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domingo, 8 de março de 2026

Paul Verlaine: Luar

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[traduzido por Renata Cordeiro]

Vossa alma é paisagem escolhida
Que encantam bergamascos com folia,
Laúde, dança e quase entristecida
Máscara, em fantasiosas fantasias.

No modo menor, cantam a harmonia
Do vitorioso amor, da azada vida,
Porém, não se convencem da alegria,
E é no luar a música envolvida,

No luar calmo, triste, mas formoso,
Que dá sonhos aos pássaros das árvores,
E mais suspiros de êxtase aos grandiosos
Jatos d’água, elegantes, entre os mármores.

Paul Verlaine

Clair de lune *

Votre âme est un paysage choisi
Que vont charmant masques et bergamasques
Jouant du luth, et dansant, et quasi
Tristes sous leurs déguisements fantasques.

Tout en chantant sur le mode mineur
L’amour vainqueur et la vie opportune,
Ils n’ont pas l’air de croire à leur bonheur
Et leur chanson se mêle au clair de lune,

Au calme clair de lune triste et beau,
Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
Et sangloter d’extase les jets d’eau,
Les grands jets d’eau sveltes parmi les marbres.

(Fêtes galantes — 1869)

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página pesquisou e deixa registrado que Clair de lune é um dos poemas de Verlaine que foram musicados pelo compositor clássico Claude Debussy (1862  1918).
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Introdução, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Paul Marie Verlaine (1844 1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (Lycée Condorcet, atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público, bacharelou-se em Literatura, foi professor, escritor e poeta; desde cedo escrevia poemas, inicialmente influenciado pelo parnasianismo; em 1866, estreou em livros com Poèmes Saturniens, teve sete de seus poemas publicados no Parnasse Contemporain; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão 'poètes maudits' (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry, ... , grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888), Parallèlement (1889), Hombres (poemas eróticos [escritos até 1891], publicação clandestina, 1903) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; em 1875, no Reino Unido, Verlaine lecionou “latim, grego, desenho e francês” no Stickney Grammar School Boston; participou da Comuna de Paris sem ter sido atuante nas ruas, teve poemas musicados pelo compositor Claude Debussy em Ariettes oubliées [‘Canções esquecidas, ciclo de seis melodias para voz e piano’]; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.

sábado, 17 de setembro de 2022

Carlos Rennó & Chico Brown e Pedro Luís: "Hino" ao inominável

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"Hino" ao inominável: 'na íntegra, são 202 versos, mais o refrão, contra o ódio e a ignorância no poder no Brasil. Porém, apesar dele  e do que, e de quem e quantos ele representa  a mensagem final é de luz, a luz que resiste, pois, como canta o refrão: "Mas quem dirá que não é mais imaginável / erguer de novo das ruínas o país?"'

letra: Carlos Rennó
música: Chico Brown e Pedro Luís
intérpretes: André Abujamra, Arrigo Barnabé, Bruno Gagliasso, Caio Prado, Cida Moreira, Chico Brown, Chico César, Chico Chico, Dexter, Dora Morelenbaum, Héloa, Hodari, Jorge Du Peixe, José Miguel Wisnik, Leci Brandão, Lenine, Luana Carvalho, Marina Íris, Marina Lima, Monica Salmaso, Paulinho Moska, Pedro Luís, Péricles Cavalcanti, Preta Ferreira, Professor Pasquale, Ricardo Aleixo, Thaline Karajá, Vitor da Trindade, Wagner Moura, Zélia Duncan
Músicos: Ana Karina Sebastião, Cauê Silva, Fábio Pinczowski, Juba Carvalho, Léo Mendes, Thiago Silva, Webster Santos, Xuxa Levy
Vídeo: Coletivo Bijari
Edição: Guilherme Peres
Direção de fotografia: Toni Nogueira

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Glauco Mattoso: CD "Melopéia: Sonetos Musicados" Álbum completo

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01 Arnaldo Antunes "confessional" (0:00)
02 Humberto Gessinger "revista" (4:05)
03 Edvaldo Santana "Bélico" (7:50)
04 Guedes & Stefani "pacifista" (11:46)
05 Elefunk "virtual" (16:05)
06 Wander Wildner "ensaístico" (20:20)
07 365 "desertado"(23:13)
08 Ayrton Mugnaini Jr. "Flatulento"(26:20)
09 Billy Brothers "escatologico" (29:15)
10 Devotos "Dercy Gonçalves" (31:33)
11 DJ Kraneo "inescrupuloso" (34:51)
12 Falcão & Eriberto Leão "Precípuo" (35:20)
13 Elefunk "virtual" (39:07)
14 Alexandre Nero "manifesto obsoleto" (43:35)
15 Laranja Mecânica "confessional" (45:09)
16 DJ Kraneo "inescrupuloso" (48:08)
17 Madan "ao maior" (48:38)
18 Itamar Assumpção & Renata Mattar "Amélia & Emília" (52:22)
19 Claudia Wonder & Edson Cordeiro "virtual" (55:20)
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CD Melopéia: Sonetos Musicados (por diversos compositores e intérpretes), compact-disc, 2001, Rotten Records, São Paulo — SP); Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 21 de abril de 2020

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Capitão Furtado: Trovas

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Ninguém na vida ama mais
do que eu amo a minha bela!
Amo ela de coração,
minha vida é amar ela!

Meus versos são para ti,
são feitos de coração...
Dedico a ti meu afeto,
meus carinho por ti são!

Toda vida hei de amá-la,
cara Bina, minha bela...
Já sinto que o coração
no meu peito por ti gela!

O sonho da arma minha
é ver ela bem banguela,
pra que ninguém nunca cubice
o incanto da boca dela!

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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Capitão Furtado, pseudônimo de Ariovaldo Pires (1907 1979), paulista de Tietê, foi cantor, compositor e radialista; é considerado um expoente da literatura caipira; ainda criança mudou-se para Botucatu SP e em 1926 chega a São Paulo, onde arruma trabalho como auxiliar de escritório; a partir daí começa o seu envolvimento com produções caipiras na Rádio Cruzeiro do Sul e na Rádio São Paulo — PRA—5, e depois nas rádios Tupi, Difusora, Nacional, Cultura etc., nas quais encena quadros radiofônicos, apresenta programas, compõe, cria programa de calouros, participa como assistente de produção e como coordenador artístico de filmes; escreveu e publicou o livro Lá vem mentira (1956); Capitão Furtado nos deixou como legado mais de uma centena de composições caipiras, em parceria com diversas duplas, atuando como letrista e também cantando; discografia: Natal do Sertão (1936), Adoração (1937), Amanhecer no Sertão (1938), Caipira em Hollywood (1938), Brincadeira de Roda (1938), As Três Gargalhadas (1945), Sodade do Ranchinho (1951), Arraial da Curva Torta (1958), Roda de Violeiros (1958), Tapera (1959) e outros, além de ser reverenciado em trabalhos de violeiros e estudiosos da música caipira: Ao Capitão Furtado — Marvada Viola (com diversos músicos e músicas, 1987).

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Olavo Bilac: Sinfonia

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Meu coração, na incerta adolescência, outrora,
Delirava e sorria aos raios matutinos,
Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora,
Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.

Meu coração, depois, pela estrada sonora
Colhia a cada passo os amores e os hinos,
E ia de beijo a beijo, em lasciva demora,
Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.

Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde
Em flautas e oboés, na inquietação da tarde,
E entre esperanças foge e entre saudades erra...

E, heroico, estalará num final, nos clamores
Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores,
Para glorificar tudo que amou na terra!

(Tarde)

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Poesias — Olavo Bilac, 4ª reimpressão, 2016, Martin Claret, São Paulo — SP; Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta expoente do parnasianismo, cronista e jornalista; colaborou em jornais, como a Gazeta de Notícias, e em publicações periódicas, como as revistas A Imprensa, A Leitura, Branco e Negro, Brasil—Portugal e Atlântida; escreveu Poesias (1888), Crônicas e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário de Rimas (1913), Ironia e Piedade — crônicas (1916) etc; foi autor da letra do Hino à Bandeira; juntamente com os poetas Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, veio a formar o que ficou conhecido como a Tríade Parnasiana; no Rio de Janeiro e em São Paulo, estudou Medicina e Direito sem no entanto concluir nenhum dos cursos.

domingo, 10 de junho de 2018

Alice Ruiz: Socorro

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Socorro, eu não estou sentindo nada.
Nem medo, nem calor, nem fogo,
não vai dar mais pra chorar
nem pra rir.

Socorro, alguma alma, mesmo que penada,
me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena,
qualquer coisa que se sinta,
tem tantos sentimentos,
deve ter algum que sirva.

Socorro, alguma rua que me dê sentido,
em qualquer cruzamento,
acostamento, encruzilhada,
socorro, eu já não sinto nada.

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50 poemas de revolta (vários autores), 2017, 1ª edição, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Alice Ruiz, paranaense de Curitiba, nascida em 1946, é poeta, tradutora e compositora; tem parcerias e gravações com Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Zeca Baleiro, além de gravações com Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e Gal Costa; lançou, em 2005, com Alzira Espíndola, o CD Paralelas, de música e poesia; obra poética:  Navalhanaliga (1980), Paixão xama paixão (1983), Pelos pelos (1984),  Vice-versos (1988, Prêmio Jabuti), Desorientais (1996), Yuuka (2004), Conversa de passarinhos (2008) Dois em um (2008, Prêmio Jabuti),  entre outros; em 1993, foi homenageada pela colônia japonesa curitibana, por seus méritos na produção de haicais, homenagem esta feita pela primeira vez a um/uma ocidental.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Bertolt Brecht: E que ganhou a mulher do soldado?

Resultado de imagem para Bertolt Brecht Poemas e Canções Civilização Brasileira
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[traduzido por Geir Campos]

E que ganhou a mulher do soldado,
dessa vetusta capital que é Praga?
De Praga ela ganhou sapatos altos:
um cumprimento com os sapatos altos
que recebeu da cidade de Praga.

E que ganhou a mulher do soldado
de Varsóvia, banhada pelo Vístula?
De Varsóvia veio a blusa de linho:
exótica e colorida, uma blusa polaca
foi que lhe veio das margens do Vístula.

E que ganhou a mulher do soldado
de Oslo, no Mar do Norte?
De Oslo ganhou ela uma echarpe de peles;
tomara que lhe agrade essa echarpe de peles
vinda de Oslo, no Mar do Norte.

E que ganhou a mulher do soldado
da opulenta Roterdão?
De Roterdão ganhou ela o chapéu;
tão bem lhe fica o chapéu holandês
que veio de Roterdão!

E que ganhou a mulher do soldado
de Bruxelas, metrópole dos belgas?
De Bruxelas chegaram rendas raras:
ah, poder tê-las, rendas assim raras!
Ela ganhou-as da terra dos belgas.

E que ganhou a mulher do soldado
de Paris, a grande Cidade-Luz?
Recebeu de Paris o vestido de seda;
como as vizinhas invejam esse vestido de seda
que ela ganhou de Paris!

E que ganhou a mulher do soldado
de Trípoli, na Líbia?
De Trípoli ganhou ela um cordão:
breve amuleto num cordão de cobre,
que ela ganhou de Trípoli, na Líbia.

E que ganhou a mulher do soldado
do vasto país dos russos?
Da Rússia ganhou ela o manto de viúva:
para o velório, o manto de viúva
que ela recebeu dos russos.



Und was bekam des Soldaten Weib?

Und was bekam des Soldaten Weib
Aus der alten Hauptstadt Prag?
Aus Prag bekam sie die Stöckelschuh.
Einen Gruss und dazu die Stöckelschuh
Das bekam sie aus der Stadt Prag.

Und was bekam des Soldaten Weib
Aus Warschau am Weichselstrand?
Aus Warschau bekam sie das leinene Hemd
So bunt und so fremd, ein polnisches Hemd!
Das bekam sie vom Weichselstrand.

Und was bekam des Soldaten Weib
Aus Oslo über dem Sund?
Aus Oslo bekam sie das Kräglein aus Pelz.
Hoffentlich gefällt‘s, das Kräglein aus Pelz!
Das bekam sie aus Oslo am Sund.

Und was bekam des Soldaten Weib
Aus dem reichen Rotterdam?
Aus Rotterdam bekam sie den Hut.
Und er steht ihr gut, der holländische Hut.
Den bekam sie aus Rotterdam.

Und was bekam des Soldaten Weib
Aus Brüssel im belgischen Land?
Aus Brüssel bekam sie die seltenen Spitzen.
Ach, das zu besitzen, so seltene Spitzen!
Sie bekam sie aus belgischem Land.

Und was bekam des Soldaten Weib 
Aus der Lichterstadt Paris?
Aus Paris bekam sie das seidene Kleid.
Zu der Nachbarin Neid das seidene Kleid
Das bekam sie aus Paris.

Und was bekam des Soldaten Weib
Aus dem libyschen Tripolis?
Aus Tripolis bekam sie das Kettchen.
Das Amulettchen am kupfernen Kettchen
Das bekam sie aus Tripolis.

Und was bekam des Soldaten Weib 
Aus dem weiten Russenland?
Aus Russland bekam sie den Witwenschleier.
Zu der Totenfeier den Witwenschleier
Das bekam sie aus Russenland.

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Bertolt Brecht
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Bertolt Brecht — Poemas e Canções, Tradução de Geir Campos, 1966, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Eugen Bertholt Friedrich Brecht (1898  1956), alemão de Augsburg  Baviera, foi dramaturgo, encenador e poeta; em 1917 iniciou o curso de Medicina, em Munique, mas, tendo sido convocado pelo exército, na Primeira Guerra, trabalhou como enfermeiro em hospital militar; em 1933, com a ascensão de Hitler, deixa a Alemanha, exilando-se primeiro na Dinamarca, depois nos Estados Unidos e na Suiça; em 1948, de volta à Alemanha, funda a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia e na arte dramática, deixou-nos extensa produção artística, Baal (texto de 1918/produção em 1926), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1918/1920), Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês, 1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938) e tantos outros textos escritos e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Duda Moleque *: José Maria José

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Zé Maria não falava blablablá de bambambã
Não curtia jogar bola, só carrim de rolimã
Pra ir no carnaval, foi no armário da irmã
Vestiu a saia dela, a calcinha e o sutiã
Foi pro balacobaco, cheio de balangandã
Não deu bola pra quem disse que era coisa do Satã
A boca perfumada com chiclete de hortelã
E rebolando mais que a bailarina do Tchan

O povo perguntava: o que você é?
Eu sou José Maria, eu sou Maria José

Maria José gostava mais de pipa que peteca
Não brincava de roda, muito menos com boneca
Se um moleque safado pedisse a perereca
Cuspia que nem sapo, bem na cara do sapeca
Quando ficou mocinha, cortou o cabelo careca
Foi na capoeira e ganhou força na munheca
Vestiu um paletó, camisa, calça e cueca
E fez sucesso c’as mina da discoteca.

O povo perguntava: o que você é?
Eu sou José Maria, eu sou Maria José

Maria de sapatão e José de sapatilha
Foram caminhando cada um na sua trilha
Num mundo tão pequeno onde os caminhos se encruzilha
Onde Cupido faz macumba e armadilha
O arco-íris nasce no momento que o sol brilha
Só se tem chuva a gente vê a maravilha
Os dois deixaram se atracar pela virilha
E assim nasceu uma criança na família

O povo perguntava: o que você é?
Eu sou José Maria, eu sou Maria José

Ehh… eu sou Zezé Zé Maria, Jojô
Maria, Mazé, Mama Zezé Majô, Zé Maria
Mama Zezé, Mama Jojô Papa Zezé, Papa Jojô
Mama Zezé, Mama Jojô Papa Zezé, Papa Jojô


* Para conhecer a história do grupo musical Moleque de Rua, clique no título lá em cima. 
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Duda Moleque, ou José Carlos Gomes Ferreira, nascido em 1959, paulista e paulistano, formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP  Largo São Francisco), é músico autodidata, cantor, compositor e arranjador; em 1983, na Vila Sta. Catarina, em Sampa, criou o grupo musical Moleque de Rua, formado por três gerações de jovens e crianças desfavorecidas da periferia paulistana, “perambulou pelo Brasil, atravessou o Atlântico e ancorou na Europa”, apresentando-se em inúmeros palcos do velho continente  França, Alemanha, Espanha, Reino Unido, Itália, Áustria e outros países; produção artística: Moleque de Rua (1º álbum em 1992, mais 5 álbuns e 3 filmes curta-metragem até 2011); Bicho da Selva Paulista (álbum, 2012), Projeto “Urban Ballets” (integrante, com realizações em 4 países  África do Sul, França, Portugal e Irlanda do Norte); participações em workshops, performances e festivais (20142016); atualmente vive entre São Paulo  Brasil e Norwich  Inglaterra; foi funcionário do Banco do Brasil na década de oitenta do século e milênio passados.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Flaira Ferro: Me curar de mim [letra e música]

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Sou a maldade em crise
Tendo que reconhecer
As fraquezas de um lado
Que nem todo mundo vê

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

Eu quero me curar de mim  REFRÃO
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

O ser humano é esquisito
Armadilha de si mesmo
Fala de amor bonito
E aponta o erro alheio

Vim ao mundo em um só corpo
Esse de um metro e sessenta
Devo a ele estar atenta
Não posso mudar o outro

Eu quero me curar de mim — REFRÃO
Quero me curar de mim
Quero me curar de mim

Vou pequena e pianinho
Fazer minhas orações
Eu me rendo da vaidade
Que destrói as relações

Pra me encher do que importa
Preciso me esvaziar
Minhas feras encarar
Me reconhecer hipócrita

Sou má, sou mentirosa
Vaidosa e invejosa
Sou mesquinha, grão de areia
Boba e preconceituosa

Sou carente, amostrada
Dou sorrisos, sou corrupta
Malandra, fofoqueira
Moralista, interesseira

E dói, dói, dói me expor assim
dói, dói, dói, despir-se assim.

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito,
Eu vou me curar de mim?

Se é que essa cura há de existir
Não sei. Só sei que a busco em mim
Só sei que a busco


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Acesse a página da cantora e compositora: http://flairaferro.com.br/flaira/
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Cordões Umbilicais Flaira Ferro, Produção Musical e Arranjos de Leonardo Gorosito e Alencar Martins, disco gravado em 2013 2014, Cia. Do Gato SP / Ilha da Lua SP / Gusdel Estúdio PE; Flaira Ferro, pernambucana e recifense, formada em Comunicação Social pela UNICAP (Recife PE), é pesquisadora, dançarina, atriz, cantora e professora de danças; foi através da dança, aos seis de anos de idade, que Flaira iniciou-se na arte; estudou Técnica e Improvisação em Dança na Escola Municipal de Frevo do Recife; no Instituto Brincante (Antonio Nóbrega Cia. De Dança), em São Paulo SP, estudou canto e percussão; como passista, participou de festivais, feiras de turismo e circuitos de cultura no exterior (Alemanha, França, Suíça, Inglaterra, Portugal, Itália, Argentina, Peru, China, Índia e Estados Unidos); com Cordões Umbilicais, seu primeiro projeto de música autoral, dá-se o início de uma nova fase de Flaira como cantora e compositora.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Gino Cortopassi [Zé Fidélis]: A Súplica

232 Poetas Paulistas - Antologia Pedro De Alcântara Worms
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Trôpego, cansado, mal bistido,
U mendigu caminha rua a fora.
Nu seu ulhar mortiço i dulurido
Bislumbres há duns vons tempos d´oitrora.

In certo ponto pára i ulhando u céu,
Clama cum amargura a sua disgraça:
“Deus que mi bêdes andar assim ao léu,
Vevi du fel da vida intãira a taça!

Tende piedade! Balei-me! Binde a mim!
Qui debo eu fazer pra não sufrer assim,
Si assim eu bibo dês que bim ao mundo?...”

I oubiu-se, intão, u´a bóz, mãiga, amurosa,
A lhi dizer, suabe i querinhosa:
“Bá pegar na inxada, vagabundo!...”

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Gino Cortopassi ou Zé Fidélis (1910  1985), paulista e paulistano, formado contador pelo Mackenzie College (atual Universidade Mackenzie  São Paulo), foi cantor, compositor, radialista, humorista e poeta; adotando o pseudônimo Zé Fidélis, estreou no rádio em 1930, e por este nome artístico ficou conhecido; escreveu e publicou História do mundo, Binho, mulata e vacalhau, Teatro maluco, Meningite aguda, Lira arreventada, Sarravulho, Muito sangue e pouca areia, Bérsos a Gasugênio, A ópera pela tripa, Seleção Canalhinha; gravou também uma extensa discografia com paródias, anedotas, humorismo, marchas e xotes.