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Com a bolha* de dar cabo
da vida
andava Felizardo, um
pobre moço:
lembrou-lhe um nó de
corda no pescoço,
e no peito espetar faca
comprida.
Na cabeça, de siso
desprovida,
lembrou-lhe meter bala
ou chumbo grosso;
lembrou-lhe ir deitar a
um fundo poço,
deitar-se à onda do mar
embravecida.
Pensou lançar-se à rua,
do telhado,
atirar-se, dum pulo, a
horrível fogo,
engulir rosalgar** como
um danado...
Mas não se contentou com
este jogo;
medicina aprendeu, foi
aprovado,
receitou para si — e morreu
logo.
Lisboa, 1897.
Notas do organizador
Idel Becker:
* bolha (fam. Port.):
mania, tolice.
** rosalgar: nome vulgar
do óxido de arsênio, veneno muito violento.
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Humor e Humorismo — Poesias
e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961,
Editora Brasiliense, São Paulo — SP; acerca de Xinó, o organizador Idel Becker nos
expõe apenas tratar-se de “pseudônimo de um poeta humorístico português de fins
do século [XIX]. Versejava com facilidade e muita chispa.”; a quem trouxer mais traços biobibliográficos do poeta e quiser/puder compartilhar com este
blogue, fica o agradecimento expresso.
