu quero um momento
sem misérias nem riquezas
sem suicídios nem heroísmos
sem dores nem alegrias
sem prantos nem sorrisos

eu quero um momento vazio
e que eu possa preenchê-lo
com o que vai em minh'alma
um momento só para pensar

dai-mo
e eu vô-lo devolverei cheio de mim
para fazerdes com ele o que bem entenderdes
e quando quiserdes.

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Número Um1978, Edição do Autor,  São Paulo — SPGenésio dos Santos é poeta e cronista.

domingo, 18 de abril de 2010

Genésio dos Santos: Choque da confrontação (1977)

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Nestes dias
o que já se delineava claramente
aos meus olhos
se confirmou:
os que professam
e os professados
são feitos de um mesmo barro
e moldados por um mesmo oleiro,
são queimados em um mesmo forno
e em uma mesma olaria,
se partem com um único choque
e se transformam em areia, em barro moído.
Quando se partem em pedaços,
o mesmo oleiro que antes os moldara
os moldará de novo.

Há que procurar um outro barro
se se pretende um jarro forte.
Há que procurar um outro oleiro
se se pretende um jarro de outro molde.
Há que procurar um outro forno
se se pretende um jarro resistente.
Há que procurar uma outra olaria
se se pretende um jarro diferente.

Há que romper
com o antigo barro
com o antigo oleiro
com o antigo forno
com a antiga olaria.

Há que começar
de novo.

Minha foto
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Número Um poesias, 1978, Edição do Autor, São Paulo  SP; Genésio dos Santos, paulista e itapetiningano, nascido em 1952, caipira, filho de ferroviário, é bancário aposentado; partindo de Iperó —  SP pegou o caminho do trem (a antiga Sorocabana, ex-Fepasa) rumo à cidade grande (São Paulo), onde reside desde a década de setenta do último século do milênio passado; poeta e cronista,  escreve desde seus treze anos, é hoje um cidadão urbano adaptado e aprendiz de blogueiro; publicou também Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), além de colaborar na produção de crônicas para jornais sindicais do SeebSP (O EspelhoSPNa MoitaFolha Bancária etc.)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Genésio dos Santos: Futebol

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Domingo.
O sol desponta com seus raios fúlgidos
no azul e límpido céu
como havia sido previsto pelos meteorologistas.
Não iria chover e não choveu.
A cidade acordou festiva,
é dia de Flamengo
e quase toda a cidade é Flamengo.
As cores rubro-negras dominam
e por certo dominarão
por mais um longo tempo
o coração de seus habitantes.
Um grito uníssono nasce na Gávea
e ecoa, desde cedo, pela cidade:
Mengo! Mengo! Mengo!

Já estou imaginando o Maracanã

 o maior estádio do mundo 

repleto de gente.
Gente unida
gente carioca
gente brasileira
gente feliz.
Gente que entende de futebol
gente que vibra
vive
e até morre pelo seu Flamengo.
Gente que esquece o dia-a-dia
o trem da Central
o trânsito congestionado até o estádio
a volta, quase sempre,
aos bairros favelados.
Gente que se encontra
sem distinção de sexo, cor, raça...
...nem credo.
Mengo! Mengo! Mengo!

Gente, muita gente.
Estou imaginando a massa
alucinada
e alucinante
nas gerais
arquibancadas
numeradas
e cadeiras-cativas.
Ai de quem se atrever a vaiar o seu Flamengo.
Ai de quem enfrentá-la.
Corre até risco de vida.

Prevendo isso é que
lá se encontram, também, os policiais
 muitos deles sem nada entender de futebol ,

seus cães amestrados
e suas bombas de gás lacrimogênio.
Estão prontos para intervir
se necessário for.
A presença deles funciona como sedativo
aos torcedores mais exaltados.
Mengo! Mengo! Mengo!

Uma pequena escaramuça surge nas gerais
e é logo contornada pela
turma-do-deixa-disso.
Não será desta vez que a polícia
intervirá.
A massa está lá para assistir a futebol.
Brigas,
desavenças,
deixemos para os
vietnamitas e africanos
gregos e troianos.
Mengo! Mengo! Mengo!

E eu,
que não sou flamenguista
(sou botafoguense),
tenho que ficar calado.
Não posso me exaurir antes do início
do jogo. Reservo as minhas forças
para os noventa minutos. O meu grito
precisa se fazer forte.
O alvinegro precisa de mim
e eu não posso desapontá-lo.
O estádio parece vir abaixo.
Mengo! Mengo! Mengo!

Eu,

continuo com os olhos fixos
na boca do túnel
e ensaio o meu grito:
Fogo! Fogo! Fogo!


Minha foto
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Número Um, Edição do Autor, 1978, São Paulo — SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou  Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical,  escreveu crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991  1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

domingo, 2 de agosto de 2009

Genésio dos Santos: Viagem

Clique no título acima e prossiga.

Livro: Número Um De Genésio Dos Santos
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Viajo ao acaso.
Não sei para onde nem por quê,

nem sei se perto ou se distante.
Sei que viajo para algures.


Tomara que lá eu possa chorar,
aqui me envergonho de fazê-lo.

Tomara que lá se viva,
estou morto.


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Número Um, poesias, Edição do Autor, 1978, São Paulo — SP; Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991  1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.