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[traduzido
por Delson Tarlé]
Enquanto, a competir com teu
cabelo,
o ouro brunido ao Sol reluz em vão
e, pálido de inveja, quedo ao chão,
perde-se a contemplar-se o lírio
belo,
e o rubro de teus lábios deixa em
zelo
mais olhos do que o cravo temporão,
e o colo altivo traz um ar loução
como o cristal luzente aspira
tê-lo;
goza lábios, cabelo, colo albente,
antes que tudo, em tua idade alada
— ouro, lírio, cristal, cravo
rubente
não só se acabe em prata e flor
crestada,
mas tu e a tua vida, juntamente,
em terra, em fumo, em pó, em
sombra, em nada.
não só se acabe em prata e flor
crestada,
mas tu e a tua vida, juntamente,
em terra, em fumo, em pó, em
sombra, em nada.
Mientras por competir con tu cabello, . . .
13 — 1582
Mientras
por competir con tu cabello,
oro
bruñido al sol relumbra en vano,
mientras
con menosprecio en medio el llano
mira tu
blanca frente el lilio bello;
mientras
a cada labio, por cogello,
siguen
más ojos que al clavel temprano,
y
mientras triunfa con desdén Lozano
del
luciente cristal tu gentil cuello;
goza
cuello, cabello, labio y frente,
antes que
lo que fué en tu edad dorada
oro,
lilio, clavel, cristal luciente,
no sólo
en plata o víola troncada
se vuelva,
mas tú y ello juntamente
en
tierra, en humo, en polvo, en sombra, en nada.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco
de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987,
Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Luis
de Góngora y Argote (1561 — 1627), espanhol e cordobês, estudou no Colegio de la
Compañía de Jesús de Córdoba, foi poeta do período barroco, dramaturgo e padre;
foi/é considerado líder da corrente literária autodenominada cultismo e desenvolvedor
de um estilo, o gongorismo, reconhecido pelo uso sistemático continuado de ‘hipérboles,
metáforas obscuras e dubiedades’ em seus textos; fez estudos religiosos em Salamanca, matriculou-se em Cânones, ordenou-se sacerdote; sabia latim, lia italiano e português; desde 1580, o ambiente
literário da época já reconhecia Gôngora, mencionava-o e citava parte dos textos
gongorianos, reproduzindo soneto em obra de outro literato; em 1603, em Valladolid,
Gôngora teve “incansável carreira como poeta da nobreza e da realeza”, em 1605,
já em Córdoba, seus poemas compuseram a antologia Flores de Poetas Ilustres; andejou
por Madrid, Alcalá, Álava, Pontevedra, Granada, sempre expondo seus poemas e criando
outros; em 1617, já poeta renomado, ordenou-se padre, tinha 56 anos de idade, assumiu
o cargo de Capelão Real em Madrid e também foi cônego da Catedral de Córdoba; consta
de sua biografia que, em vida, o poeta não publicou nenhum livro, suas poesias circularam em manuscritos; antologias
publicadas no século XX foram baseadas no “manuscrito
Chacón ([3 tomos], 1625-1628)”, feito/compilado por dom Antonio Chacón [y Ponce
de Léon], amigo de Góngora; obra poética (“94 romances, 121 ‘letrillas’ e outras
composições de ‘arte menor’, 167 sonetos, 33 composições de ‘arte maior’ e 3 poemas
longos): Fábula de Polifemo y Galatea (1612 — 1613), Soledades (1612 — 1613), Panegírico
Al Duque de Lerma (longo poema “de estilo elevado”, 1617), Fábula de Píramo y Tisbe
(1618); Góngora, além dos sonetos e dos romances poéticos, também compôs duas peças
teatrais: Las finezas
de Isabela e El doctor Carlino; quase sempre o
poeta passou por dificuldades e “angústias” financeiras, particularmente na velhice
quando, doente, se viu “incapaz até mesmo de segurar a pena”; no ambiente literário,
conviveu e rivalizou com os também poetas e dramaturgos Francisco de Quevedo (1580
— 1645) e Lope de Vega (1562 — 1635).

















