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Amor com amor se
apaga
Amor quando domina é tão isento,
Que despreza as ações inda mais
finas,
Porque nem de finezas peregrinas
Se deixa suavizar o seu tormento.
Pois, como o raio, Amor, sempre
violento,
Demonstrações talvez fazendo
indignas,
Só se paga de estragos, e ruínas
Donde quer que respira o seu
alento.
Mas se o Amor tem de raio visos, logo
Não é muito que um peito, que ele
estraga,
Em outro Amor não tenha desafogo.
Qual do raio veloz, que os ares
vaga,
Só se chega a apagar com outro
fogo,
Assi’ um Amor com outro só se apaga.
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Poesia Barroca, Antologia — Introdução,
Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições
Melhoramentos, São Paulo — SP; a respeito de André de Figueiredo Mascarenhas,
escreve Péricles Eugênio nas notas bio-bibliográficas em Poesia Barroca: ‘No Catálogo Genealógico, de Frei Jaboatão, tit. Caramuru, apenas se diz: Padre
André de Figueiredo Mascarenhas, clérigo (aí a sua linhagem baiana). A informação
é de Pedro Calmon, que acrescentou: “Os sonetos laudatários que na Academia
recitou, são dos melhores incluídos nos seus códices”, Na verdade, André de
Figueiredo excele mesmo em sonetos não encomomiásticos. Poeta culto, de expressão
limpa e elegante, usa hipérbatos e sínquises, pratica ectlipeses, vale-se de
espanholismos. Em seu conceptismo, é dos melhores poetas dos Esquecidos. Cheio de
“agudeza” algo sofística, mas original’. É o que está registrado sobre o poeta.