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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Vicente Huidobro: A morte que alguém espera

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[traduzido por Antonio Risério]

A morte que alguém espera
A morte que alguém afasta
A morte que vai pelo caminho
A morte que vem taciturna
A morte que acende os castiçais
A morte que se senta nas montanhas
A morte que abre a janela
A morte que apaga os faróis
A morte que aperta a garganta
A morte que tranca os rins
A morte que parte a cabeça
A morte que morde as entranhas
A morte que não sabe se deve cantar
A morte que alguém entreabre
A morte que alguém faz sorrir
A morte que alguém faz chorar

A morte que não pode viver sem nós

A morte que vem no galope do cavalo
A morte que chove em grandes estampidos

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Vicente Huidobro

La muerte que alguien espera

La muerte que alguien espera
La muerte que alguien aleja
La muerte que va por el camino
La muerte que viene taciturna
La muerte que enciende las bujías
La muerte que se sienta en las montañas
La muerte que abre la ventana
La muerte que apaga los faroles
La muerte que aprieta la garganta
La muerte que cierra los riñones
La muerte que rompe la cabeza
La muerte que muerde las entrañas
La muerte que no sabe si debe cantar
La muerte que alguien entreabre
La muerte que alguien hace sonreir
La muerte que alguien hace llorar

La muerte que no puede vivir sin nosotros

La muerte que viene al galope del caballo
La muerte que llueve en grandes estampidos
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Altazor e outros poemas — Vicente Huidobro, Tradução e Seleção de Antonio Risério e Paulo César Souza e Apresentação de Antonio Risério, Coleção Toda Poesia 11, Edição bilíngue, 1991, Art Editora, São Paulo — SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticosEcuatorialTour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje em paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras  (1939), e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau  (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa JovenAzul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Vicente Huidobro: No

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[traduzido por Antonio Risério]

O coração do pássaro
O coração que brilha no pássaro
O coração da noite
A noite do pássaro
O pássaro do coração da noite

Se a noite cantasse no pássaro
No pássaro esquecido no céu
O céu perdido na noite
Te diria o que há no coração que brilha no pássaro

A noite perdida no céu
O céu perdido no pássaro
O pássaro perdido no olvido do pássaro
A noite perdida na noite
O céu perdido no céu

Mas o coração é o coração do coração
E fala pela boca do coração

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Vicente Huidobro

En

El corazón del pájaro
El corazón que brilla en el pájaro
El corazón de la noche
La noche del pájaro
El pájaro del corazón de la noche

Si la noche cantara en el pájaro
En el pájaro olvidado en el cielo
El cielo perdido en la noche
Te diría lo que hay en el corazón que bulle en el pájaro

La noche perdida en el cielo
El cielo perdido en el pájaro
El pájaro perdido en el olvido del pájaro
La noche perdida en la noche
El cielo perdido en el cielo

Pero el corazón es el corazón del corazón
Y habla por la boca del corazón
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Altazor e outros poemas — Vicente Huidobro, Tradução e Seleção de Antonio Risério e Paulo César Souza e Apresentação de Antonio Risério, Coleção Toda Poesia 11, Edição bilíngue, 1991, Art Editora, São Paulo —  SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, EcuatorialTour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje em paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras  (1939), e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud L’Esprit Noveau  (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa JovenAzul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

sábado, 30 de junho de 2018

Vicente Huidobro: . . . Rangem as rodas da terra e vou andando a cavalo em minha morte . . . [Altazor, Canto I, excerto]

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[traduzido por Antonio Risério e Paulo César Souza]

Rangem as rodas da terra
E vou andando a cavalo em minha morte
Vou colado à minha morte como um pássaro ao céu
Como uma data na árvore que cresce
Como o nome na carta que envio
Vou colado à minha morte
Vou pela vida colado à minha morte
Apoiado no bastão de meu esqueleto

O sol nasce em meu olho direito e se põe no meu olho esquerdo
Em minha infância uma infância ardente como um álcool
Me sentava nos caminhos da noite
A escutar a eloquência das estrelas
E a oratória da árvore
Agora a indiferença neva na tarde de minha alma
Abram-se em espigas as estrelas
Parta-se a lua em mil espelhos
Volte a árvore ao ninho de sua amêndoa
Só quero saber por quê
Por quê
Por quê
Sou protesto e arranho o infinito com minhas garras
E grito e gemo com miseráveis gritos oceânicos
O eco de minha voz faz troar o caos

Sou desmesurado cósmico
As pedras as plantas as montanhas
Me saúdam. As abelhas e os ratos
Os leões e as águias
Os astros os crepúsculos as auroras
Os rios e as selvas me perguntam
Que tal como está você?
E enquanto os astros e as ondas tenham algo a dizer
Será por minha boca que falarão aos homens

Vicente huidobro.jpg
Vicente Huidobro

Crujen las ruedas de la tierra
Y voy andando a caballo en mi muerte
Voy pegado a mi muerte como un pájaro al cielo
Como una fecha en el árbol que crece
Como el nombre en la carta que envío
Voy pegado a mi muerte
Voy por la vida pegado a mi muerte
Apoyado en el bastón de mi esqueleto

El sol nace en mi ojo derecho y se pone en mi ojo izquierdo
En mi infancia una infancia ardiente como un alcohol
Me sentaba en los caminos de la noche
A escuchar la elocuencia de las estrellas
Y la oratoria del árbol
Ahora la indiferencia nieva en la tarde de mi alma
Rómpanse en espigas las estrellas
Pártase la luna en mil espejos
Vuelva el árbol al nido de su almendra
Sólo quiero saber por qué
Por qué
Por qué
Soy protesta y araño el infinito con mis garras
Y grito y gimo con miserables gritos oceánicos
El eco de mi voz hace tronar el caos

Soy desmesurado cósmico
Las piedras las plantas las montañas
Me saludan. Las abejas las ratas
Los leones y las águilas
Los astros los crepúsculos las albas
Los ríos y las selvas me preguntan
¿Qué tal cómo está Ud.?
Y mientras los astros y las olas tengan algo que decir
Será por mi boca que hablarán a los hombres
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Altazor e outros poemas — Vicente Huidobro, Tradução e Seleção de Antonio Risério e Paulo César Souza e Apresentação de Antonio Risério, Coleção Toda Poesia 11, Edição bilíngue, 1991, Art Editora, São Paulo —  SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), AdánEl espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje em paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939), e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas  Musa JovenAzul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para a rádio Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

domingo, 3 de junho de 2018

Vicente Huidobro: Arte poética

Resultado de imagem para vicente huidobro poesia
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[traduzido por Paulo César Souza]

Que o verso seja como uma chave
Que abra mil portas.
Uma folha cai; algo passa voando;
O que os olhos enxerguem, criado seja,
E que a alma do ouvinte fique a tremer.

Inventa novos mundos e cuida de tua palavra;
O adjetivo, quando não dá vida, mata.

Estamos no ciclo dos nervos.
O músculo pende,
Como lembrança, nos museus;
Mas nem por isso teremos menos força:
O vigor verdadeiro
Reside na cabeça.

Por que cantais a rosa, ó Poetas!
Fazei-a florescer no poema;
Apenas para nós
Vive as coisas sob o Sol.

O poeta é um pequeno Deus.

Vicente huidobro.jpg
Vicente Huidobro

Arte poética

Que el verso sea como una llave
Que abra mil puertas.
Una hoja cae; algo pasa volando;
Cuanto miren los ojos creado sea,
Y el alma del oyente quede temblando.

Inventa mundos nuevos y cuida tu palabra;
El adjetivo, cuando no da vida, mata.

Estamos en el ciclo de los nervios.
El músculo cuelga,
Como recuerdo, en los museos;
Mas no por eso tenemos menos fuerza:
El vigor verdadero
Reside en la cabeza.

Por qué cantáis la rosa, ¡oh, Poetas!
Hacedla florecer en el poema;
Sólo para nosotros
Viven las cosas bajo el Sol.

El Poeta es un pequeño Dios.
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Altazor e outros poemas Vicente Huidobro, Tradução e Seleção de Antonio Risério e Paulo César Souza e Apresentação de Antonio Risério, Coleção Toda Poesia 11, Edição bilíngue, 1991, Art Editora, São Paulo SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia da vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje em paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palavras (1939), e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.