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Já nada tenho do que outrora tive,
e noutros tempos muita coisa eu
tinha:
minh'Alma, agora, em desespero,
vive,
vivendo sem viver, triste e
sozinha.
Muito sorri e muita dor contive,
para que o Mundo vil não visse a
minha
grande e profunda Mágoa. E assim
estive,
a viver uma vida bem mesquinha.
Tudo perdi. Na noite do Passado,
apagou-se o fanal que me guiava,
no Céu do meu viver a fulgurar.
Agora, velho, trôpego, cansado,
espero, mas em vão, que d'Alma
escrava,
venha a Morte os grilhões
despedaçar.
(Livro Mau — 1895, págs. 85-86, Carlos
Morais & Cia. Editores, Rio de Janeiro .)
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Panorama da Poesia Brasileira,
Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Alberto Figueiredo Pimentel (1869 — 1914), fluminense de Macaé, foi jornalista, diplomata, tradutor, romancista,
cronista, contista e poeta; redigiu, por algum tempo, uma seção sobre letras
brasileiras para a Mercure de France, revista dos simbolistas franceses; no
Rio, redigia crônicas para o Gazeta de Notícias, na coluna ’Binóculo’; escreveu
e publicou Fototipias (poesia, 1893), O aborto, estudo naturalista (romance, 1893), Histórias da Carochinha, Livro mau (poesia, 1895), O terror dos
maridos (romance, 1897), Suicida (romance, 1895), Um canalha (romance, 1895), etc.; recolheu, compilou, traduziu e editou contos clássicos
da literatura universal (Perrault, Green, Andersen).