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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Anacreonte: XLI — Num banquete


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[traduzido por Almeida Cousin]

Festivos, vinho em taças cheias
Bebendo, alcemos libações
A Baco, amigo das coréias
E desejoso de canções!
De Eros constante companheiro,
Que à Citeréia traz ardores
E provém dele esses vapores
Da volutuosa embriaguez...
Nascem-lhe as Graças no roteiro;
Por ele a dor se esvai nos ares;
Vão-se as tristezas e pesares
E a angústia aquieta, de uma vez!...
Quando, no vaso de dois cornos,
O que beber moços me trazem,
Em fuga as ânsias se me esfazem,
Como procela aos vendavais...
Tomemos, pois, nos dedos mornos
A taça e fujam-nos cuidados!
Terás proveito ou resultados
Se do teu mal te queixa mais?
Donde te vem tão falso intento?!
Pois, se não há conhecimento
Do seu porvir, pelos mortais...
Prefiro, então, nas danças ir-me
Bêbedo e alegre; divertir-me
Junto às mulheres e ao carinho
Me abandonar, das seduções...  *
Molestas penas e canseira,
Para si tome-as quem as queira!...
Festivos, nós, bebendo vinho,
A Baco entoemos as canções!...

Anacreonte

[ΑΝΑΚΡΕΟΝΤΟΣ ΤΗΙΟΥ ΣΥΜΠΟΣΙΑΚΑ]

ΕΙΣ ΣΥΜΠΟΣΙΟΝ

ἱλαροὶ πίωμεν οἶνον,
ἀναμέλψομεν δὲ Βάκχον,
τὸν ἐφευρετὰν χορείας,
τὸν ὅλας ποθοῦντα μολπάς,
τὸν ὁμότροπον Ἐρώτων,
τὸν ἐρώμενον Κυθήρης,
δι’ ὃν ἡ Μέθη λοχεύθη,
δι’ ὃν ἡ Χάρις ἐτέχθη,
δι’ ὃν ἀμπαύεται Λύπα,
δι’ ὃν εὐνάζετ’ Ἀνία.
τὸ μὲν οὖν πῶμα κερασθὲν
ἁπαλοὶ φέρουσι παῖδες,
τὸ δ’ ἄχος πέφευγε μιχθὲν
ἀνεμοτρόφῳ θυέλλῃ.
τὸ μὲν οὖν πῶμα λάβωμεν,
τὰς δὲ φροντίδας μεθῶμεν·
τί γάρ ἐστί σοι <τὸ> κέρδος
ὀδυνωμένῳ μερίμναις;
πόθεν οἴδαμεν τὸ μέλλον;
ὁ βίος βροτοῖς ἄδηλος·
μεθύων θέλω χορεύειν,
μεμυρισμένος τε παίζειν . . .
μετὰ καὶ καλῶν γυναικῶν.
μελέτω δὲ τοῖς θέλουσι
ὅσον ἐστὶν ἐν μερίμναις.
 ἱλαροὶ πίωμεν οἶνον,
ἀναμέλψομεν δὲ Βάκχον.

* Nota deste Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página deixa registrado que, no “Prefácio da Primeira Edição” deste Odes de Anacreonte..., o tradutor Almeida Cousin relata o seguinte:
     “Sempre, porém, que aconteceu intercalar, por nossa conta, um verso inteiro, sem relação com o texto, tivemos o cuidado de marcá-lo com um asterisco (*) à margem, [...] Dispensamos entretanto o sinal (*), quando algum verso, aparentemente estranho, resulta do desdobramento de alguma idéia contida em gérmen por qualquer expressão do texto.
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Odes de Anacreonte [Anacreônteas] e suas Traduções — Almeida Cousin, Prefácios [da 1ª e 4ª edições], Tradução e Notas de [José Coelho de] Almeida Cousin, edição bilíngüe, 1982, 4ª edição, Editora Achiamé — Rio de Janeiro — RJ; Anacreonte (570 a.C. ? 488 a.C. ?), de origem jônica, nascido em Teos, na Ásia Menor, foi um poeta lírico grego; de sua biografia consta ter escrito diversos livros de poemas odes, epigramas, canções, elegias, etc. dos quais só nos é dado conhecer tão somente fragmentos; frise-se também que famosas odes a ele atribuídas foram de outros autores gregos que as escreviam à moda do Mestre jônico, daí a nomeação atual aceita de Odes Anacreônticas em vez de Odes de Anacreonte; pelo prefaciador e tradutor Almeida Cousin também ficamos sabendo que há críticos modernos que consideram como sendo de origem apócrifa toda a coletânea das Odes Anacreônticas.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Anacreonte: XLVII — O velho que dança


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[traduzido por Almeida Cousin]

Eu amo o velho prazenteiro,
E o moço a dançar tornozelos
Lestos movendo e o lesto pé. *
Um velho, quando está dançando,
Só tem de velhos os cabelos,
Pois que, na mente, um jovem é.

Anacreonte

ΕΙΣ ΓΕΡΟΝΤΑ

φιλῶ γέροντα τερπνόν,
φιλῶ νέον χορευτάν·
ἂν δ’ ὁ γέρων χορεύῃ,
τρίχας γέρων μέν ἐστιν,
τὰς δὲ φρένας νεάζει.

* Nota deste Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, deixa registrado que, no “Prefácio da Primeira Edição” deste Odes de Anacreonte..., o tradutor Almeida Cousin relata o seguinte:
     “Sempre, porém, que aconteceu intercalar, por nossa conta, um verso inteiro, sem relação com o texto, tivemos o cuidado de marcá-lo com um asterisco (*) à margem, [...] Dispensamos entretanto o sinal (*), quando algum verso, aparentemente estranho, resulta do desdobramento de alguma idéia contida em gérmen por qualquer expressão do texto.
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Odes de Anacreonte [Anacreônteas] e suas Traduções — Almeida Cousin, Prefácios [da 1ª e 4ª edições], Tradução e Notas de [José Coelho de] Almeida Cousin, edição bilíngüe, 1982, 4ª edição, Editora Achiamé — Rio de Janeiro — RJ; Anacreonte (570 a.C. ? 488 a.C. ?), de origem jônica, nascido em Teos, na Ásia Menor, foi um poeta lírico grego; de sua biografia consta ter escrito diversos livros de poemas odes, epigramas, canções, elegias, etc. dos quais só nos é dado conhecer tão somente fragmentos; frise-se também que famosas odes a ele atribuídas foram de outros autores gregos que as escreviam à moda do Mestre jônico, daí a nomeação atual aceita de Odes Anacreônticas em vez de Odes de Anacreonte; pelo prefaciador e tradutor Almeida Cousin também ficamos sabendo que há críticos modernos que consideram como sendo de origem apócrifa toda a coletânea das Odes Anacreônticas.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Anacreonte: XXX — O amor em cadeias


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[traduzido por Almeida Cousin]

As Musas1 tomaram Eros
E o deram, preso em guirlandas,
Para a Beleza o guardar.
E Vênus trouxe os presentes
Para o remir e comprar.
Ele, entanto, redimido,
Sua mãe pode chamar:2 *
Gostou tanto da[s] cadeias
Que não quer se libertar!

Anacreonte

ΕΙΣ ΕΡΩΤΑ

Αἱ Μοῦσαι τὸν Ἔρωτα
δήσασαι στεφάνοισι
τῶι Κάλλει παρέδωκαν·
καὶ νῦν ἡ Κυθέρεια
ζητεῖ λύτρα φέρουσα
λύσασθαι τὸν Ἔρωτα.
κἂν λύσηι δέ τις αὐτόν,
οὐκ ἔξεισι, μενεῖ δέ·
δουλεύειν δεδίδακται.

1. Nota do tradutor Almeida Cousin [José Coelho de, 1897 — 1991]: Musas, Aônides, Piérides, Hipocrênides, etc. — eram as nove filhas de Zeus e Mnemosina, deusa da memória. Habitavam o monte Piério ou Parnaso, na Aônia, junto da fonte Hipocrene, sendo aí discípulas de Apolo. Presidia Clio à História; Melpôneme, à tragédia; Talia, à comédia; Euterpe, à música; Terpsicore, à dança; Calíope, à eloquência épica; Érato, à poesia lírica; Urânia, à astronomia, e Polímnia, à retórica.
2. Nota deste Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, deixa registrado que, no “Prefácio da Primeira Edição” deste Odes de Anacreonte, o tradutor Almeida Cousin relata o seguinte:
     “Sempre, porém, que aconteceu intercalar, por nossa conta, um verso inteiro, sem relação com o texto, tivemos o cuidado de marcá-lo com um asterisco (*) à margem, [...] Dispensamos entretanto o sinal (*), quando algum verso, aparentemente estranho, resulta do desdobramento de alguma idéia contida em gérmen por qualquer expressão do texto.”
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Odes de Anacreonte [Anacreônteas] e suas Traduções — Almeida Cousin, Prefácios [da 1ª e 4ª edições], Tradução e Notas de Almeida Cousin, edição bilíngüe, 1982, 4ª edição, Editora Achiamé — Rio de Janeiro — RJ; Anacreonte (570 a.C. ? 488 a.C. ?), de origem jônica, nascido em Teos, na Ásia Menor, foi um poeta lírico grego; de sua biografia consta ter escrito diversos livros de poemas odes, epigramas, canções, elegias, etc. dos quais só nos é dado conhecer tão somente fragmentos; frise-se também que famosas odes a ele atribuídas foram de outros autores gregos que as escreviam à moda do Mestre jônico, daí a nomeação atual aceita de Odes Anacreônticas em vez de Odes de Anacreonte; pelo prefaciador e tradutor Almeida Cousin também ficamos sabendo que há críticos modernos que consideram como sendo de origem apócrifa toda a coletânea das Odes Anacreônticas.

sábado, 29 de agosto de 2020

Anacreonte: XII — A uma andorinha *


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[traduzido por Almeida Cousin]

Que queres, tagarela,
Que eu te faça, andorinha?
As asas te cortar
Ou essa linguazinha
Como Tereu outrora
Também te fez penar?
Por que é que, antes da aurora,
Chilrando esses teus trilos,
Me afastas meu Batilos
E os sonhos vens turbar?

Biografia de Anacreonte

ΕΙΣ ΧΕΛΙΔΟΝΑ

Τί σοι θέλεις ποιήσω,
τί σοι, †λάλευ† χελιδόν;
τὰ ταρσά σευ τὰ κοῦφα
θέλεις λαβὼν ψαλίξω,
ἢ μᾶλλον ἔνδοθέν σευ
τὴν γλῶσσαν, ὡς ὁ Τηρεύς
ἐκεῖνος, ἐκθερίξω;
τί μευ καλῶν ὀνείρων
ὑπορθρίαισι φωναῖς
ἀφήρπασας Βάθυλλον;


* Nota de Almeida Cousin [José Coelho, 1897  1991], tradutor: Ode XII Tereu, Progne, Filomela, Itis (Ithys) Gavião, andorinha, rouxinol, faisão — Tereu, rei da Trácia, casou-se com Filomela, filha de Pandion, rei de Atenas e abusou de sua cunhada Progne, a quem depois encarcerou, cortando-lhe a língua, para que nada dissesse. Entretanto, Progne bordou a ação de Tereu sobre um pano e o enviou a Filomela, que a veio libertar, à frente de uma tropa de mulheres. Para vingar-se, fez comer por Tereu a carne de seu próprio filho Itis (Ithys). Quando o soube Tereu, vendo a cabeça da criança, arremessou-se contra Progne, mas foi transformado em gavião, enquanto ela fugia, transformada em andorinha. Ao mesmo tempo eram os restos de Itis metamorfoseados em faisão e Filomela no rouxinol plangente, dos luares.
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Odes de Anacreonte e suas Traduções — Almeida Cousin, Prefácios, Tradução e Notas de Almeida Cousin, edição bilíngüe, 1982, 4ª edição, Editora Achiamé Rio de Janeiro — RJ; Anacreonte (570 a.C. ? 488 a.C. ?), de origem jônica, nascido em Teos, na Ásia Menor, foi um poeta lírico grego; de sua biografia consta ter escrito diversos livros de poemas odes, epigramas, canções, elegias, etc. dos quais só nos é dado conhecer tão somente fragmentos; frise-se também que famosas odes a ele atribuídas foram de outros autores gregos que as escreviam à moda do Mestre jônico, daí a nomeação atual aceita de Odes Anacreônticas em vez de Odes de Anacreonte; pelo prefaciador e tradutor, também ficamos sabendo que há críticos modernos que consideram como sendo de origem apócrifa toda a coletânea das Odes Anacreônticas.