O meu ofício é de palavras
que só estremecem ao rumor
do amor.
O meu ofício é de missão
secreta, sob a capa do ar:
lembrar.
O meu ofício desconhece
qualquer das formas de folgar:
sonhar?
No meu ofício é que se aprende
por dentro — terra e ultramar —
a olhar.
Sua alegria é de um minuto
e nada a pode compensar:
cantar.
Entre um minuto e outro perpassam
nuvens de tamanho esperar:
durar.
O meu ofício é de saber
morrer, de nas pedras gravar:
passar.
do amor.
O meu ofício é de missão
secreta, sob a capa do ar:
lembrar.
O meu ofício desconhece
qualquer das formas de folgar:
sonhar?
No meu ofício é que se aprende
por dentro — terra e ultramar —
a olhar.
Sua alegria é de um minuto
e nada a pode compensar:
cantar.
Entre um minuto e outro perpassam
nuvens de tamanho esperar:
durar.
O meu ofício é de saber
morrer, de nas pedras gravar:
passar.
Poesia lembrada (1971)
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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2007, São Paulo — SP; Lélia Coelho Frota (1937 — 2010), nascida no Rio de Janeiro — RJ, foi escritora, antropóloga, crítica de arte e publicou Mitopoética de 9 artistas brasileiros (1975), Ataíde: Vida e Obra de Manuel da Costa Ataíde (1982), Mestre Vitalino (1988), Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro: Século XX (2005) etc; obra poética: Quinze poemas (1956), Alados Idílios (1958), Romance de Dom Beltrão (1960), Poesia Lembrada (1971), Menino deitado em alfa (1978), Brio (1996), entre outros.