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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Stefan George: Crepúsculo

 
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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

A Reinhold e Sabine Leipsius

No jardim veja este ocaso
Desaparece atrás da tenda!
Trouxe alegria ao acaso
Para irmãs lívidas uma prenda.

Imenso o sereno assoma
Esvai-se com as nuvens veja!
Uma vítima da chama
Ardente diz o que almeja.

Ele não nos deixa soturnos
Meditamos · em seu cortejo
Com seus violinos noturnos
Anima sublime festejo.

Como grave melodia
Rejubila-nos e emociona
No éden de um, novo dia
Mesmo quando já não ressona.

Stefan George

Blaue stunde

An Reinhold und Sabine Leipsius

Sieh diese blaue stunde
Entschweben hinterm gartenzelt!
Sie brachte frohe funde
Für bleiche schwestern ein entgelt.

Erregt und gross und heiter
So eilt sie mit den wolken sieh!
Ein opfer loher scheiter.
Sie sagt verglüht was sie verlieh.

Dass sie so schnell nicht zögen
So sinnen wir · nur ihr geweiht
Spannt auch schon seine bögen
Ein dunkel reicher lustbarkeit.

Wie eine tiefe weise
Die uns gejubelt und gestöhnt
In neuem paradeise
Noch lockt und rührt wenn schon vertönt.

(Der Teppich des Lebens und die Lieder von
Traum und Tod mit einem Vorspiel — 1899)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; obras: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 — 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

terça-feira, 21 de junho de 2022

Stefan George: Canção do anão

 
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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

I
Pequenas aves piam ·
Pequenas flores ciam ·
Seus sinos ciciam.

No prado estrelado
Pasta pequeno gado ·
De pelo delicado.

Pequeninos se inclinam
E no giro se alucinam
O anão já atinam?

II
De meu palácio eu chego
Para a dança infantil
Irá alguém gentil
Conceder-me aconchego?

Deixai que me antecipe
Do trono compartilho ·
Sou o infalível filho
Dos anões o príncipe.

III
Teus o castelo · e a arca
E todo brilho do tesouro que abarca!

Tua a espada · teu o dardo
Alivie a beleza o pesado fardo.

Soldo algum · nenhum louro
Apenas na canção o amor e o ouro.

Stefan George

Das lied des swergen

I
Ganz kleine vögel singen ·
Ganz kleine blumen springen ·
Ihre glocken klingen.

Auf hellblauen heiden
Ganz kleine lämmer weiden ·
Ihr fliess ist weiss und seiden.

Ganz kleine kinder neigen
Und drehen sich laut im reigen 
Darf der zwerg sich zeigen?

II
Ich komme vom palaste
Zu eurer kinder tanz
In ihrem frohen kranz
Will eines mich gaste?

Der ich mich scheu verberge
Ich habe kron und thron ·
Ich bin der feien sohn
Ich bin der fürst der zwerge.

III
Dir ein schloss · dir ein schrein 
Fülle aller schätze und ihr glanz sei dein!

Dir ein schwert · dir ein speer 
Zarter gunst der schönen sei dein weg nie leer.

Dir kein ruhm · dir kein sold 
Dir allein im liede liebe und gold ·

(Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der
Sagen und Sänge und der hängenden Gärten — 1895)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; obras: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Stefan George: Sou o Único e sou Dual! . . .

 
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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

Sou o Único e sou Dual
Sou o ventre e sou a semente
Sou a bainha e sou o punhal
Sou a dor e sou o doente
Sou o horizonte e sou o olhar
Sou a lança e sou o lançador
Sou o fiel e sou o altar
Sou o fogo e sou o calor
Sou miserável e abastado
Sou o símbolo e sou o indício
Sou sombra e sou iluminado
Sou um fim e sou um início.

Stefan George

Ich bin der Eine und bin Beide
Ich bin der zeuger bin der schooss
Ich bin der degen und die scheide
Ich bin das opfer bin der stoss
Ich bin die sicht und bin der seher
Ich bin der bogen bin der bolz
Ich bin der altar und der fleher
Ich bin das feuer und das holz
Ich bin der reiche und bin der bare
Ich bin das zeichen bin der sinn
Ich bin der schatten bin der wahre
Ich bin ein end und ein beginn.

(Der Stern des Bundes — 1914)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; obras: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

domingo, 22 de maio de 2022

Stefan George: Amante das campinas

 
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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

Ao amanhecer é visto no vau
Levando a foice afiada à mão
E abocar o espigal com zelo tal
Nos lábios provando o amarelo grão.

Depois no vinhedo é visto atar
Ramos soltos à estaca segura
Duras uvas tardias apertar
E romper numa gavinha a atadura.

Sacode ao antever forte temporal
A árvore nova e as nuvens estima
Sua favorita escora num varal
E com os primeiros frutos se anima.

Enche a cabaça e deixa a planta aguada
Ao arrancar ervas lhe escorre a fonte
E no chão florido fica a pegada
E os pomares se perdem no horizonte.

Stefan George

Der freund der fluren

Kurz vor dem frührot sieht man in den fähren
Ihn schreiten · in der hand die blanke hippe
Und wägend greifen in die vollen ähren
Die gelben körner prüfend mit der lippe.

Dann sieht man zwischen reben ihn mit basten
Die losen binden an die starken schäfte
Die harten grünen herlinge betasten
Und brechen einer ranke überkräfte.

Er schüttelt dann ob er dem wetter trutze
Den jungen baum und misst der wolken schieben
Er gibt dem liebling einen pfahl zum schutze
Und lächelt ihm dem erste früchte trieben.

Er schöpft und giesst mit einem kürbisnapfe
Er beugt sich oft die quecken auszuharken
Und üppig blühen unter seinem stapfe
Und reifend schwellen um ihn die gemarken.

(Der Teppich des Lebens und die Lieder von
Traum und Tod mit einem Vorspiel — 1899)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; obras: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 — 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Stefan George: Cantiga do Mar

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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

Quando a luz no longe horizonte
Aos poucos perde sua fonte:
Descanso deitado na duna
E aguardo que ela a mim se una.

Em casa a vida vive apagada ·
Murcha a flor na espuma salgada.
Na última porta da estranha
Tamanha solidão se entranha.

Surge a criança de olhos vivos
A pele alva e os cabelos ruivos ·
E dança e canta por onde anda
E some com a imensa onda.

Eu a persigo · aflito a fito
Mesmo nada me tendo dito
E sem entender o que diz:
Só de vê-la fico feliz.

Fogão bom e teto seguro ·
Mas a alegria não quer muro.
Já tenho as redes remendadas
E cama e cozinha arrumadas.

Eis-me aqui · à espera na areia
Na mão minha fonte incendeia:
Qual o sentido do meu dia
Se seu encontro ela adia?

(O novo Reino — 1928)

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Stefan George

Seelied

Wenn an der kimm in sachtem fall
Eintaucht der feurig rote ball:
Dann halt ich auf der düne rast
Ob sich mir zeigt ein lieber gast.

Zu dieser stund ists öd daheim ·
Die blume welkt im salzigen feim.
Im lezten haus beim fremden weib
Tritt nie wer unter zum verbleib.

Mit gliedern blank mit augen klar
Kommt nun ein kind mit goldnem haar ·
Es tanzt und singt auf seiner bahn
Und schwindet hinterm grossen kahn.

Ich schau ihm vor · ich schau ihm nach
Wenn es auch niemals mit mir sprach
Und ich ihm nie ein wort gewusst:
Sein kurzer anblick bringt mir lust.

Mein herd ist gut · mein dach ist dicht ·
Doch eine freude wohnt dort nicht.
Die netze hab ich all geflickt
Und küch und kammer sind beschickt.

So sitz ich · wart ich auf dem strand
Die schläfe pocht in meiner hand:
Was hat mein ganzer tag gefrommt
Wenn heut das blonde kind nicht kommt.

(Das neue Reich  1928)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton  George (1868  1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; bibliografia: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898  1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Stefan George: Paz do entardecer

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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

Já lacerada pela labareda
Exausta descansa a seca vereda

E a escura e sulfurina nuvem cai
Uma muralha esconde e o mastro esvai.

Os jardins arquejam com o perfume ·
A sombra invade os caminhos sem lume.

As ternas vozes suspiram e calam ·
As altas em zumbido se resvalam.

Se visões atraem a rica festa
A selvagem luta atrai luz funesta.

Na névoa densa só são escutados
Os débeis sons de mundos dominados.

(Livros de Poemas Pastoris e de Louvor
Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos  1895)


Stefan_George_(fotografado_por_Jacob_Hilsdorf)
Stefan George

Friedensabend

Vom langen dulden sengend heisser stiche
Erholen sich die bleichen länderstriche

Und wolken schwarz und schwefelgelb belasten
Die kahlen mauern und die starren masten.

Die gärten atmen schwer von duft beladen ·
Die schatten wachsen fester in den pfaden.

Die zarten stimmen schlummern und verstummen ·
Die hohen mildern sich in sanftes summen.

Wie schemen locken nur die festgepränge
die wilden schlachten lauten untergänge.

Im dichten dunste dringt nur dumpf und selten
Ein ton herauf aus unterworfnen welten

(Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte,
der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten  1895)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton  George (1868  1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; bibliografia: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Die Bücher der Hirten- und Preisgedichte, der Sagen und Sänge und der hängenden Gärten (Livros de Poemas Pastoris e de Louvor Sagas e Canções e dos Jardins Suspensos, 1895), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (A estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898  1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Stefan George: A Canção

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[traduzido por Eduardo de Campos Valadares]

Um camponês numa jornada
Moço ainda menino
Lá pela floresta encantada
De vez perdeu o tino

A aldeia inteira foi buscá-lo
Do nascente ao poente
E já sem ter como encontrá-lo
Voltou para o batente.

Assim se passaram sete anos
E como por um triz
Certa manhã surgiu sem danos
Perto do chafariz.

O povo perguntou quem era
Não o reconhecera
Seus pais jaziam sob a hera
Outro o desconhecera.

Por uns dias fiquei perdido
Lá no mundo encantado
A um festim fui atraído
E de volta escoltado.

Vi seres com fios dourados
De pele cor de neve ..
Sol e lua eram chamados
E monte e vale e lago.

Todos riram: tão cedo o estranho
Não podia estar ébrio.
Deram-lhe a guarda do rebanho
Para se sentir sóbrio.

Chegava ao pasto ao amanhecer
Numa pedra sentava
Cantava até anoitecer
Nenhum trabalho dava.

Só as crianças escutavam
A invisível voz terna ..
E para saudá-la cantavam
Sua canção eterna.

(O novo Reino  1928)

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Stefan George 

Das Lied

Es fuhr ein knecht hinaus zum wald
Sein bart war noch nicht flück
Er lief sich irr im wunderwald
Er kam nicht mehr zurück.

Das ganze dorf zog nach ihm aus
Vom früh- zum abendrot
Doch fand man nirgends seine spur
Da gab man ihn für tot.

So flossen sieben jahr dahin
Und eines morgens stand
Auf einmal wieder er vorm dorf
Und ging zum brunnenrand.

Sie fragten wer er wär und sahn
Ihm fremd ins angesicht ·
Der vater starb die mutter starb
Ein andrer kannt ihn nicht.

Vor tagen hab ich mich verirrt
Ich war im wunderwald
Dort kam ich recht zu einem fest
Doch heim trieb man mich bald.

Die leute tragen güldnes haar
Und eine haut wie schnee ..
So heissen sie dort sonn und mond
So berg und tal und see.

Da lachten all: in dieser früh
Ist er nicht weines voll.
Sie gaben ihm das vieh zur hut
Und sagten er ist toll.

So trieb er täglich in das feld
Und sass auf einem stein
Und sang bis in die tiefe nacht
Und niemand sorgte sein.

Nur kinder horchten seinem lied
Und sassen oft zur seit ..
Sie sangen's als er lang schon tot
Bis in die spätste zeit.

(Das neue Reich — 1928)
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Crepúsculo — Stefan George, Seleção, Ensaio e Tradução de Eduardo de Campos Valadares, 2000, Iluminuras, São Paulo — SP; Stefan Anton George (1868 1933), alemão de Büdesheim, região do Reno, foi tradutor e poeta maior do Simbolismo; fez seus estudos secundários no Ludwig-Georgs-Gymnasium, em Darmstadt, e ali passou a se interessar por teatro e poesia; editou um jornalzinho escolar de literatura, o Rosen und Disteln (Rosas e Cardos); a partir daí, toma contato com o mundo exterior, viajando a Londres, Montreux, na Suiça, Milão, Turim e, depois, Paris, onde se encontra com o poeta Albert Saint-Paul, que o apresenta a Stéphane Mallarmé; dedicando-se ao Simbolismo, as portas são abertas para um mundo novo da experiência poética, a arte pela arte, o que o faz tomar impulso na produção de versos e na tradução de textos de Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé e outros tantos poetas contemporâneos; faz cursos de literatura e filosofia na Universidade de Berlim, cria a revista literária Blätter für die Kunst (Folhas de Arte), publicada de 1892 a 1919, isso fazendo com que o poeta passe mesmo a ser referência de um círculo literário e acadêmico denominado George-Kreis; neste período, sua roda de amigos inclui franceses, italianos e mexicanos, o que lhe possibilita falar francês e ouvir espanhol com mais assiduidade do que alemão; bibliografia: Hymnen (Hinos, 17 poemas, 1890), Algabal (1892), Das Jahr des Seele (O ano da alma, 1897), Der Teppich des Lebens und die Lieder von Traum und Tod mit einem Vorspiel (Tapete da Vida e Canções de Sonho e Morte com um Prelúdio, 1899) Der siebente Ring (O sétimo Anel, 1907), Der Stern des Bundes (a estrela da Aliança, 1914), Das neue Reich (O novo Reino, 1928) e outros; Roger Bastide (1898 1974), estudioso francês, nos propõe uma "tríade sagrada do Simbolismo" e cita o poeta Stefan George ao lado de Stéphane Mallarmé e do nosso Cruz e Sousa.