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domingo, 1 de junho de 2025

Desanka Maksimović: Para as inférteis

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[traduzido por Aleksandar Jovanović *]

Peço comiseração
pelas mulheres que não deram
nem a Deus o que é divino nem a César o que é de César,
para as que não embalaram
uma criança no berço,
para as mulheres
que diante de si próprias levam transparências
de sonhos e devaneando ficam,
em cujas veias somente os poemas ecoam,
para aquelas cujos corações multiplicam
odores e de água torrentes,
cujos colos estão povoados apenas de nuvens,
para as que fazem ninhos sobre a terra, como pássaros,
e, feito flores aquáticas, geram belezas.
Para todo aquele que sai da ordem
do cotidiano,
habitual,
que semi-cego erra
para fora da secular estrada.

Peço clemência, imperador querido,
para aquelas que desde a tenra juventude
se apaixonaram pelo império da poesia,
para aquelas que sempre tremulam, feito bétulas,
e que o luar perseguem, feito barcarolas,
para Iefímia,**
para Santa Tereza,
para todas as Safos,
e lovankas de Arak,
para todas as esquivas e inacabadas,
e para mim também.

Desanka Maksimović

Za nerotkinje

Blagorazumevanje tražim
za žene koje nisu dale
bogu božjje ni caru carevo,
koje nisu zanihale
u kolevci dete,
za neblagoslovene,
za žene
koje pred sobom nose transparente
snova i mašte,
u čijem krvotoku samo pesme šume,
za one čija srca plode
mirisi i žubori vode,
čija su naručja puna samo oblaka,
koje kao ptice nad zemljom prave gnezda
i vodeno cveće lepote rode.
Za svakoga koji izlazi iz reda
svakodnevna,
naviknuta,
koji opčinjen luta
nekud van druma drevna.

Tražim pomilovanje, dragi care,
za one koji su od mladosti rane
privolele se carstvu poezije,
koji trepere vazdan kao breze
i mesečinom se zanose kao barka,
za Jefimije,
za svete Tereze,
za svaku Safo,
za Jovanku od Arka,
za sve zanete i nedovršene,
i za mene.

Notas:
* do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
     “O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.
     Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.
** do organizador e tradutor Aleksandar Jovanović: referência a Iefímia Menhatvchevitch (aproximadamente 1349 — 1404), primeira poetisa em servo-croata e monja.
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia) — [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados, por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović, 1987, Editora Meca, São Paulo — SP; Desanka Maksimović (1898 1993), nascida em Rábrovo Valjevo, Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois, Reino da Iugoslávia, hoje Sérvia), estudou no Departamento de Literatura Mundial, História Geral, História da Arte e Literatura Comparada na Universidade de Belgrado Sérvia, e na Sorbonne Paris, foi poetisa, contadora de histórias, romancista, escritora infantil, professora e tradutora; em 1920, ainda estudante, teve seus primeiros poemas publicados na revista literária Misao (Pensamento); obteve reconhecimento acentuado no ambiente literário sérvio com a publicação de seus poemas no jornal “mais respeitado e influente de Belgrado”, o Srpski knjizevni glasnik (Boletim Literário Sérvio), e teve vários de seus poemas publicados “em forma de livro em uma antologia de poesia lírica iugoslava”; em 1927, a revista Misao foi responsável pela publicação de sua primeira obra, Vrt detinjstva (O jardim da infância, poemas infantis); Desanka Maksimović lecionou em escolas secundárias de Dubrovnik e Belgrado, aposentou-se involuntariamente no início da segunda guerra com a invasão das tropas nazistas e fascistas, voltou a lecionar em 1944 na mesma escola de Belgrado, Primeira Escola Secundária Feminina, e ali, em 1953, se aposentou em definitivo; traduziu poemas e outros textos dos idiomas russo, esloveno, búlgaro e francês, entre os quais de Chekhov, Dostoiévski, Pushkin, Anna Akhmatova e Balzac; suas obras: publicou mais de 50 livros Pesme (coleção de poemas, 1924), Vrt detinjstva, pesme (O jardim da infância, poemas, 1927), Srce lutke spavaljke i druge priče za decu (O coração da boneca adormecida e outras histórias para crianças, 1931, 1943), Pesnik i zavicaj (coleção de poemas, O Poeta e sua Terra Nativa, 1946), Tražim pomilovanje, lirska diskusija s Dušanovim zakonikom (Eu busco clemência, discussão lírica com o código de Dušan, 1964), Nemam više vremena, pesme (Não tenho mais tempo, canções, poemas, 1973), Letopis Perunovih potomaka, pesme (Anais dos Descendentes de Perun, poemas, 1976), Pesme iz Norveške (Canções da Noruega, 1976), Bajke za decu (Contos de fadas para crianças, 1977), Snimci iz Svajcarske (livro de viagens, Snapshots from Suíça [Imagens da Suiça], 1978), Ničija zemlja (Terras de ninguém, 1979), Vetrova uspavanka, pesme za decu (Canção de ninar do vento, canções para crianças, 1983), Pamtiću sve (Eu lembrarei de tudo, coleção de poemas, 1988) ...; a poeta foi eleita para a Academia Sérvia de Ciências e Artes, primeiro como membro correspondente, depois como membro regular; Desanka Maksimović teve obras reimpressas, outras novamente editadas, muitas traduzidas para o russo e outras línguas eslavas, como também para o inglês, francês, alemão, húngaro/magiar, norueguês, português e espanhol; recebeu várias premiações e honrarias por sua atividade literária.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Desanka Maksimović: Lenda sangrenta

 
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[traduzido por Aleksandar Jovanović *]

Era uma vez, uma certa nação de campesinos
nos Balcãs alcandorados.
E, em grupo, escolares pequeninos,
morreram supliciados,
no mesmo dia.

Todos nasceram
no mesmo dia
todos os seus dias letivos corriam por igual
todos eram conduzidos
às mesmas cerimônias
todos eram vacinados contra as mesma doenças
todos morreram no mesmo dia.

Era uma vez, uma certa nação de campesinos
nos Balcãs alcandorados
E, em grupo, escolares pequeninos
morreram supliciados,
no mesmo dia.

E cinquenta e cinco minutos
antes do fatal instante
o grupo de pequeninos
sentava-se nos bancos escolares
e resolvia os mesmo difíceis problemas:
“Quanto um viajante anda a pé, se . . . “.
Os seus pensamentos estavam povoados
pelos mesmo números
e dentro das malas os cadernos
estavam repletos de inúmeras
notas dez e quatro.
Um punhado dos mesmos sonhos
dos mesmo segredos
patrióticos ou amorosos
eles apertavam no fundo dos bolsos.
E todos tinham a impressão
de que longamente
correriam sob o azul do firmamento
enquanto todas as lições deste mundo
não tivessem sido resolvidas.

Era uma vez uma certa nação de campesinos
nos Balcãs alcandorados.
E, em grupo, escolares pequeninos
morreram de morte heróica,
no mesmo dia.

Desanka Maksimović

Krvava Bajka **

Bilo je to u nekoj zemlji seljaka
na brdovitom Balkanu,
umrla je mučeničkom smrću
četa djaka
u jednom danu.

Iste su godine
svi bili rodjeni,
isto su im tekli školski dani,
na iste svečanosti
zajedno su vodjeni,
od istih bolesti svi pelcovani,
i svi umrli u istom danu.

Bilo je to u nekoj zemlji seljaka
na brdovitom Balkanu,
umrla je mučeničkom smrću
četa djaka
u jednom danu.

A pedeset i pet minuta
pre smrtnog trena
sedela je u djačkoj klupi
četa malena
i iste zadatke teške
rešavala: koliko može
putnik ako ide peške…
i tako redom.
Misli su im bile pune
i po sveskama u školskoj torbi
besmisleno ležalo je bezbroj
petica i dvojki.
Pregršt istih snova
i istih tajni
rodoljubivih i ljubavnih
stiskali su u dnu džepova.
I činilo se svakom
da će dugo
da će vrle dugo
trčati ispod svoda plava
dok sve zadatke na svetu
ne posvršava.

Bilo je to u nekoj zemlji seljaka
na brdovitom Balkanu,
umrla je junačkom smrću
četa djaka
u istom danu.

[Dečaka redovi celi
uzeli se za ruke
i sa školskog zadnjeg časa
na streljanje pošli mirno,
kao da smrt nije ništa.

Drugova redovi celi
istog časa se uzneli
do večnog boravišta.] ***

Notas do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa:
* O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
     “O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.
     Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.
** Após pesquisa ‘gogleana’ nem tão aleatória, este aprendiz de pesquisador relata que o poema Krvava bajka (Lenda Sangrenta/Conto de fadas sangrento) veio à luz quando a poeta Desanka Maksimović “ouviu sobre o tiroteio de crianças em idade escolar, ocorrido em 21 de outubro de 1941, em Kragujevac”, no decorrer da segunda guerra, quando a Sérvia fora/estava ocupada pelas tropas nazistas alemãs; à época, naquela região imperava a ordem de um general nazista pela qual “para cada soldado alemão morto, 100 sérvios deveriam ser executados, e para cada soldado alemão ferido, outros 50 sérvios também sofreriam execução”; só em Kragujevac, ‘em retaliação aos mortos alemães”, foram executados naquele outubro “2.379 sérvios”, dentre os quais três centenas de estudantes do ensino médio da 5ª à 8ª série ; “em memória do terrível crime, em Kragujevac realiza-se todos os anos a Grande Hora Escolar.”.
*** O poema Krvava Bajka, por esta tradução de Aleksandar Jovanović, é composto de 45 versos distribuídos em 5 estrofes; também por pesquisa ‘googleana’, sabe-se que há mais duas estrofes finais do poema, ora transcritas e traduzidas ‘googleanamente’ e de maneira absolutamente ‘provisória’:
[“Fileiras de meninos
eles pegaram as mãos um do outro
e da última aula da escola
foram para o tiroteio com calma,
como se a morte não fosse nada.

As fileiras do camarada estão inteiras
eles subiram ao mesmo tempo
para a morada eterna.”]
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia) — [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados, por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović, 1987, Editora Meca, São Paulo — SP; Desanka Maksimović (1898 1993), nascida em Rábrovo Valjevo, Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois, Reino da Iugoslávia, hoje Sérvia), estudou no Departamento de Literatura Mundial, História Geral, História da Arte e Literatura Comparada na Universidade de Belgrado Sérvia, e na Sorbonne Paris, foi poetisa, contadora de histórias, romancista, escritora infantil, professora e tradutora; em 1920, ainda estudante, teve seus primeiros poemas publicados na revista literária Misao (Pensamento); obteve reconhecimento acentuado no ambiente literário sérvio com a publicação de seus poemas no jornal “mais respeitado e influente de Belgrado”, o Srpski knjizevni glasnik (Boletim Literário Sérvio), e teve vários de seus poemas publicados “em forma de livro em uma antologia de poesia lírica iugoslava”; em 1927, a revista Misao foi responsável pela publicação de sua primeira obra, Vrt detinjstva (O jardim da infância, poemas infantis); Desanka Maksimović lecionou em escolas secundárias de Dubrovnik e Belgrado, aposentou-se involuntariamente no início da segunda guerra com a invasão das tropas nazistas e fascistas, voltou a lecionar em 1944 na mesma escola de Belgrado, Primeira Escola Secundária Feminina, e ali, em 1953, se aposentou em definitivo; traduziu poemas e outros textos dos idiomas russo, esloveno, búlgaro e francês, entre os quais de Chekhov, Dostoiévski, Pushkin, Anna Akhmatova e Balzac; suas obras: publicou mais de 50 livros Pesme (coleção de poemas, 1924), Vrt detinjstva, pesme (O jardim da infância, poemas, 1927), Srce lutke spavaljke i druge priče za decu (O coração da boneca adormecida e outras histórias para crianças, 1931, 1943), Pesnik i zavicaj (coleção de poemas, O Poeta e sua Terra Nativa, 1946), Tražim pomilovanje, lirska diskusija s Dušanovim zakonikom (Eu busco clemência, discussão lírica com o código de Dušan, 1964), Nemam više vremena, pesme (Não tenho mais tempo, canções, poemas, 1973), Letopis Perunovih potomaka, pesme (Anais dos Descendentes de Perun, poemas, 1976), Pesme iz Norveške (Canções da Noruega, 1976), Bajke za decu (Contos de fadas para crianças, 1977), Snimci iz Svajcarske (livro de viagens, Snapshots from Suíça [Imagens da Suiça], 1978), Ničija zemlja (Terras de ninguém, 1979), Vetrova uspavanka, pesme za decu (Canção de ninar do vento, canções para crianças, 1983), Pamtiću sve (Eu lembrarei de tudo, coleção de poemas, 1988) ...; a poeta foi eleita para a Academia Sérvia de Ciências e Artes, primeiro como membro correspondente, depois como membro regular; Desanka Maksimović teve obras reimpressas, outras novamente editadas, muitas traduzidas para o russo e outras línguas eslavas, como também para o inglês, francês, alemão, húngaro/magiar, norueguês, português e espanhol; recebeu várias premiações e honrarias por sua atividade literária.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Desanka Maksimović: Para as Marias Madalenas

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[traduzido por Aleksandar Jovanović *]

O imperador Dúshan**,
peço comiseração
para as mulheres empedradas,
para o seu cúmplice, o negro noturno,
para o odor da criançada e para os galhos
em que quedaram embebedadas
feito codorna e perdizes
para as suas desprezadas vidas,
indignas de enternecimento,
para as suas torturas amorosas.

Peço comiseração para o luar e para os lenços
de couro delas,
para os seus crepúsculos,
para as tempestades de cabelos desgrenhados,
para a mão galharia prateada,
para os seus amores desnudos,
e amaldiçoados,
para as Marias Madalenas.

Desanka Maksimović

Za Marije Magdalene

Care Dušane,
tražim pomilovanje
za žene kamenovane,
za njine saučesnice, pomrčine noći,
za miris deteline i granje
gde su pale opijene
kao prepelice i šljuke,
za njine živote prezrene,
za, neudostojene samilosti,
ljubavne njihove muke.

Tražim pomilovanje
za mesečinu i rubine
kože njine,
za njene sumrake,
za pljuskove kose raspletene,
za ruku srebrno granje,
za njine ljubavi neudostojene
i proklete
za Marije Magdalene.

Notas:
* do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
     “O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.
     Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.
** do tradutor Aleksandar Jovanović: Alusão a Dúchan [Dúsan], o Forte, imperador da Sérvia, entre 1331 e 1355.
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia) — [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados, por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović, 1987, Editora Meca, São Paulo — SP; Desanka Maksimović (1898 1993), nascida em Rábrovo Valjevo, Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois, Reino da Iugoslávia, hoje Sérvia), estudou no Departamento de Literatura Mundial, História Geral, História da Arte e Literatura Comparada na Universidade de Belgrado Sérvia, e na Sorbonne Paris, foi poetisa, contadora de histórias, romancista, escritora infantil, professora e tradutora; em 1920, ainda estudante, teve seus primeiros poemas publicados na revista literária Misao (Pensamento); obteve reconhecimento acentuado no ambiente literário sérvio com a publicação de seus poemas no jornal “mais respeitado e influente de Belgrado”, o Srpski knjizevni glasnik (Boletim Literário Sérvio), e teve vários de seus poemas publicados “em forma de livro em uma antologia de poesia lírica iugoslava”; em 1927, a revista Misao foi responsável pela publicação de sua primeira obra, Vrt detinjstva (O jardim da infância, poemas infantis); Desanka Maksimović lecionou em escolas secundárias de Dubrovnik e Belgrado, aposentou-se involuntariamente no início da segunda guerra com a invasão das tropas nazistas e fascistas, voltou a lecionar em 1944 na mesma escola de Belgrado, Primeira Escola Secundária Feminina, e ali, em 1953, se aposentou em definitivo; traduziu poemas e outros textos dos idiomas russo, esloveno, búlgaro e francês, entre os quais de Chekhov, Dostoiévski, Pushkin, Anna Akhmatova e Balzac; suas obras: publicou mais de 50 livros Pesme (coleção de poemas, 1924), Vrt detinjstva, pesme (O jardim da infância, poemas, 1927), Srce lutke spavaljke i druge priče za decu (O coração da boneca adormecida e outras histórias para crianças, 1931, 1943), Pesnik i zavicaj (coleção de poemas, O Poeta e sua Terra Nativa, 1946), Tražim pomilovanje, lirska diskusija s Dušanovim zakonikom (Eu busco clemência, discussão lírica com o código de Dušan, 1964), Nemam više vremena, pesme (Não tenho mais tempo, canções, poemas, 1973), Letopis Perunovih potomaka, pesme (Anais dos Descendentes de Perun, poemas, 1976), Pesme iz Norveške (Canções da Noruega, 1976), Bajke za decu (Contos de fadas para crianças, 1977), Snimci iz Svajcarske (livro de viagens, Snapshots from Suíça [Imagens da Suiça], 1978), Ničija zemlja (Terras de ninguém, 1979), Vetrova uspavanka, pesme za decu (Canção de ninar do vento, canções para crianças, 1983), Pamtiću sve (Eu lembrarei de tudo, coleção de poemas, 1988) ...; a poeta foi eleita para a Academia Sérvia de Ciências e Artes, primeiro como membro correspondente, depois como membro regular; Desanka Maksimović teve obras reimpressas, outras novamente editadas, muitas traduzidas para o russo e outras línguas eslavas, como também para o inglês, francês, alemão, húngaro/magiar, norueguês, português e espanhol; recebeu várias premiações e honrarias por sua atividade literária.