Mostrando postagens com marcador Ignácio José de Alvarenga Peixoto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ignácio José de Alvarenga Peixoto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Alvarenga Peixoto: Lira [A Bárbara Heliodora]

 
____________________
(A Bárbara Heliodora, sua esposa, remetida do cárcere da Ilha das Cobras)

     Bárbara bela
Do Norte estrela
Que o meu destino
Sabes guiar.
De ti ausente
Triste somente
As horas passo
A suspirar.
                Isto é castigo
                Que Amor me dá.
     Por entre as penhas
De incultas brenhas
Cansa-me a vista
De te buscar.
Porém não vejo
Mais que o desejo
Sem esperança
De te encontrar.
                Isto é castigo
                Que Amor me dá.
     Eu bem queria
A noite e o dia
Sempre contigo
Poder passar.
Mas orgulhosa
Sorte invejosa
Desta fortuna
Me quer privar.
                Isto é castigo
                Que Amor me dá.
     Tu entre os braços
Ternos abraços
Da filha amada
Podes gozar.
Priva-me a estrela
De ti e dela;
Busca dois modos
De me matar.
                Isto é castigo
                Que Amor me dá.

____________________
Poesia infantil e juvenil brasileira — Uma ciranda sem fim [ensaios/estudos de vários autores], Organização e Apresentação de Vera Teixeira de Aguiar e João Luís Ceccantini, 2012, Associação Núcleo Editorial Proleitura (ANEP), Cultura Acadêmica Editora, São Paulo — SP; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744 1793), nasceu no Rio de Janeiro, poeta, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Alvarenga Peixoto: Estela e Nize


____________________
Eu vi a linda Estela, e enamorado
Fiz logo eterno voto de querê-la;
Mas vi depois a Nize, e a achei tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.

A qual escolherei, se neste estado
Não posso distinguir Nize de Estela?
Se Nize vir aqui, morro por ela;
Se Estela agora vir, fico abrasado.

Mas, ah! que aquela me despreza amante,
Pois sabe que estou preso em outros braços,
E esta não me quer por inconstante.

Vem, Cupido, soltar-me desses laços,
Ou faz de dois semblantes um semblante,
Ou divide o meu peito em dois pedaços.

____________________
Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744 1793), nasceu no Rio de Janeiro, poeta, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve-os publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Alvarenga Peixoto: De açucenas e rosas misturadas . . . [soneto]

Resultado de imagem para roteiro da poesia brasileira arcadismo
____________________
De açucenas e rosas misturadas
Não se adornam as vossas faces belas,
Nem as formosas tranças são daquelas
Que dos raios do sol foram forjadas.

As meninas dos olhos delicadas,
Verde, preto ou azul não brilha nelas;
Mas o autor soberano das estrelas
Nenhumas fez a elas comparadas.

Ah, Jônia, as açucenas e as rosas,
A cor dos olhos e as tranças d'oiro
Podem fazer mil Ninfas melindrosas;

Porém quanto é caduco esse tesoiro:
Vós, sobre a sorte toda das formosas,
Inda ostentais na sábia frente o loiro!

Resultado de imagem para alvarenga peixoto
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira — Arcadismo, Seleção e Prefácio de Domício Proença Filho, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2006, São Paulo — SP; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744  1793), nasceu no Rio de Janeiro, poeta, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Alvarenga Peixoto: Chegai, Ninfa, chegai, chegai, pastores, . . . [soneto]

Resultado de imagem para roteiro da poesia brasileira arcadismo
____________________
Chegai, Ninfa, chegai, chegai, pastores,
Qu'inda que esconde Jônia as graças belas,
Márcia corre a cortina das estrelas,
Quando espalha no monte os resplandores.

Debaixo dos seus pés brotam as flores,
Quais brancas, quais azuis, quais amarelas;
E pelas próprias mãos lh'orna capelas,
Bem que invejosa, a deusa dos Amores.

Despe a serra os horrores da aspereza,
E as aves, que choravam até agora,
Acompanhando a Jônia na tristeza,

Já todas, ao raiar da nova aurora,
Cantam hinos em honra da beleza
De Márcia, gentilíssima pastora.

Resultado de imagem para alvarenga peixoto
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira — Arcadismo, Seleção e Prefácio de Domício Proença Filho, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2006, São Paulo — SP; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744  1793), nasceu no Rio de Janeiro, poeta, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Alvarenga Peixoto: Eu vi linda Jônia e, namorado, . . . [soneto]

Resultado de imagem para roteiro da poesia brasileira arcadismo
____________________
Eu vi a linda Jônia e, namorado,
Fiz logo voto eterno de querê-la;
Mas vi depois a Nise, e é tão bela,
Que merece igualmente o meu cuidado.

A qual escolherei, se, neste estado,
Eu não sei distinguir esta daquela?
Se Nise agora vir, morro por ela,
Se Jônia vir aqui, vivo abrasado.

Mas ah! que esta me despreza, amante,
Pois sabe que estou preso em outros braços,
E aquela me não quer, por inconstante.

Vem, Cupido, soltar-me destes laços:
Ou faze destes dois um só semblante,
Ou divide o meu peito em dois pedaços!

Resultado de imagem para alvarenga peixoto
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira — Arcadismo, Seleção e Prefácio de Domício Proença Filho, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2006, São Paulo — SP; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744  1793), nasceu no Rio de Janeiro, poeta, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Alvarenga Peixoto: A lástima

____________________
Na masmorra da Ilha das Cobras,
lembrando-se da família


Eu não lastimo o próximo perigo,
Nem a escura prisão estreita e forte;
Lastimo os caros filhos e a consorte,
A perda irreparável de um amigo.

A prisão não lastimo, outra vez digo,
Nem o ver iminente o duro corte;
É ventura também achar a morte
Quando a vida só serve de castigo.

Ah! quão depressa então acabar vira
Este sonho, este enredo, esta quimera,
Que passa por verdade e é mentira.

Se filhos e consorte não tivera,
E do amigo as virtudes possuíra,
Só de vida um momento não quisera.

____________________
Panorama da Poesia Brasileira, Volume I — Era Luso-brasileira, por Antonio Soares Amora, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744 — 1793), nasceu no Rio de Janeiro, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos, considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.

sábado, 18 de agosto de 2012

Alvarenga Peixoto: Não me aflige do potro a viva quina


(Nas masmorras da Ilha das Cobras lembrando-se da família)

Não me aflige do potro a viva quina;
Da férrea maça o golpe não me ofende;
Sobre as chamas a mão se não estende;
Não sofro do agulhete a ponta fina.

Grilhão pesado os passos não domina;
Cruel arrocho a testa me não fende;
À força perna ou braço se não rende;
Longa cadeia o colo não me inclina.

Água e pomo faminto não procuro;
Grossa pedra não cansa a humanidade;
A pássaro voraz eu não aturo.

Estes males não sinto, é bem verdade;
Porém sinto outro mal inda mais duro:
Da consorte e dos filhos a saudade!
____________________
Roteiro da Poesia Brasileira Arcadismo, Seleção e Prefácio de Domício Proença Filho, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2006, São Paulo SP; Ignácio José de Alvarenga Peixoto (1744 1793), nasceu no Rio de Janeiro, fez seus estudos no Colégio dos Jesuítas, também no Rio, e bacharelou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde também foi juiz; regressando ao Brasil, abandonou a advocacia para dedicar-se à indústria de mineração no vale do Sapucaí, sul de Minas Gerais; participante ativo da Conjuração Mineira, em 1789 foi preso e condenado ao degredo em terras africanas; morreu no exílio, em Angola; escreveu os poemas 'A Dona Bárbara Heliodora', 'A Maria Efigênia', 'Canto Genetlíaco' (1793), 'Estela e Nize', 'Eu Não Lastimo o Próximo Perigo', 'Eu Vi a Linda Jônia', 'Sonho Poético', entre outros; sua poesia, recolhida por Manuel Rodrigues Lapa, inscreve-se entre a dos poetas do Arcadismo e seus sonetos são considerados como alguns dos mais bem acabados daquele período; teve seus poemas publicados em Obras Poéticas de Ignácio José de Alvarenga Peixoto (Garnier, Rio de Janeiro, 1865), em edição de Joaquim Norberto de Souza e Silva.