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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Lourenço de Araújo: Boêmio

Resultado de imagem para Lourenço de Araújo Poeta Boêmio Emílio Maciel Eigenheer In-Fólio
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(Para o jornalista Eurico Pinheiro)

Viver, sofrer e sonhar,
Carpindo dores secretas,
Passam a vida a cantar
Como as cigarras os poetas.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Enquanto a lira suspira,
O seu coração se inclina.
Sua alma nobre se inspira
Em fonte mais cristalina.

E como boêmio a viver,
De Glórias, Sonhos, Visões...
Nosso sempiterno sofrer
Neste mundo de ilusões,

É o supremo sonhador,
O ser mais indiferente
Com prazer recebe a Dor
Que o martiriza inclemente.

Cantando, vai delirando,
Na febre interna de amores,
De vida, talvez, lembrando
Passado cheio de flores.

Torna-se sábio, aventura
E novos sonhos conquista...
Que lhe importa a desventura
Se tem uma alma de artista?
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Lourenço de Araújo — Poeta e Boêmio (Notas sobre o Café Paris, o Cenáculo Fluminense de História e Letras e a revista Noite e Dia), Organização, Apresentação e Traços Biobibliográficos de Emílio Maciel Eigenheer, 2010, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Lourenço de Araújo (1896 1967), fluminense de Niterói, formado em Farmácia pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, havendo indicações de que também tenha estudado Filosofia, foi jornalista, indianista, farmacêutico militar, poeta e boêmio freqüentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; como jornalista, colaborou com assiduidade em inúmeros periódicos, nos quais publicava seus versos, crônicas e assinava colunas literárias e sociais: em Niterói foram os jornais A Cidade, Diário da Manhã, A Tribuna, Diário Fluminense, O Farol, etc e as revistas Icaraí, Illustração Fluminense, Tesoura e Goma, Royal Revista e Noite e Dia, no Rio, os jornais O Combate, Correio da Manhã, Gazeta de Bangu, O Garafunho, e as revistas A Dona de Casa, A Malandrinha, Revista da Semana, Revista Souza Cruz entre outras, além de publicações em jornais de outras praças fluminenses, paraenses, mineiras e também gaúcha; bibliografia: Funeral do Sonho (versos, 1928), Suave Loucura (versos, 1929), No Hospital (versos, 1931), Tapera da Minha Taba — versos de Frei Lourenço da Renúncia (1948), Aleluia (versos, 1949), Eu vi... o Brasil Brasileiro (ensaio de brasilidade, 1956), Trovas (1967) e outros.