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quinta-feira, 17 de março de 2016

Manuel Quintão: Desprendimento

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Não me seduzem glórias nem riquezas,
Nem gozos, que, por belos, são mundanos,
Pois sei que de as perder as incertezas
São do espírito acúleos desumanos!

Prefiro ao ledo engano os desenganos,
Folgar da vida às rudes asperezas,
Viver em calma os passageiros anos,
Não sonhar com fantásticas grandezas.

Tenho por bem que se a ventura existe
Por mais que de a não ter o mal contriste,
De um mal maior por tê-la não sofremos.

Pois que de um bem o golpe neste mundo,
N’alma nos fere tanto mais profundo
Quanto maior é o bem que então perdemos!

biografia
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Sonetos Brasileiros — Séculos XVII ao XX, Coletânea organizada por Laudelino Freire, 1929, F. Briguiet & Cia. Editores, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Justiniano de Freitas Quintão (1874  1955), fluminense de Valença, cursou somente o primário, autodidata, foi jornalista, escritor e poeta; colaborou e publicou seus textos nos periódicos cariocas O País, O Malho, Revista da Semana, Rio Nu, e n’O Município, de Vassouras, cidade fluminense; escreveu O Cristo de Deus (1929) e outros; presidiu por vários períodos a Federação Espírita Brasileira na qual militou por mais de quatro décadas.