____________________
Passai, tristes fantasmas! O que é feito
das mulheres que amei, gentis e puras,
umas devoram negras amarguras,
repousam outras em marmóreo leito!
Outras no encalço de fatal proveito
buscam à noite as saturnais escuras,
onde empenhando as murchas formosuras
ao demônio do ouro rendem preito!
Todas sem mais amor, sem mais paixões!
Mais uma fibra trêmula e sentida!
Mais um leve calor nos corações!
Pálidas sombras de ilusão perdida,
minh’alma está deserta de emoções,
passai, passai, não me poupeis a vida!
* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro
deste Verso e Conversa: Sergio Faraco, organizador deste 60 Poetas Trágicos,
registra acerca de Fagundes Varela: “ [...] se casou com uma artista de circo,
escandalizando sua família conservadora. Com a morte prematura do filho, a má
saúde da esposa e as agruras da subsistência, recorreu ao álcool e sua vida se
desregrou. Em 1865, o pai o enviou para Recife e lá cursou o 3º ano do Direito,
mas com a morte da esposa, que ficara em São Paulo, retornou e, entre uma
bebedeira e outra, inscreveu-se no 4º ano. Logo desistiu e, em 1866, voltou a
morar com os pais. Em 1869 casou-se com uma prima, com a qual teve duas meninas
e outro menino, que também faleceu. Já residia em Niterói, onde morreria aos 33
anos de apoplexia. Nome celebrado de nosso romantismo, era um poeta eclético.
Segundo o professor Celso Luft, era naturista e indianista como Gonçalves Dias,
byroniano como Álvares Penteado e poeta social como Castro Alves.”
____________________
60
Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos
de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Luís Nicolau Fagundes
Varela (1841 — 1875), nascido em Rio Claro — RJ, ingressou na Faculdade de Direito
de São Paulo (atual USP — Largo São Francisco) e na Faculdade de Direito de Recife,
abandonou os estudos no 4º ano, foi poeta romântico e boêmio inveterado; é considerado
um dos expoentes da poesia brasileira em seu tempo (terceira geração do Romantismo);
obras poéticas: Noturnas (1860), Vozes da América (1864), Pendão Auri-verde (poemas
patrióticos), Cantos e Fantasias (1865), Cantos Meridionais (1869), Cantos do Ermo
e da Cidade (1869), Anchieta ou O Evangelho nas Selvas (publicação póstuma, 1875),
Obras Completas — 3 volumes (1886?, Editora Garnier, Le Havre — França); morreu
de alcoolismo.











