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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

William Shakespeare: Se a rude carne fora pensamento, . . . [soneto]

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

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Se a rude carne fora pensamento,
A distância infamante não vingara,
Pois vencendo os espaços, num momento,
Na amplidão mais remota te encontrara;
Pouco importava então meu passo fora
Longe de ti nas vastidões da esfera,
Que o pensamento terra e mar devora
Só de pensar onde chegar quisera.
Mortal pensar que não sou pensamento,
Para saltar as léguas de onde andares;
Mas sendo de água e argila me atormento
A queixar-me do Tempo e seus vagares;
    Que os tardos elementos me condenam
    Às lágrimas, emblemas do que penam.

Shakespeare

XLIV

If the dull substance of my flesh were thought,
Injurious distance should not stop my way;
For then, despite of space I would be brought,
From limits far remote, where thou dost stay.
No matter then although my foot did stand
Upon the farthest earth remov’d from thee;
For nimble thought can jump both sea and land,
As soon as think the place where he would be.
But, ah! thought kills me that I am not thought,
To leap large lengths of miles when thou art gone,
But that, so much of earth and water wrought,
I must attend time's leisure with my moan;
    Receiving nought by elements so slow
    But heavy tears, badges of either's woe.
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50 Sonetos — William Shakespeare, Tradução e Apresentação de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Posfácio/Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

terça-feira, 28 de junho de 2022

William Shakespeare: Quando vejo nas crônicas antigas . . . [soneto]

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

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Quando vejo nas crônicas antigas
A descrição dos seres mais perfeitos,
E o belo a embelezar velhas cantigas
Em honra à dama e aos paladins eleitos,
No blasonar da formosura rara
Que em mãos, pés, lábios, olhos, face aflora,
Sinto que a musa antiga decantara
Mesmo a beleza que deténs agora.
Não passa tal louvor de profecia
Do nosso tempo, e já te prefigura;
Mas como só na mente é que te via,
Não pôde o teu valor cantar à altura.
    E hoje, que temos olhos pra ver,
    Verbo nos falta para enaltecer.

William Shakespeare

CVI

When in the chronicle of wasted time
I see descriptions of the fairest wights,
And beauty making beautiful old rime,
In praise of ladies dead and lovely knights,
Then, in the blazon of sweet beauty’s best,
Of hand, of foot, of lip, of eye, of brow,
I see their antique pen would have express’d
Even such a beauty as you master now.
So all their praises are but prophecies
Of this our time, all you prefiguring;
And for they look’d but with divining eyes,
They had not skill enough your worth to sing:
   For we, which now behold these present days,
   Have eyes to wonder, but lack tongues to praise.
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50 Sonetos — William Shakespeare, Tradução e Apresentação de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Posfácio/Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

terça-feira, 14 de junho de 2022

William Shakespeare: Nem mármore, nem áureos monumentos . . . [soneto]

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

55

Nem mármore, nem áureos monumentos
De reis hão de durar mais que esta rima,
E sempre hás de brilhar nestes acentos
Do que na pedra, pois o tempo a lima.
Pode a estátua na guerra ser tombada
E a cantaria o vil motim destrua;
Nem fogo ou Marte apagará com a espada
Vivo registro da memória tua.
Há de seguir teu passo sobranceiro
Vencendo a Morte e as legiões do olvido,
E os pósteros, no juízo derradeiro,
Hão de a este louvor prestar ouvido.
    Pois até a sentença que levantes,
    Vives aqui e no lábio dos amantes.

Shakespeare

LV

Not marble, nor the gilded monuments
Of princes, shall outlive this powerful rhyme;
But you shall shine more bright in these contents
Than unswept stone, besmear’d with sluttish time.
When wasteful war shall statues overturn,
And broils root out the work of masonry,
Nor Mars his sword nor war’s quick fire shall burn
The living record of your memory.
’Gainst death and all-oblivious enmity
Shall you pace forth; your praise shall still find room
Even in the eyes of all posterity
That wear this world out to the ending doom.
    So, till the Judgement that yourself arise,
    You live in this, and dwell in lovers’ eyes.
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50 Sonetos — William Shakespeare, Tradução, Nota Introdutória à 5ª edição e Seleção de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Posfácio/Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

quinta-feira, 26 de maio de 2022

William Shakeapeare: Meu amor é uma febre, que ainda anseia . . . [soneto]

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

147

Meu amor é uma febre que ainda anseia
Por tudo o que prolonga minha doença,
Nutrindo-se do quanto o mal ateia
Para aplacar a sua fome intensa.
Minha razão, o médico do amor,
Reclama que as receitas não lhe acato
E me deixa de vez; sinto no horror
Que desejo é mortal, se falta o trato.
Fico sem cura, se a Razão tão cara
Se vai, e um louco frenesi me invade;
Penso e falo qual louco que declara
Coisas ao léu, ausentes da verdade:
    Jurei que eras brilhante e achei-te pura
    E és negra como o inferno e a noite escura.

Shakespeare

CXLVII

My love is as a fever, longing still
For that which longer nurseth the disease;
Feeding on that which doth preserve the ill,
The uncertain sickly appetite to please.
My reason, the physician to my love,
Angry that his prescriptions are not kept,
Hath left me, and I desperate now approve
Desire is death, which physic did except.
Past cure I am, now Reason is past care,
And frantic-mad with evermore unrest;
My thoughts and my discourse as madmen’s are,
At random from the truth vainly express’d;
    For I have sworn thee fair, and thought thee bright,
    Who art as black as hell, as dark as night.
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50 Sonetos — William Shakespeare, Tradução e Apresentação de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Posfácio/Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

sexta-feira, 29 de abril de 2022

William Shakespeare: Farto de tudo, a paz da morte imploro . . . [soneto]

 
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[traduzido por Ivo Barroso]

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Farto de tudo, a paz da morte imploro
Para não ver no mérito um pedinte,
E o nulo se ostentando sem decoro,
E a fé mais pura em degradado acinte,
E a honra, que era de ouro, regredida,
E a virtude das virgens violada,
E a reta perfeição ser retorcida,
E a força pelo fraco subjugada,
E a prepotência amordaçando a arte,
E impondo regra o tolo doutoral,
E a verdade singela posta à parte,
E o bem cativo estar do ativo mal:
      Farto de tudo, a morte é o bom caminho,
      Mas, morto, deixo o meu amor sozinho.

William Shakespeare

LXVI

Tir'd with all these, for restful death I cry,
As, to behold desert a beggar born,
And needy nothing trimm'd in jollity,
And purest faith unhappily forsworn,
And gilded honour shamefully misplac'd,
And maiden virtue rudely strumpeted,
And right perfection wrongfully disgraced,
And strength by limping sway disabled,
And art made tongue-tied by authority,
And folly doctor-like controlling skill,
And simple truth miscall'd simplicity,
And captive good attending captain ill.
      Tir'd with all these, from these would I be gone,
      Save that, to die, I leave my love alone.
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50 Sonetos — William Shakespeare, Tradução e Apresentação de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; William Shakespeare (1564 1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

segunda-feira, 30 de julho de 2018

William Shakespeare: Enquanto só, roguei teu patrocínio . . . [soneto]

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[traduzido por Ivo Barroso]

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Enquanto só, roguei teu patrocínio,
Só meu verso gozou de tua graça,
Mas hoje desgraciado entro em declínio
E a pobre Musa a um outro cede a praça
Confesso, amor, que teu amável tema
Pede uma pena de maior talento,
Mas tudo quanto esse teu poeta extrema
Rouba de ti ao dar-te em pagamento.
Se te empresta virtude é que encontrou-a
Em teu caráter; se te dá beleza,
Ela estava em teu rosto: o que ele entoa
Não é louvor, que o tens por natureza.
    Não lhe agradeças por menção tão leve,
    Pois pagas a ti mesmo o que ele deve.

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William Shakespeare

LXXIX

Whilst I alone did call upon thy aid,
My verse alone had all thy gentle grace;
But now my gracious numbers are decay'd,
And my sick muse doth give another place.
I grant, sweet love, thy lovely argument
Deserves the travail of a worthier pen;
Yet what of thee thy poet doth invent
He robs thee of, and pays it thee again.
He lends thee virtue, and he stole that word
From thy behavior; beauty doth he give,
And found it in thy cheek; he can afford
No praise to thee but what in thee doth live.
     Then thank him not for that which he doth say,
     Since what he owes thee thou thyself dost pay.
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50 Sonetos  William Shakespeare, Tradução e Apresentação de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro  RJ; William Shakespeare (1564  1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura  que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

sábado, 16 de junho de 2018

William Shakespeare: Como o pai que decrépito se alegra . . . [soneto]

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[traduzido por Ivo Barroso]

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Como o pai que decrépito se alegra
De ver o filho agir em juventude,
Eu, feito inútil pela sorte negra,
Vibro com teu valor, tua virtude.
Pois se a beleza, o berço, a aura, o ouro
Ou algo disso, ou mais, ou tudo junto,
Vejo de dons coroar o teu tesouro,
Engasto o meu amor nesse conjunto.
Já não sou pobre, inútil, desprezado
Estando à tua sombra nutritiva,
Pois em tua abundância o meu legado
Parte é de tua glória que me aviva.
    Busca o melhor que não terás revezes;
    Que ao desejá-lo sou feliz dez vezes.

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William Shakespeare

XXXVII

As a decrepit father takes delight
To see his active child do deeds of youth,
So I, made lame by fortune's dearest spite,
Take all my comfort of thy worth and truth; 
For whether beauty, birth, or wealth, or wit,
Or any of these all, or all, or more,
Entitled in thy parts, do crowned sit,
I make my love engrafted to this store:
So then I am not lame, poor, nor despis’d,
Whilst that this shadow doth such substance give
That I in thy abundance am suffic’d
And by a part of all thy glory live.
     Look what is best, that best I wish in thee:
     This wish I have; then ten times happy me!
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50 Sonetos  William Shakespeare, Tradução e Apresentação de Ivo Barroso, Prefácio de Antônio Houaiss e Estudo de Nehemias Gueiros, edição bilíngue, 2015, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro  RJ; William Shakespeare (1564  1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura  que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).