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terça-feira, 16 de maio de 2017

Eduardo de Oliveira: Prisão que nos liberta

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para Rosa Parks

Eu me sinto, na terra, um prisioneiro
do teu ser, que é ternura e santidade;
de tua graça simples, sem vaidade,
que, sem querer, encanta o mundo inteiro.

Neste teu corpo em flor vejo primeiro,
sob as bençãos de tua castidade,
algo que lembra a própria divindade
da Mulher do mais Santo Carpinteiro.

Por teus méritos, hoje, me encarcero
neste amor, que é tão puro e tão sincero,
que é a mais doce de todas as prisões,

por ser uma prisão que nos liberta
do desastre de uma aventura incerta,
que infelicita os nosso corações!

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Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

domingo, 16 de abril de 2017

Eduardo de Oliveira: Carruagem de fogo

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para Lenice David Antunes

Quem for aos labirintos da memória,
escuros, como a velha catacumba,
há de acabar reconstruindo a história
desses heróis, que não tiveram tumba;

desses mártires, cuja voz retumba
como trombetas, lá, na eterna glória...
onde se encontra o sangue de Lumumba
e de Luíza Mahin, que vence a escória!

De cada esquina há de surgir um santo!
Novos guerreiros surgirão da praça
ao lado dos poetas e dos sábios!

Aí verão que tinham outro encanto,
os negros e os heróis de nossa raça,
nas palavras de fogo de seus lábios!

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Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Eduardo de Oliveira: Trabalho e Capital

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para Benedita da Silva

Desafiando o label da tirania
que exerce o Capital sobre o Trabalho,
operário que sou, eis que me valho
da Foice e do Martelo, noite e dia.

Unindo forças díspares me espalho
para desmantelar a confraria
desse conluio da patifaria
que me nega alimentos e agasalho.

Pois, contra essa falácia! Contra o esbulho
da minoria privilegiada,
hei de, sempre, lutar com muito orgulho,

dizendo-lhe que o Estado há de ser mais forte
para que a classe mais desamparada
seja capaz de suplantar a morte!


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Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro  sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958  1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Eduardo de Oliveira: Panfleto irreverente

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para João Paulo

Não me chamem de simples panfletário
pelo discurso cáustico que prego
na hora em que me apresento solidário
à causa do homem bom, a que me entrego!

Ao explorador, ao truculento nego
qualquer direito sobre o operário,
por quem sempre me bato e não sossego,
pois, eu sei quanto sangra em seu Calvário.

Diga-me, sim, que eu sou um combativo,
em meio à multidão de entes humanos,
para quem socialismo é o lenitivo

que  mais cedo ou mais tarde ainda há de vir
para acabar com todos os tiranos
que se antepõem às glórias do porvir.

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Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958  1968 (1970), Túnica de Ébano  sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio — cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

terça-feira, 21 de março de 2017

Eduardo de Oliveira: Classe média negra

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para Heitor dos Prazeres

De onde será que eu vim? Para onde é que eu vou
carregando esta dor que estou sentindo
e, que me vai, aos poucos, consumindo
o encanto de viver que me restou?

Esta angústia, que, então, dilacerou
meu peito, continua me ferindo,
enquanto algum demônio está sorrindo
só por saber que Deus me abandonou!

A existência do negro é uma tragédia!
Seu destino é o pior da classe média
nesse triste Brasil Capitalista.

Eu sofro muito ao ver a minha gente
toda ela, a padecer, como indigente,
em meio a essa opulência do paulista!

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Carrossel de Sonetos Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

domingo, 12 de março de 2017

Eduardo de Oliveira: Desterro

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para Langston Hughes

Para dizer-me negro eu não preciso
de dizer que sou negro, a toda hora
basta olhar em meu rosto, aqui e agora,
para ver que estou num  paraíso.

Dizem que eu sou um  homem sem juízo
sou alguém que pragueja enquanto chora.
Sou alguém que esbordoa, que apavora...
e a todos desfio num sorriso.

Agora, como alguém que morre à míngua
sem ter, aqui, jamais, seu próprio lar
nem de entender-se em sua própria língua,

vivo e padeço como um desterrado,
como um negro que nunca pode amar
porque, no mundo, nunca fora amado.

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Carrossel de Sonetos Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro  sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

domingo, 5 de março de 2017

Eduardo de Oliveira: Acorda, irmão

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para Santo Souza

Acorda, irmão, que é tempo de combate!
Há, nesta luta, um brilho flamejante
glorificando a fronte de um gigante
que a tudo vence porque não se abate.

Quem tem amor só pelo amor se bate!
Belo, viril, desbravador, triunfante,
apontas o caminho ao semelhante,
que busca o seu histórico resgate!

Acorda, herói, que é tempo de conquista,
para aquele que for rumo ao futuro,
que a alma dos grandes corações avista.

Para aquele que for de peito aberto,
levando a tocha de um ideal tão puro
ao Homem  esse animal que há de dar certo...

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Carrossel de Sonetos — Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro  sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Eduardo de Oliveira: Fim da "Democracia das Elites"

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para José Amaro Morais Machado

No cenário da vida nacional,
feito de inconfessáveis apetites,
as ambições feudais não têm limites
para nutrir um ventre escomunal!

Enxotemos, portanto, a esses convites
vindos da burguesia patronal!
É por isso que somos, afinal
contra a "Democracia das Elites"!

Maldito seja o neoliberalismo
despudorado e sem patriotismo,
que quer privatizar o "bem comum"

deixando ao povo, apenas a miséria,
sujeito ao frio e à fome deletéria
que hão de matar a todos, um a um!

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Carrossel de Sonetos Eduardo de Oliveira, Prefácio de Fernandes Neto e Apresentações de Eunice Aparecida de Jesus Prudente e Alípio Rocha Marcelino, 1994, Editora Pannartz São Paulo SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); escreveu e publicou Além do (1958), Ancoradouro sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1965), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.