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Pra cometer um soneto é precisodosar-se muito bem amor e morte,
e da mistura então glosar o mote,
assim como quem monta um paraíso.
Um soneto se faz com azar e sorte,
uns lances de loucura e de juízo —
um soneto se arma em pranto e riso,
e coração ao sul e a mente ao norte.
Mas fazê-lo perfeito, necessário
o tom mais pessoal, e o verbo vário,
senão resta somente artifício.
E eis que chego ao fim do impune vício,
ponho o verso final, branco no preto,
e pronto, terminei este soneto.
A quadratura do círculo (1991)

Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 80, Seleção e Prefácio de Ricardo Vieira Lima, Direção de Edla van Steen, 2010, Editora Global, São Paulo — SP; Marcos de Farias Costa, alagoano de Maceió, nascido em 1952, compositor, letrista, ensaísta e poeta, publicou, entre outros livros, O amador de sonhos (1982), Ócios do ofício (1984), A quadratura do círculo (1991), A comédia de Eros (1997) e Doce estilo novo — antologia poética (2000).