Tanto mais perto quanto mais distante
— Eis a face do amor, em seu feitio
De ser longo e perene como um rio,
Ou vário, belo e estranho a cada instante.
Iluminado, o amor é qual navio
Aumentando a beleza do horizonte.
E mais veraz será se bem galante
Jamais sentir desânimo ou fastio.
Ao renovar-se permanece igual
À voz do vilancete ou madrigal
Há tanto ouvida e cada vez mais viva.
Luz que nos vem salvar da solidão,
Transmuda-se em saudades ou canção
E preso a ela estou, de alma cativa.
A Noite em Babylônia e Outros
Relatos ao Eterno (1998)
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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 40, Seleção e Prefácio de Luciano Rosa, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2010, São Paulo — SP; Artur Eduardo Benevides, cearense de Pacatuba, nascido em 1923, bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Ceará, licenciou-se em Letras e foi professor titular de Literatura Brasileira da Faculdade de Letras da UFC — Universidade Federal do Ceará; poeta, ensaísta e contista, escreveu e publicou Navio da Noite (1944), A Valsa e a Fonte (1950), Canção da Rosa dos Ventos (1969), Viola de Andarilho (1975), Canto de Amor ao Ceará (1975), As Deltas do Sono e o Navegar das Tardes em Setembro (1988, Prêmio Olavo Bilac da Academia brasileira de Letras e Prêmio Bienal Nestlé) entre outros.