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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Xinó: A mania do suicídio

 
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Com a bolha* de dar cabo da vida
andava Felizardo, um pobre moço:
lembrou-lhe um nó de corda no pescoço,
e no peito espetar faca comprida.

Na cabeça, de siso desprovida,
lembrou-lhe meter bala ou chumbo grosso;
lembrou-lhe ir deitar a um fundo poço,
deitar-se à onda do mar embravecida.

Pensou lançar-se à rua, do telhado,
atirar-se, dum pulo, a horrível fogo,
engulir rosalgar** como um danado...

Mas não se contentou com este jogo;
medicina aprendeu, foi aprovado,
receitou para si  e morreu logo.

Lisboa, 1897.

Notas do organizador Idel Becker:
* bolha (fam. Port.): mania, tolice.
** rosalgar: nome vulgar do óxido de arsênio, veneno muito violento.
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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; acerca de Xinó, o organizador Idel Becker nos expõe apenas tratar-se de “pseudônimo de um poeta humorístico português de fins do século [XIX]. Versejava com facilidade e muita chispa.”; a quem trouxer mais traços biobibliográficos do poeta e quiser/puder compartilhar com este blogue, fica o agradecimento expresso.