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[traduzido por Antonio Risério]
A morte que alguém espera
A morte que alguém afasta
A morte que vai pelo caminho
A morte que vem taciturna
A morte que acende os castiçais
A morte que se senta nas montanhas
A morte que abre a janela
A morte que apaga os faróis
A morte que aperta a garganta
A morte que tranca os rins
A morte que parte a cabeça
A morte que morde as entranhas
A morte que não sabe se deve cantar
A morte que alguém entreabre
A morte que alguém faz sorrir
A morte que alguém faz chorar
A morte que não pode viver sem nós
A morte que vem no galope do cavalo
A morte que chove em grandes estampidos
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| Vicente Huidobro |
La muerte que alguien espera
La muerte que alguien espera
La muerte que alguien aleja
La muerte que va por el camino
La muerte que viene taciturna
La muerte que enciende las bujías
La muerte que se sienta en las montañas
La muerte que abre la ventana
La muerte que apaga los faroles
La muerte que aprieta la garganta
La muerte que cierra los riñones
La muerte que rompe la cabeza
La muerte que muerde las entrañas
La muerte que no sabe si debe cantar
La muerte que alguien entreabre
La muerte que alguien hace sonreir
La muerte que alguien hace llorar
La muerte que no puede vivir
sin nosotros
La muerte que viene al galope
del caballo
La muerte que llueve en grandes estampidos
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Altazor e outros poemas — Vicente
Huidobro, Tradução e Seleção de Antonio Risério e Paulo César Souza e
Apresentação de Antonio Risério, Coleção Toda Poesia 11, Edição bilíngue,
1991, Art Editora, São Paulo — SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 — 1948), chileno
de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta
passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha
e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve
participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de
Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo
poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e
uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual;
bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e
Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las
pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos
em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour
Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio
Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje em paracaídas (1931), Sátiro,
o El poder de las palabras (1939), e tantos outros títulos; Huidobro
escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou
com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em
conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle
Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa
Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para
o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina,
foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se
nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França,
transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi
militante do partido comunista chileno.


