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[traduzido por Eduardo de
Campos Valadares]
A Reinhold e Sabine Leipsius
No jardim veja este ocaso
Desaparece atrás da tenda!
Trouxe alegria ao acaso
Para irmãs lívidas uma prenda.
Imenso o sereno assoma
Esvai-se com as nuvens — veja!
Uma vítima da chama
Ardente diz o que almeja.
Ele não nos deixa soturnos
Meditamos · em seu cortejo —
Com seus violinos noturnos
Anima sublime festejo.
Como grave melodia
Rejubila-nos e emociona
No éden de um, novo dia
Mesmo quando já não ressona.
Blaue
stunde
An Reinhold und Sabine
Leipsius
Sieh diese blaue stunde
Entschweben hinterm
gartenzelt!
Sie brachte frohe funde
Für bleiche schwestern ein
entgelt.
Erregt und gross und heiter
So eilt sie mit den wolken — sieh!
Ein opfer loher scheiter.
Sie sagt verglüht was sie
verlieh.
Dass sie so schnell nicht
zögen
So sinnen wir · nur ihr
geweiht —
Spannt auch schon seine bögen
Ein dunkel reicher
lustbarkeit.
Wie eine tiefe weise
Die uns gejubelt und gestöhnt
In neuem paradeise
Noch lockt und rührt wenn
schon vertönt.
(Der Teppich des Lebens und die Lieder von
Traum und Tod mit einem Vorspiel — 1899)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos
Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton George (1868 — 1933),
alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez
seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou
a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura,
o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior,
viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra
com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se
ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética,
a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução
de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos;
faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária
Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com
que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado
George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos,
o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que
alemão; obras: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher
der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros
de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das
Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von
Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com
um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes
(A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger
Bastide (1898 — 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do
Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do
nosso Cruz e Sousa.


